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A
batalha econômica
As
providências tomadas depois
dos
ataques terroristas nos EUA
podem
possibilitar a retomada do
crescimento do país
Reuters
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O
TOURO DE WALL STREET
O símbolo da prosperidade do mercado foi limpo e cravado de bandeiras
americanas para a reabertura dos negócios nas bolsas de valores, na
última segunda-feira |

Veja também |
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O
touro de metal está lá, no centro financeiro de Nova York,
em posição de arrancada. Corretores quando passam por perto
deslizam a mão sobre sua cabeça. É um gesto que, acreditam,
atrai a sorte. O touro é o símbolo do capitalismo em seus
momentos mais felizes. Para o afundamento do mercado, há outro ícone,
o urso. E assim tem funcionado o capitalismo, alternando opulência
e esfriamento desde que começou a existir, séculos atrás.
Pois bem, o mundo entrou numa maré negativa que perseguiu o Japão
por uma década, cercou a Europa e acabou amarrando as pernas até
dos Estados Unidos nos últimos meses. Por fim, veio o terror do World
Trade Center e do Pentágono e as profecias tornaram-se instantaneamente
apocalípticas. O golpe na economia mundial está sendo duro.
As bolsas americanas caíram cinco dias seguidos. No Brasil, o dólar
ultrapassou os 2,80 reais. Mas, por mais que pareça uma ofensa ao
bom senso, o otimismo com a recuperação da economia não
é infundado. Apesar dos escombros e do choque com o terror, as sementes
do crescimento econômico estão bem plantadas e vão germinar.
Em
sua história de altos e baixos, o capitalismo sempre se reinventou.
Acabaria por se recuperar da recessão que o esfriou nos últimos
tempos. Os Estados Unidos produzem cerca de 10 trilhões de dólares
todos os anos. Têm sido a locomotiva que puxa o crescimento econômico
do planeta. Ninguém acha que sua economia seja profundamente instável.
Não há problemas bancários ou imobiliários
sérios, não há desemprego em massa e não há
inflação que impeça cortes nas taxas de juro. As
providências para que o país saia do atoleiro estão
sendo tomadas, e seus efeitos serão sentidos não apenas
em território americano. O momento não parece apropriado
para otimismo, mas existe chance real de que o mundo saia do furacão
do World Trade Center mais integrado, e por isso com maior potencial de
enriquecimento.
Reuters
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A
BOLSA DE NOVA YORK
Na terça-feira, uma semana depois das explosões, ainda havia tanta
poeira em Wall Street que as pessoas tinham de usar máscaras para
chegar à bolsa. O índice Dow Jones caiu 0,19% |
A
história mostra que os abalos econômicos têm
a vantagem de eliminar do sistema alguns de seus
pontos fracos. Também há, em crises como essa, em que os
EUA se empenham em caçar o terror e podem até
fazer guerra , uma tendência paradoxal de incentivar avanços
tecnológicos, que impulsionam o crescimento. O momento atual reúne
os dois ingredientes.
Algumas
razões para não ser tão pessimista:
A economia passou a ser tratada como questão
estratégica. Os países capitalistas estão trabalhando
em conjunto para garantir que o sistema se mantenha saudável. Na
última segunda-feira, os bancos centrais da União Européia,
Suíça, Canadá, Japão e Estados Unidos cortaram
suas taxas internas de juro. Além disso, injetaram cerca de 120
bilhões de dólares no mercado financeiro. A operação
coordenada é inédita. Foi acertada por telefone em menos
de seis dias o que dá a medida da importância que
as autoridades econômicas estão atribuindo ao momento atual.
"Espera-se que a recuperação mundial venha à medida
que a América entre em processo de cicatrização",
diz Stephen Roach, economista-chefe e diretor de economia global do banco
Morgan Stanley.
Na última década, os americanos flertaram
com o isolacionismo. Hoje, embora haja alguns espasmos protecionistas
e xenófobos, os Estados Unidos sabem que só poderão
combater o terrorismo se criarem uma coalizão de escala planetária.
Os acordos políticos deverão refletir-se em aproximações
comerciais. Por que isso é importante? Porque o comércio
é responsável por um quarto da produção global
de riqueza. Se ele cresce, o mundo prospera. "O isolacionismo está
definitivamente fora da mesa de debates", diz Francis Fukuyama, professor
de política econômica internacional na Universidade Johns
Hopkins.
No ano passado, as bolsas americanas lidaram com
papéis cujo valor de mercado era 155% maior que o PIB americano
um exagero flagrante. Na semana passada, quando as bolsas de Nova
York reabriram, após o atentado ao World Trade Center, a capitalização
do mercado de ações já correspondia a 100% do PIB
americano. "Uma fatalidade acabou fazendo com que os ajustes ocorressem
mais rapidamente do que se esperava. Daqui a um ano acho que olharemos
para trás e diremos: 'Sim, foi um evento terrível, mas não
empurrou a economia precipício abaixo'", diz William Poole, presidente
do Federal Reserve de Saint Louis, um dos bancos centrais regionais americanos.
Reuters
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UNIÃO
CONTRA A RECESSÃO
Presidentes de sindicatos de trabalhadores de montadoras de automóveis
reuniram-se para tentar impedir um maior esfriamento da economia |
Houve uma grande queda nos estoques mantidos pelas
empresas americanas no primeiro semestre deste ano. Somados, eles caíram
cerca de 65 bilhões de dólares. Se o consumidor não
ficar de carteira fechada em decorrência do medo da crise, é
de esperar que as empresas comecem agora a repor seu estoque. E há
espaço para isso. A utilização da capacidade instalada
da indústria é a menor desde 1983. Crescer, portanto, não
é complicado. "Os americanos já perceberam que existe um
esforço organizado para manter a estabilidade econômica,
e por isso deverão ficar mais confiantes, o que é fundamental
para a retomada do crescimento econômico", diz Gail Fosler, do Conference
Board, organismo do governo que apura o índice de confiança
do consumidor americano.
O governo americano está abrindo os cofres.
O Congresso aprovou um pacote de 40 bilhões de dólares para
gastos de emergência, e mais verbas provavelmente virão quando
começar o planejamento para aumentar a segurança interna
e efetuar ações militares. As empresas de aviação
civil, as maiores prejudicadas pelos atentados terroristas, serão
socorridas. E na última quarta-feira o presidente George W. Bush
anunciou que sua equipe está preparando um pacote adicional de
medidas para reativar a economia. "Esse é o melhor modo de promover
o crescimento. Os gastos do governo criam empregos agora, quando precisamos
deles. E gente empregada consome", diz o economista Paul Krugman, professor
da Universidade Princeton.
O movimento dos consumidores americanos é
responsável por dois terços do que se produz nos Estados
Unidos. Eles andavam meio desanimados nos últimos meses. Estavam
endividados e havia uma onda de demissões que trazia insegurança.
Agora, em meio a uma enxurrada de anúncios de demissões,
muitos aparentemente estão acreditando que tempos melhores poderão
vir. Os juros caíram, existe a perspectiva de criação
de empregos no bojo do esforço pela recuperação do
país e o governo autorizou um corte nos impostos. Os americanos
receberão um reforço de caixa de 40 bilhões de dólares.
"No curtíssimo prazo, obviamente, haverá conseqüências
adversas, mas não vejo razão para ficar menos otimista a
partir de 2002", diz Glenn Hubbard, presidente do conselho de assessores
econômicos do presidente George W. Bush.
Um passeio pela história demonstra que tradicionalmente os americanos
reagem bem a períodos críticos. Terminada a I Guerra Mundial,
o país experimentou mais de uma década de prosperidade crescente.
A renda per capita aumentou 25% entre 1921 e 1929. Em 1929, a General
Motors produzia 35% dos automóveis consumidos no mundo, a United
States Steel, 32% do aço, e a Kodak, 75% dos produtos fotográficos
utilizados no planeta.
AFP
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Reuters
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TITÃS
DE WALL STREET
O investidor George Soros, que teme a recessão, e o presidente do
banco central, Alan Greenspan, que se diz confiante na recuperação
americana |
A
embriaguez foi tamanha que resultou na quebra da bolsa, em 1929, e na
II Guerra Mundial, uma década mais tarde. Essa fase foi terrível.
Só nos Estados Unidos faliram 4.000 bancos e 85.000 empresas. O
PIB do país caiu à metade. Mas a reação veio
rápido. O governo de Franklin Roosevelt concedeu crédito
ilimitado aos bancos, subsidiou o salário-desemprego, fixou preços.
Ao final da II Guerra, os Estados Unidos produziam 50% da riqueza mundial.
Houve crescimento também após a Guerra da Coréia,
a do Vietnã e a do Golfo. E depois da crise do petróleo
da década de 70. "Em momentos de ameaça, os americanos se
unem em torno de suas bandeiras", diz o economista Rudiger Dornbusch,
professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Este, aparentemente, é um daqueles momentos históricos em
que a falência do sistema revela o germe da recuperação.
É preciso, no entanto, não simplificar demais as coisas.
O mundo terá de enfrentar um período de dificuldade antes
de poder afrouxar o cinto. A experiência mostra que a economia se
recupera mais rapidamente de guerras curtas, como a do Golfo, em 1990,
que de longos combates, como a Guerra do Vietnã. Para o bem de
todos, seria muito bom se o embate contra o terrorismo pudesse ser relâmpago.

Veja também |
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