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26 de setembro de 2007
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Internacional
A má educação de Chávez

O coronel-presidente prepara reforma
educativa para impor suas idéias às crianças


Duda Teixeira

AFP
O presidente no primeiro dia de aula: inspiração em Cuba e história adulterada


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Trecho do projeto de educação de Chávez

Para chegarem ao poder, aspirantes a ditadores podem escolher dois caminhos: usar a força ou se eleger em eleições democráticas. Para tornarem perene sua tirania, no entanto, devem saber manipular os objetivos e a visão de mundo de seu povo. Nesse quesito, Hugo Chávez, presidente eleito da Venezuela em 1998, já mantém sob seu jugo os canais de televisão e inibe os jornalistas da oposição com ameaças de processos judiciais. Com isso, controla a informação que chega a 80% dos venezuelanos. Na semana passada, Chávez anunciou um plano de doutrinação destinado a ter repercussão ainda mais duradoura sobre os venezuelanos – a reforma do currículo nacional de educação primária e secundária. No Sistema Educativo Bolivariano, como o projeto é chamado, crianças entoarão canções ao herói da independência nacional, Simon Bolívar, e aprenderão a odiar os colonizadores europeus, incluindo Cristóvão Colombo. O golpe de estado fracassado de Chávez, em 1992, desaparecerá dos livros didáticos e o conceito de soberania nacional, tão valioso às ditaduras militares latino-americanas, será transformado em pura xenofobia. "Trata-se de um delírio: Chávez quer transformar as crianças em vassalos que pensam da mesma maneira que ele", disse a VEJA o pedagogo venezuelano Leonardo Carvajal, da Universidad Católica Andrés Bello, em Caracas.

A reforma venezuelana imita o sistema de Cuba em que a educação está a serviço da formação do "homem novo", inspirado em Che Guevara, o personagem mítico da revolução cubana. A história mostra que, quando o estado tem a pretensão de criar um povo formado por cidadãos idealizados, superiores, o que vem pela frente é a perseguição inflexível à liberdade individual. Em Cuba, todas as instituições de ensino seguem o mesmo currículo oficial, inalterado há décadas. Na semana passada, Chávez – ao lado de seu irmão Adán, ministro da Educação – anunciou que as escolas privadas que se recusarem a adotar o novo sistema serão fechadas ou estatizadas. Uma gráfica foi comprada para imprimir os novos livros didáticos, que serão distribuídos gratuitamente aos alunos. A proposta de Chávez tem o militarismo como ponto central. Os alunos serão estimulados a assumir atitudes de "compromisso coletivo" em defesa do país, para atender a um objetivo básico: abastecer as milícias civis armadas criadas pelo presidente. "Ao impor o medo da guerra, os ditadores criam uma massa dócil, inclinada a aceitar os seus comandos", diz o filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp.

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