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Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
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Como a companhia aérea israelense se defende do terror
O cinema-catástrofe depois que a realidade superou a ficção
A rede do terrorismo
Os homens do presidente
Como mais de 6.000 corpos desapareceram nos escombros
O que é o Islã
O esforço de reconstrução e as previsões para a economia
Ódio à diferença: o milenar estranhamento entre os homens

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Opiniões diferentes

O presidente Bush conta com um
time
de assessores muito competente.
Mas eles divergem em tom e volume

 
AP
COLIN POWELL
Combatente da Guerra do Vietnã e estrela do time da segurança americana defende cautela: objetivo de preservar vidas

Pelo menos no papel, o presidente George W. Bush tem o "dream team" (o time dos sonhos) da política internacional a seu redor. O currículo de seus principais assessores para uma situação de guerra mistura heróis, estrategistas e especialistas com carisma e muita experiência. O vice-presidente, Dick Cheney, e o secretário de Estado, Colin Powell, foram personagens decisivos na Guerra do Golfo, dez anos atrás, sob o governo de Bush pai. Cheney era secretário de Defesa e Powell, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Condoleezza Rice, a mais jovem negra a fazer parte do alto escalão governamental, integrava a equipe antiga como assessora do Conselho de Segurança Nacional, órgão que hoje dirige. E o secretário de Defesa é o ex-piloto de guerra Donald Rumsfeld, que ocupa cargos-chave na defesa americana desde o governo Gerald Ford, em 1975. Essa equipe de homens de ferro – e uma mulher – foi descrita por Henry Kissinger como "a mais formidável coleção de cabeças americanas jamais reunida para enfrentar uma guerra".

Tantas estrelas, porém, formam uma equipe com perfis diversos. Ligado à família Bush há três décadas, Cheney teve papel vital na decisão da hora de bombardear o Iraque e depois enviar os soldados à Guerra do Golfo. Rumsfeld e Cheney trabalham juntos faz anos. Condoleezza, 46 anos, uma especialista na questão soviética, que ensinou ao atual presidente o bê-á-bá da política internacional durante a campanha presidencial e se tornou sua amiga, completa o trio, tido como exemplar da visão belicista dos republicanos. Nas discussões atuais sobre que estratégia adotar contra o terrorismo, eles tendem a preferir ações mais amplas que atinjam todos os países que fornecem algum tipo de apoio aos terroristas. Colin Powell defende a cautela.

Colin Powell, 64, é o mais popular secretário de Estado desde o general George Marshall no início da Guerra Fria. Charmoso e carismático, ele se tornou um ícone. É o garoto negro e pobre que, saído do Bronx em Nova York, quase chegou a candidato a presidente. Uma história de sucesso e mobilidade social muito cara aos ideais americanos. Powell é sempre visto como um antiintervencionista que procura ficar fora do conflito armado a todo custo, lição que diz ter aprendido ao ver seus colegas morrer na Guerra do Vietnã. Suas idéias de que os Estados Unidos só devem colocar as Forças Armadas em campo quando interesses vitais da nação estiverem em risco e quando a missão tiver um objetivo claro e a chance de vitória for praticamente certa ficaram conhecidas sob o nome de Doutrina Powell. Ela preconiza que, ao decidir intervir numa situação específica, os EUA devem usar sua força militar máxima e não deixar por menos do que arrasar completamente o inimigo. Ou seja, só se deve entrar na briga para ganhar.

AFP
CONDOLEEZZA RICE
Depois de ensinar o bê-á-bá da política internacional ao presidente americano, virou sua amiga: conselhos belicistas

AFP
CONDOLEEZZA RICE
Depois de ensinar o bê-á-bá da política internacional ao presidente americano, virou sua amiga: conselhos belicistas

A doutrina foi, e continua sendo, muito bem-vista pela opinião pública, sempre temerosa de perder seus jovens em guerras que não lhe dizem respeito. Mas na prática ela nem sempre foi seguida à risca. Se tivesse sido, os Estados Unidos não teriam enviado na década passada seus homens para a Somália, para os conflitos étnicos na Bósnia, nem mesmo para a Guerra do Golfo, que acabou por sacralizar Powell como herói nacional. Quando o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Kuwait, em agosto de 1990, o então presidente George Bush, o pai, considerou a invasão uma ameaça aos interesses americanos em toda a região do Oriente Médio. Logo de início, pensou em usar a força militar para derrubar o ditador iraquiano. Powell dissuadiu-o. Sua proposta era deixar o Kuwait de lado e pressionar Saddam Hussein colocando as tropas americanas no país vizinho e inimigo do Iraque, a Arábia Saudita.

Fotos AP
Fotos AP
RUMSFELD E CHENEY
Trabalham juntos há anos e têm ascendência sobre Bush: defesa de uma ação ampla que atinja todos os países que apóiam terroristas

Dick Cheney, que era secretário de Defesa, irritou-se e pediu que Powell se limitasse a pensar em estratégias militares e parasse de dar opinião sobre política internacional. Powell não desistiu e passou a apresentar a seus chefes civis alternativas militares brandas, como o acirramento de sanções. Foi Cheney quem encomendou a outros militares o plano secreto que acabou sendo posto em prática, um arrasador ataque às forças iraquianas. Mas foi Powell quem anunciou o golpe na televisão com a famosa frase: "Primeiro vamos reduzi-los. Depois acabar com eles". A guerra foi vencida com pouco mais de 150 baixas no Exército americano. A relutância de Powell ao confronto e eventuais erros de estratégia só foram discutidos anos depois. O que ficou foi a imagem carismática de um vencedor que fez tudo para não sacrificar seus soldados em vão. Agora, nesse avanço em direção ao Afeganistão, Cheney e Powell estão de acordo que o ataque ao inimigo é inevitável, mas não quanto a sua forma. Cheney quer que a ação seja a mais rápida e ampla possível. Powell, novamente, prefere fugir do açodamento. O mundo vai assistir se a batalha será feita com a morte de muitos ou poucos soldados americanos.

 
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