Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
Geral Especial
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Especial
 

A promessa de ataque
Guerra suja e longa
Afeganistão, um país miserável e guerreiro
Bin Laden, o homem mais procurado do mundo
Como a companhia aérea israelense se defende do terror
O cinema-catástrofe depois que a realidade superou a ficção
A rede do terrorismo
Os homens do presidente
Como mais de 6.000 corpos desapareceram nos escombros
O que é o Islã
O esforço de reconstrução e as previsões para a economia
Ódio à diferença: o milenar estranhamento entre os homens

Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
A Semana
Hipertexto
Especial VEJA Recomenda

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

As redes do terror

Com patrocinadores ou simpatizantes em
mais de sessenta países, o terror islâmico
se nutre de suas conexões clandestinas

 
AFP
À PROCURA DE PISTAS
Agentes do FBI nos escombros do World Trade Center


Veja também
O atlas do terrorismo islâmico

Terroristas são como baratas. Para cada uma avistada, há centenas de outras escondidas. Os agentes do FBI que investigam os atentados a Nova York e Washington começavam, na semana passada, a descer aos ninhos do terrorismo islâmico. Até onde puderam sondar não há ainda um fundo ao alcance da vista. A rede do terror parece ter seu epicentro na paisagem lunar e estéril do Afeganistão. Mas a raiz do mal se nutre de apoio logístico direto dos órgãos de segurança de um grupo de países dominados pelo islamismo, como o Iraque, o Iêmen e a Argélia. O terror conta com a neutralidade e até a simpatia de líderes e instituições religiosas de dezenas de nações de população muçulmana, como o Egito e o Sudão. De um outro grupo de países os terroristas recebem ajuda financeira. Alguns estão tão distantes dos conflitos que chega a ser estranho ver seus nomes na lista dos lugares que os investigadores acham que vale a pena manter sob vigilância. É o caso do Paraguai – e, naturalmente, dos próprios Estados Unidos.

"Agora mesmo, entre nós, estão circulando livremente pessoas diretamente relacionadas com o atentado", disse John Ashcroft, secretário de Justiça dos Estados Unidos. Os agentes do FBI reunidos sob a sigla PENTTBOM, que identifica os dois alvos dos terroristas, o Pentágono e as torres gêmeas de Nova York, mantinham sob custódia na semana passada duas dezenas de pessoas que podem ter alguma relação com os atentados. Quatro delas foram declaradas suspeitas de ter dado auxílio material aos terroristas. Uma foi detida, pois se acredita que tenha sido testemunha dos preparativos dos ataques. O principal suspeito de ter ajudado os terroristas é Albader Alhazmi, um pacato radiologista que há alguns anos pratica sua especialidade em San Antonio, no Texas. Outros presos são imigrantes árabes que, detidos por portar documentos falsos na semana passada, mentiram sobre o país de origem. Passaram a ser considerados suspeitos. Desconfiar de estrangeiros é um pesadelo para a democracia americana, cujo vigor se mantém justamente por atrair imigrantes de todas as partes do mundo, num ritmo que nenhum outro país consegue, nem quer, igualar. "Estamos em guerra em casa contra um inimigo dissimulado que vive entre nós com um estilo de vida absolutamente normal", afirmou Ashcroft. "Fora de casa há uma rede organizada que ampara e incentiva os criminosos. Nosso objetivo é descobrir e desmantelar essas conexões."


Fotos Reuters
SEGUINDO OS RASTROS
Peritos e agentes do FBI procuram pistas em um condomínio na Flórida onde os suspeitos de autoria dos atentados teriam morado

O que se vai fazer imediatamente fora dos Estados Unidos é um trabalho complexo. Prevê-se um ataque militar inicial. O impacto dos bombardeios e o de uma provável invasão de tropas especiais serão seguidos de uma ofensiva diplomática de longo alcance no espaço e no tempo. Mas nada se compara em constrangimento ao que o governo americano prepara para impor a seus cidadãos em nome do combate aos ramais da rede de terrorismo islâmico que acredita existir ainda em seu território. O governo Bush vai pedir ao Congresso, em resumo, que os cidadãos americanos sejam submetidos, pela primeira vez em sua história, a uma lei marcial. "A lei antiterror diminui a liberdade de todas as pessoas deste país", lamentou o senador Patrick Leahy, um democrata que chegou a esboçar um decreto alternativo, menos invasivo que o da administração Bush. Algumas liberdades sagradas dos americanos serão tocadas. Entre elas, a que proíbe o governo de bisbilhotar a vida econômica dos cidadãos. Pela nova lei, que o governo espera ver aprovada até esta segunda-feira 24, o FBI ganha o direito de, sem ordem judicial, requisitar número e faturas de cartão de crédito de suspeitos de ajudar terroristas. Ela vai triplicar a quantidade de guardas de fronteira e ordenar que cada vôo só saia do chão com um guarda armado em trajes civis.


AFP
INVASÃO DE DOMICÍLIO
Investigadores do FBI invadem casa em Detroit e prendem três pessoas após encontrar falsos vistos de imigração e gráficos de aeroportos

Parecem mudanças simples. Na cultura liberal americana, no entanto, elas soam como invasão de privacidade, que, em muito menor grau, teria em situações de paz provocado a ira popular. "A verdade é que estamos abrindo mão de direitos e garantias individuais em nome de debelar o terrorismo interno", diz o senador Leahy. Não se nota em seu comentário um tom de queixa, como seria de esperar anteriormente. Trata-se apenas de um comentário. Afinal, eles estão em guerra. Na semana passada, quando o FBI fazia a avaliação do andamento das investigações internas, ficava claro que nunca se dera tanta atenção a um caso criminal. A explosão do Boeing 747 da TWA em 1996, tratada a princípio como um atentado terrorista, mobilizou 380 agentes. Para correr atrás das marcas deixadas pelos terroristas que atacaram as torres gêmeas e o Pentágono, o FBI tinha 4.000 agentes e 3.000 analistas, um recorde explicado pela complexidade do trabalho a ser feito agora. Segundo a avaliação do serviço secreto de Israel, Mossad, feita pela revista Time, a ação terrorista de 11 de setembro é uma prova de que o terror chegou a estabelecer uma poderosa infra-estrutura em território americano. Os especialistas israelenses avaliam que a ação deve ter exigido dois anos de planejamento, envolvido uma centena de pessoas e custado alguns milhões de dólares. Sua ousadia é apenas uma amostra do imenso desafio que os americanos enfrentarão para combater o terrorismo em casa ao mesmo tempo que caçam malfeitores em dezenas de países, a milhares de quilômetros de casa.


AFP
FESTA DE CASAMENTO
Vídeo mostra o libanês Ziad Samir Jarrah dançando em casamento no Líbano. Ele é um dos suspeitos de ter participado do terrorismo

A monstruosidade do atentado fez também com que, pela primeira vez, os investigadores abandonassem os cuidados rituais que norteiam e muitas vezes entravam as investigações criminais. Provas obtidas de maneira ilegal ou mesmo manchadas pela menor suspeita de violência policial são simplesmente desprezadas pela Justiça americana. Por isso, os policiais têm como norma a prudência e o respeito quase religioso pelos direitos dos suspeitos e até de criminosos confessos. No caso da investigação do atentado terrorista, os agentes operaram sem a menor reverência pelas normas. Quebraram portas de casas na Flórida e em Illinois. Prenderam suspeitos aos montes quando os aeroportos voltaram a funcionar. A certa altura, na semana passada, o FBI tinha sob custódia 74 pessoas. Quase todas haviam sido liberadas ao final da semana. Pelo menos outras 200 testemunhas e suspeitos em potencial aguardam, sob vigilância, para ser interrogadas. Para dar o respaldo legal às investigações, os americanos convocaram às pressas um júri na cidade de White Plains, no Estado de Nova York. Pela lei americana, as ordens de busca e prisão preventiva de suspeitos têm de ser emitidas por corpos de jurados. O de White Plains trabalha exclusivamente no atentado. Nenhum pedido de busca, apreensão ou prisão temporária foi negado pelos jurados até agora. Inusitadamente, também eles permitiram que o FBI mantivesse sob segredo de Justiça todas as provas levantadas.

 
Reuters
INIMIGOS DO ESTADO
Mohamed Atta e Abdulaziz Alomari, suspeitos dos atentados, passam pela segurança do Aeroporto de Portland, em Maine. A imagem foi gravada no local

Entre todas as rupturas de liturgia feitas pelos americanos para acelerar as investigações, a mais notável foi na legislação que protege os investimentos e as contas correntes dos cidadãos. Por uma medida que entrou em vigor a pedido do FBI, o governo americano ganhou o direito de obter informações sobre a movimentação bancária de suspeitos mesmo sem autorização judicial. A medida foi automaticamente adotada pela Inglaterra. "Quando nos chegou a recomendação de seguir o procedimento americano, já havíamos investigado todas as instituições financeiras do Reino Unido", disse Carol Sergeant, diretora executiva da FSA, a autoridade financeira da Inglaterra. "É algo que nunca fizemos em 300 anos de controle bancário neste país." O resultado prático da ação veio rápido. O banco Barclays anunciou ter congelado os depósitos de uma pessoa que os americanos desconfiam ter alguma relação com o terrorista Osama bin Laden. As autoridades financeiras da Suíça também se apressaram em anunciar que haviam congelado a conta bancária de uma pessoa ainda não identificada a pedido do FBI. Isso foi feito em menos de 24 horas, sem que houvesse prova concreta de envolvimento do correntista em atividades criminosas. "As informações sobre o suspeito eram muito pobres, mas decidimos agir assim que o promotor americano resolveu investigá-lo", disse Hansjurg-Mark Wiedmer, porta-voz da polícia suíça.

A urgência das autoridades americanas foi entendida velozmente no vizinho Canadá. Em menos de 36 horas depois do atentado, a polícia canadense tinha localizado e prendido um árabe de 35 anos chamado Nabil Al-Marabh. Ele foi entregue aos investigadores do FBI e, depois de interrogado, está sendo considerado um de seus principais suspeitos. A agência canadense de segurança e inteligência revelou que investiga meia centena de estrangeiros residentes no país que podem fazer parte de organizações terroristas internacionais.

 

OS PRINCIPAIS SUSPEITOS

O Departamento de Justiça divulgou as fotos de onze dos dezenove suspeitos de ter seqüestrado os Boeing que atingiram os dois prédios no World Trade Center e o Pentágono e o avião que caiu na Pensilvânia. A maioria tinha origem egípcia e saudita e alguns contavam com passaporte dos Emirados Árabes

 
AMERICAN AIRLINES – VÔO 93
Ahmen al-Haznawi Ahmed al-Nami Ziad Jarrahi

UNITED AIRLINES – VÔO 175
Marwan al-Shehhi Hamza al-Ghamdi

UNITED AIRLINES – VÔO 11
Satam al-Suqami Waleed M. al-Shehri
Wail al-Shehri Mohamed Atta

AMERICAN AIRLINES – VÔO 77
Khalid al-Mihmadi Majed Moqed

 

Veja também
A promessa de ataque
Guerra suja e longa
Afeganistão, um país miserável e guerreiro
Bin Laden, o homem mais procurado do mundo
Como a companhia aérea israelense se defende do terror
O cinema-catástrofe depois que a realidade superou a ficção
A rede do terrorismo
Os homens do presidente
Como mais de 6.000 corpos desapareceram nos escombros
O que é o Islã
O esforço de reconstrução e as previsões para a economia
Ódio à diferença: o milenar estranhamento entre os homens


   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS