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Abalo na indústria
da diversão
Filmes
adiados, TVs
em impasse:
o setor de entretenimento
acusa
o
golpe na América

UM
NOVO TABU
O trailer de Spider-Man saiu de cartaz e vários filmes serão
mudados para não mostrar o WTC |
No
filme Collateral
Damage (Danos Colaterais), Arnold Schwarzenegger
promove uma verdadeira guerra contra terroristas colombianos. O filme
está pronto e deveria estrear nos Estados Unidos em 5 de outubro,
mas a Warner vai mantê-lo na gaveta pelo menos até o início
do próximo ano. Outra fita que teve a estréia adiada é
Sidewalks of New York
(As Calçadas de Nova York). Embora se trate de uma comédia
romântica, os produtores julgaram que seria de mau gosto mostrar
uma história alegre numa cidade atingida pela tragédia.
Pelo menos meia dúzia de outros filmes também está
de volta à sala de montagem: da continuação de Homens
de Preto a um drama com Al Pacino,
todos incluíam tomadas do World Trade Center. O mesmo se aplica
a Spider-Man, o filme protagonizado pelo super-herói Homem-Aranha,
cujo trailer deixou de ser exibido sua cena mais marcante era aquela
em que um helicóptero fica preso numa teia estendida entre as torres
gêmeas. Esses são uns poucos exemplos do efeito dos atentados
da semana retrasada sobre Hollywood. Num momento em que a sensibilidade
do país está à flor da pele, os estúdios,
televisões e rádios vêm se desdobrando para "não
agravar a tristeza geral", segundo Redo Farah, vice-presidente da Warner
para a América Latina. Outro propósito, esse bem prático,
é evitar acusações de banalização da
violência que nunca deixam de rondar Hollywood e exploração
sensacionalista do sofrimento.
Os prejuízos
para o setor de entretenimento, porém, vão além da
refeitura de filmes ou adiamento de estréias. A bilheteria cinematográfica
da semana passada, por exemplo, ficou muito aquém do que se esperaria
em tempos normais. Já os teatros da Broadway nova-iorquina contabilizaram,
nos últimos dias, uma queda de mais de 60% na venda de ingressos,
e vários espetáculos ameaçam fechar as portas por
falta de público. O mercado editorial entrou em marcha lenta. Livros
que eram tidos como sucessos instantâneos, como a autobiografia
do executivo Jack Welch, estão demorando a sair das prateleiras,
já que todas as campanhas promocionais foram canceladas ou reduzidas.
Os apresentadores de talk-shows, como David Letterman, estão num
impasse, já que o momento não está para as piadas
que são o esteio desses programas. Enquanto isso, as televisões
cancelam filmes que possam lembrar a catástrofe do dia 11 e as
rádios elaboram listas de canções impróprias
como The End, do grupo The Doors, que abre o filme Apocalypse
Now. Até aqui, contudo, não se pode afirmar que essa
atitude terá vida longa. Nenhum grande estúdio, por exemplo,
saiu a público para afirmar que tirará as produções
com violência de sua pauta. As fitas de ação são
as que costumam proporcionar melhor renda e, ao que tudo indica, a platéia
não perdeu o gosto por elas: entre os títulos mais retirados
nas videolocadoras americanas no fim de semana passado estavam Duro
de Matar e Nova York Sitiada, que tratam justamente de terrorismo.

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