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As redes do terror
Com
patrocinadores ou simpatizantes em
mais de sessenta países, o terror islâmico
se nutre de suas conexões clandestinas
AFP
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À
PROCURA DE PISTAS
Agentes do FBI nos escombros do World Trade Center |

Veja também |
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Terroristas
são como baratas. Para cada uma avistada, há centenas de
outras escondidas. Os agentes do FBI que investigam os atentados a Nova
York e Washington começavam, na semana passada, a descer aos ninhos
do terrorismo islâmico. Até onde puderam sondar não
há ainda um fundo ao alcance da vista. A rede do terror parece
ter seu epicentro na paisagem lunar e estéril do Afeganistão.
Mas a raiz do mal se nutre de apoio logístico direto dos órgãos
de segurança de um grupo de países dominados pelo islamismo,
como o Iraque, o Iêmen e a Argélia. O terror conta com a
neutralidade e até a simpatia de líderes e instituições
religiosas de dezenas de nações de população
muçulmana, como o Egito e o Sudão. De um outro grupo de
países os terroristas recebem ajuda financeira. Alguns estão
tão distantes dos conflitos que chega a ser estranho ver seus nomes
na lista dos lugares que os investigadores acham que vale a pena manter
sob vigilância. É o caso do Paraguai e, naturalmente,
dos próprios Estados Unidos.
"Agora
mesmo, entre nós, estão circulando livremente pessoas diretamente
relacionadas com o atentado", disse John Ashcroft, secretário de
Justiça dos Estados Unidos. Os agentes do FBI reunidos sob a sigla
PENTTBOM, que identifica os dois alvos dos terroristas, o Pentágono
e as torres gêmeas de Nova York, mantinham sob custódia na
semana passada duas dezenas de pessoas que podem ter alguma relação
com os atentados. Quatro
delas foram declaradas suspeitas de ter dado auxílio material aos
terroristas. Uma foi detida, pois se acredita que tenha sido testemunha
dos preparativos dos ataques. O principal suspeito de ter ajudado os terroristas
é Albader Alhazmi, um pacato radiologista que há alguns
anos pratica sua especialidade em San Antonio, no Texas. Outros presos
são imigrantes árabes que, detidos por portar documentos
falsos na semana passada, mentiram sobre o país de origem. Passaram
a ser considerados suspeitos. Desconfiar de estrangeiros é um pesadelo
para a democracia americana, cujo vigor se mantém justamente por
atrair imigrantes de todas as partes do mundo, num ritmo que nenhum outro
país consegue, nem quer, igualar. "Estamos em guerra em casa contra
um inimigo dissimulado que vive entre nós com um estilo de vida
absolutamente normal", afirmou Ashcroft. "Fora de casa há uma rede
organizada que ampara e incentiva os criminosos. Nosso objetivo é
descobrir e desmantelar essas conexões."
Fotos Reuters
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SEGUINDO
OS RASTROS
Peritos
e agentes do FBI procuram pistas em um condomínio na Flórida
onde os suspeitos de autoria dos atentados teriam morado |
O
que se vai fazer imediatamente fora dos Estados Unidos é um trabalho
complexo. Prevê-se um ataque militar inicial. O impacto dos bombardeios
e o de uma provável invasão de tropas especiais serão
seguidos de uma ofensiva diplomática de longo alcance no espaço
e no tempo. Mas nada se compara em constrangimento ao que o governo americano
prepara para impor a seus cidadãos em nome do combate aos ramais
da rede de terrorismo islâmico que acredita existir ainda em seu
território. O governo Bush vai pedir ao Congresso, em resumo, que
os cidadãos americanos sejam submetidos, pela primeira vez em sua
história, a uma lei marcial. "A lei antiterror diminui a liberdade
de todas as pessoas deste país", lamentou o senador Patrick Leahy,
um democrata que chegou a esboçar um decreto alternativo, menos
invasivo que o da administração Bush. Algumas liberdades
sagradas dos americanos serão tocadas. Entre elas, a que proíbe
o governo de bisbilhotar a vida econômica dos cidadãos. Pela
nova lei, que o governo espera ver aprovada até esta segunda-feira
24, o FBI ganha o direito de, sem ordem judicial, requisitar número
e faturas de cartão de crédito de suspeitos de ajudar terroristas.
Ela vai triplicar a quantidade de guardas de fronteira e ordenar que cada
vôo só saia do chão com um guarda armado em trajes
civis.
AFP
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INVASÃO
DE DOMICÍLIO
Investigadores
do FBI invadem casa em Detroit e prendem três pessoas após
encontrar falsos vistos de imigração e gráficos
de aeroportos |
Parecem
mudanças simples. Na cultura liberal americana, no entanto, elas
soam como invasão de privacidade, que, em muito menor grau, teria
em situações de paz provocado a ira popular. "A verdade
é que estamos abrindo mão de direitos e garantias individuais
em nome de debelar o terrorismo interno", diz o senador Leahy. Não
se nota em seu comentário um tom de queixa, como seria de esperar
anteriormente. Trata-se apenas de um comentário. Afinal, eles estão
em guerra. Na semana passada, quando o FBI fazia a avaliação
do andamento das investigações internas, ficava claro que
nunca se dera tanta atenção a um caso criminal. A explosão
do Boeing 747 da TWA em 1996, tratada a princípio como um atentado
terrorista, mobilizou 380 agentes. Para correr atrás das marcas
deixadas pelos terroristas que atacaram as torres gêmeas e o Pentágono,
o FBI tinha 4.000 agentes e 3.000 analistas, um recorde explicado pela
complexidade do trabalho a ser feito agora. Segundo a avaliação
do serviço secreto de Israel, Mossad, feita pela revista Time,
a ação terrorista de 11 de setembro é uma prova
de que o terror chegou a estabelecer uma poderosa infra-estrutura em território
americano. Os especialistas israelenses avaliam que a ação
deve ter exigido dois anos de planejamento, envolvido uma centena de pessoas
e custado alguns milhões de dólares. Sua ousadia é
apenas uma amostra do imenso desafio que os americanos enfrentarão
para combater o terrorismo em casa ao mesmo tempo que caçam malfeitores
em dezenas de países, a milhares de quilômetros de casa.
AFP
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FESTA
DE CASAMENTO
Vídeo
mostra o libanês Ziad Samir Jarrah dançando em casamento
no Líbano. Ele é um dos suspeitos de ter participado
do terrorismo |
A
monstruosidade do atentado fez também com que, pela primeira vez,
os investigadores abandonassem os cuidados rituais que norteiam e muitas
vezes entravam as investigações criminais. Provas obtidas
de maneira ilegal ou mesmo manchadas pela menor suspeita de violência
policial são simplesmente desprezadas pela Justiça americana.
Por isso, os policiais têm como norma a prudência e o respeito
quase religioso pelos direitos dos suspeitos e até de criminosos
confessos. No caso da investigação do atentado terrorista,
os agentes operaram sem a menor reverência pelas normas. Quebraram
portas de casas na Flórida e em Illinois. Prenderam suspeitos aos
montes quando os aeroportos voltaram a funcionar. A certa altura, na semana
passada, o FBI tinha sob custódia 74 pessoas. Quase todas haviam
sido liberadas ao final da semana. Pelo menos outras 200 testemunhas e
suspeitos em potencial aguardam, sob vigilância, para ser interrogadas.
Para dar o respaldo legal às investigações, os americanos
convocaram às pressas um júri na cidade de White Plains,
no Estado de Nova York. Pela lei americana, as ordens de busca e prisão
preventiva de suspeitos têm de ser emitidas por corpos de jurados.
O de White Plains trabalha exclusivamente no atentado. Nenhum pedido de
busca, apreensão ou prisão temporária foi negado
pelos jurados até agora. Inusitadamente, também eles permitiram
que o FBI mantivesse sob segredo de Justiça todas as provas levantadas.
Reuters
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INIMIGOS
DO ESTADO
Mohamed
Atta e Abdulaziz Alomari, suspeitos dos atentados, passam pela segurança
do Aeroporto de Portland, em Maine. A imagem foi gravada no local |
Entre
todas as rupturas de liturgia feitas pelos americanos para acelerar as
investigações, a mais notável foi na legislação
que protege os investimentos e as contas correntes dos cidadãos.
Por uma medida que entrou em vigor a pedido do FBI, o governo americano
ganhou o direito de obter informações sobre a movimentação
bancária de suspeitos mesmo sem autorização judicial.
A medida foi automaticamente adotada pela Inglaterra. "Quando nos chegou
a recomendação de seguir o procedimento americano, já
havíamos investigado todas as instituições financeiras
do Reino Unido", disse Carol Sergeant, diretora executiva da FSA, a autoridade
financeira da Inglaterra. "É algo que nunca fizemos em 300 anos
de controle bancário neste país." O resultado prático
da ação veio rápido. O banco Barclays anunciou ter
congelado os depósitos de uma pessoa que os americanos desconfiam
ter alguma relação com o terrorista Osama bin Laden. As
autoridades financeiras da Suíça também se apressaram
em anunciar que haviam congelado a conta bancária de uma pessoa
ainda não identificada a pedido do FBI. Isso foi feito em menos
de 24 horas, sem que houvesse prova concreta de envolvimento do correntista
em atividades criminosas. "As informações sobre o suspeito
eram muito pobres, mas decidimos agir assim que o promotor americano resolveu
investigá-lo", disse Hansjurg-Mark Wiedmer, porta-voz da polícia
suíça.
A urgência das autoridades americanas foi entendida velozmente no
vizinho Canadá. Em menos de 36 horas depois do atentado, a polícia
canadense tinha localizado e prendido um árabe de 35 anos chamado
Nabil Al-Marabh. Ele foi entregue aos investigadores do FBI e, depois
de interrogado, está sendo considerado um de seus principais suspeitos.
A agência canadense de segurança e inteligência revelou
que investiga meia centena de estrangeiros residentes no país que
podem fazer parte de organizações terroristas internacionais.
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OS
PRINCIPAIS SUSPEITOS
O
Departamento de Justiça divulgou as fotos de onze dos dezenove
suspeitos de ter seqüestrado os Boeing que atingiram os dois
prédios no World Trade Center e o Pentágono e o avião
que caiu na Pensilvânia. A maioria tinha origem egípcia
e saudita e alguns contavam com passaporte dos Emirados Árabes
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UNITED
AIRLINES VÔO 175
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| Marwan
al-Shehhi |
Hamza
al-Ghamdi |
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UNITED
AIRLINES VÔO 11
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| Satam
al-Suqami |
Waleed
M. al-Shehri |
 |
 |
| Wail
al-Shehri |
Mohamed
Atta |
|
AMERICAN AIRLINES
VÔO 77
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| Khalid
al-Mihmadi |
Majed
Moqed |
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Veja também |
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