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Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
Artes e Espetáculos Cinema
 

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Pop medieval

Coração de Cavaleiro é
bem bobinho, mas diverte

Isabela Boscov


Egon Endrenyi/Columbia pictures

Ledger: astro do século XIV

Ninguém diria que o diretor Brian Helgeland fez o roteiro de Los Angeles – Cidade Proibida, aquele policial cru e violento. Seu Coração de Cavaleiro (A Knight's Tale, Estados Unidos, 2001), desde sexta-feira em cartaz, é um dos filmes mais bobinhos da safra recente – e, na sua inocência, um dos mais agradáveis também. O enredo trata de William Thatcher (Heath Ledger, de O Patriota), um servo que sonha virar cavaleiro. Quando seu senhor morre, William se disfarça com a armadura do falecido e entra num torneio, daqueles em que o pessoal se nocauteava com lanças. Para continuar no ganha-pão – e enfrentar o rival malvado que não tarda a surgir –, é ajudado por um jovem escritor que vive perdendo as roupas no carteado e topa forjar um título de nobreza para o plebeu. O escritor é Geoffrey Chaucer, fundador da poesia inglesa com os Contos de Canterbury, num dos quais o filme se baseia bem de leve. A graça da coisa fica por conta dos anacronismos: o público dos torneios faz olas e canta We Will Rock You, do Queen (isso no século XIV), e William dança com sua namorada ao som de David Bowie. Ele próprio, aliás, acaba se tornando uma espécie de astro pop. O filme é uma mistura de Trapalhões com Shakespeare Apaixonado e Cinderela. Mas, à sua moda, dá certo.



   
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