Velhos e novos
sertanejos levam o disco de Renato Teixeira
à lista dos mais vendidos
Lailson Santos
Teixeira: ele ganhou tanto dinheiro
que jogou uma parte para pessoas na rua
Lançado
há cinco meses, Renato Teixeira no Auditório
Ibirapuera é um pequeno fenômeno do combalido
mercado fonográfico brasileiro. Vendeu 64.000 unidades,
entre CDs e DVDs, e disputa as primeiras posições
da parada com Ivete Sangalo e Sandy & Júnior. Uma
das explicações do sucesso está no fato
de que Teixeira tem boa aceitação tanto entre
os fãs de música caipira quanto entre o público
do novo sertanejo. Os primeiros gostam de Romaria e
Tocando em Frente, canções calcadas na
toada e na moda de viola. Os sertanejos modernos identificam
no som dele a influência da música folk americana,
que também serviu de inspiração para
Chitãozinho & Xororó. Seria muito simplista,
porém, limitar o estilo de Renato Teixeira a essas
duas vertentes. Ele também carrega um forte acento
da MPB tradicional, seja nas melodias bem elaboradas, seja
nas letras que falam de coisas simples, mas sem o lugar-comum
dos artistas sertanejos. "Em casa a gente ouvia muito Cartola
e Noel Rosa", diz. "Eu mesmo decidi me tornar artista quando
conheci a bossa nova." Por causa disso, Teixeira caiu na graça
de intérpretes como Elis Regina e Maria Bethânia.
Renato Teixeira
nasceu em Santos, litoral de São Paulo, mas foi criado
no interior do estado. Ali não só se encantou
com a música caipira como também descobriu Bob
Dylan e Joan Baez, então conhecidos como cantores de
protesto (ainda que ele não conseguisse entender as
letras do compositor americano). Em 1967, Gal Costa (então
Maria da Graça) gravou a marcha-rancho Dadá
Maria. No ano seguinte, Roberto Carlos se encantou com
Madrasta, composta ao lado de Beto Ruschel. "Nos deram
tanto dinheiro que eu e o Ruschel pegamos um táxi e
fomos para o Aterro do Flamengo, no Rio. Abrimos as janelas
do carro e jogamos parte do adiantamento para as pessoas que
estavam na rua", lembra. Depois disso, Teixeira esperou dez
anos para desfrutar novamente do sucesso. Foi em 1977, quando
Elis Regina gravou Romaria. "Parece que o culpado foi
o Pedro Mariano, filho dela, que a toda hora pedia para tocar
a música do caipira pira pora." A partir de Romaria,
ele engrenou uma carreira-solo que driblou até os altos
e baixos do mercado fonográfico. "Nunca faltou público
nos meus shows", diz.
O sucesso de Renato
Teixeira no Auditório Ibirapuera se deve ao fato
de o disco reunir os marcos de sua carreira. O compositor,
no entanto, encontra ainda uma explicação teórica:
"Minha música tem muita modulação. Ela
vibra e agarra o público". Renato Teixeira é
assim: caipira pira pora, mas com teoria.
TOADA
SEM FIM
Canções
de Renato Teixeira que os cantores brasileiros adoram
regravar
Romaria 460 regravações
Cantada por: Elis Regina, Maria Bethânia e Chitãozinho
& Xororó
Tocando
em Frente 60
regravações Cantada por: Maria Bethânia,
Daniel, Oswaldo Montenegro, entre outros