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26 de setembro de 2007
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Internacional
A oitava vítima

Nada parece constranger a Síria em suas
campanhas para matar desafetos libaneses

Joseph Barrak/AFP
A cena do crime: oito mortos e carros destruídos no atentado que matou Ghanem

Para um país pequeno, o Líbano tem uma surpreendente quantidade de desgraças. A mais espantosa talvez seja a série de assassinatos de políticos anti-Síria. O mais recente deles foi o do deputado Antoine Ghanem, na semana passada, por um carro-bomba em um bairro cristão de Beirute. A explosão matou outras sete pessoas, feriu 67 e deixou um cenário dantesco de corpos carbonizados e uma dezena de carros transformados em ferro retorcido. O cristão Ghanem é o oitavo inimigo importante da Síria a ser assassinado nos últimos dois anos e meio no Líbano. O primeiro foi Rafik Hariri, que, como primeiro-ministro, comandou a reconstrução do país depois do fim da guerra civil. Apesar de um tribunal estabelecido pela ONU já ter traçado até Damasco a ordem para matar Hariri, o governo sírio permanece indiferente à repercussão internacional.

O momento político em que se deu o atentado era ideal para os interesses do presidente sírio Bashar Assad: a bomba explodiu apenas seis dias antes de o Congresso libanês se reunir para escolher o novo presidente do país. O atual, Emile Lahoud, é capacho da Síria. O próximo tem boas chances de não ser, já que os deputados anti-Síria formam a maioria do Congresso – ainda que agora reduzida pelo assassinato de Ghanem e de outros dois colegas. A arrogância síria se explica, em parte, pelo hermetismo do regime de Assad, desprezado até por seus vizinhos árabes, e pela aliança com o Hezbollah, o grupo terrorista xiita que construiu no Líbano um estado dentro do estado. Por outro lado, a Síria não é um reles estado fora da lei, como a Coréia do Norte, que pode ser isolado por sanções. O país tem um papel decisivo na insurreição enfrentada pelos Estados Unidos no Iraque. Sua influência também não pode ser menosprezada no resultado das conversações internacionais de paz entre israelenses e palestinos, que Washington promove em novembro. O momento é complexo e enigmático. Três semanas atrás, aviões israelenses atacaram em território sírio. Estranhamente, nem Israel nem a Síria revelam o que foi atingido. Há especulações de que seria material nuclear enviado pela Coréia do Norte. Com tanto em jogo, é improvável que a Síria seja relegada ao limbo internacional – mesmo que o tribunal internacional da ONU decida, sem sombra de dúvida, que membros do governo sírio e seus aliados no Líbano são responsáveis pelo assassinato de Hariri e de todos os outros libaneses.

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