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O mundo do Islã

Um quinto da população mundial
segue os mandamentos de Maomé,
o profeta que queria conquistar
o planeta para Alá


AFP

MULHER MUÇULMANA
Ela tem de andar com o corpo todo coberto, não pode estudar nem trabalhar, não tem direito a herança e, em caso de adultério, é apedrejada. Os muçulmanos acreditam que assim demonstram o apreço que têm pela mulher


Primeiro é preciso considerar que o Islã é o segundo maior grupo religioso do planeta. A grande maioria dos muçulmanos está na Ásia e na África, mas entre os americanos eles já são quase 7 milhões – e o número de adesões é crescente. Depois, é preciso admitir que os muçulmanos ocupam países paupérrimos, como o Sudão, mas também controlam áreas que são grandes produtoras de petróleo. E, finalmente, deve-se levar em conta que, embora os islamitas em sua maioria sejam pessoas pacíficas e generosas, há um grupo radical e violento cuja influência entre os seguidores de Maomé vem se tornando mais importante a cada ano. E que esse grupo foi capaz de explodir o World Trade Center, ícone do capitalismo, matando mais de 6 000 pessoas.

As faces do Islã são tão diversas como os países nos quais se estabeleceu (veja mapa). Mas de maneira geral os muçulmanos formam um povo profundamente religioso. Seguem os mandamentos de Maomé, o profeta que nasceu em 570, em Meca, na Arábia Saudita. Maomé viveu os primeiros cinco anos da infância no deserto. Depois, foi ser pastor de carneiros e, quando completou 20 anos de idade, trabalhou como caravaneiro de uma viúva rica, Khadidja. Ela era dez anos mais velha que ele. Os dois se casaram, tiveram uma filha e, por volta do ano 612, Maomé começou a ter visões. Ele criou então uma religião que absorveu toda a tradição judaica e cristã. Dizia que Abraão, Moisés e Jesus eram profetas de uma mesma linhagem. Ele próprio era o último e o mais importante dos profetas de Alá. Seus ensinamentos, portanto, eram os que deveriam ser seguidos. E todo o muçulmano teria como missão espalhar a fé islâmica pelo planeta.

 
Enric Marti/AP

O XADOR
A falta de liberdade, a pobreza e a desesperança têm feito crescer o radicalismo islâmico entre os jovens muçulmanos

Nos ensinamentos de Maomé há preceitos religiosos, regras para a organização do Estado, instruções para o relacionamento entre pessoas e até normas para o dia-a-dia do tipo: as pessoas devem cortar as unhas começando pelo dedo mínimo da mão direita e terminando no polegar. Segundo sua doutrina, todo muçulmano nasce puro, e ganha o reino dos céus se cumpre com suas obrigações, todas muito bem definidas. Os cinco pilares da religião islâmica são:

a propagação da crença num deus único;

a oração, que deve ser feita cinco vezes ao dia;

o jejum durante o mês do Ramadã (em que o Corão foi revelado a Maomé);

o zakat, doação anual que todos estão obrigados a fazer ao governo para redistribuição posterior;

a peregrinação anual a Meca.

O problema está justamente no primeiro dos itens acima. Segundo o Corão, os crentes devem defender sua fé, divulgá-la e lutar pela justiça e pelo bem. Ocorre que, há cerca de três décadas, vem crescendo o número de grupos que interpretam o texto sagrado de forma radical e pegam em armas para impor a fé islâmica. Hoje, todo o governo secular muçulmano enfrenta o desafio desses grupos radicais. Eles reclamam não apenas que os líderes políticos abandonaram a lei do Corão, mas que fizeram isso sem resolver os problemas crônicos de desemprego, corrupção e desesperança que afligem seus povos. Os americanos são odiados e atacados por seu apoio a Israel, a governos ditatoriais, como o do xá Reza Pahlevi, do Irã (deposto em 1979), por manterem tropas no território santificado da Arábia Saudita, berço do islamismo, e por serem o símbolo do capitalismo, que os mais conservadores consideram uma ameaça.

A tradução da palavra Islã é "rendição" – rendição dos infiéis à doutrina de Maomé. Os muçulmanos comuns, quando morrem, ficam numa espécie de estágio intermediário aguardando o juízo final, quando será decidido se irão para o céu ou para o inferno. Mas a fé islâmica reverencia os mártires da luta religiosa, que vão diretamente para o céu, sem escalas – e o céu dos muçulmanos é maravilhoso. Na descrição do texto sagrado, ele tem leitos incrustados com ouro e pedras preciosas, onde os homens são servidos de frutas e bebidas de sua predileção por jovens que fazem sexo, mas permanecem sempre virgens. Cada homem tem direito a 100 virgens.

Mulher, no universo muçulmano, é um ser especial. Tem de vestir uma bata longa que esconda as formas do corpo e cubra o cabelo. Em países mais tradicionais, mulheres que deixam o lenço escorregar em local público são chicoteadas. Elas sofrem ainda outras restrições no Islã. Não podem estudar, trabalhar, discutir com seus maridos – aliás, é permitido a eles bater nas esposas. E, se ficam viúvas ou órfãs, não têm direito a herança. Essas são normas que vêm do século VII. Ainda valem em muitas regiões porque o Corão é tido, entre os islamitas, como uma versão concreta do sagrado. Conforme a crença muçulmana, o Corão já existia, no céu, antes que Maomé pusesse as palavras no papel. É, portanto, intocável. No capítulo que trata das obrigações missionárias do povo, o Corão esclarece: "Não há compulsão no Islã". Os povos não podem ser convertidos pela força. Mas a força pode e deve ser usada para banir a hostilidade ao islamismo. O texto sagrado, está-se vendo, autoriza a guerra contra os inimigos do povo muçulmano. E ainda ensina: "Quando empreendida, a luta deve ser levada a cabo com vigor".

A história do Islã tem catorze séculos. Durante oito deles, os muçulmanos dominaram um terço do mundo conhecido. Invadiram grande parte da Europa e a Pérsia, chegaram à Indonésia. Naquela época, eles formavam um povo ilustrado que impunha sua cultura em ambientes medievais decadentes. Foi um tempo de glória. A força dos radicais muçulmanos, atualmente, está no apelo que fazem à memória dos tempos de prestígio de seu povo. E a uma interpretação meio enviesada do Corão. Em sua versão, o suicídio no campo de batalha é uma das espécies de martírio, em favor da fé, premiadas com as delícias do céu.

 
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