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Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
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Como a companhia aérea israelense se defende do terror
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A rede do terrorismo
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Como mais de 6.000 corpos desapareceram nos escombros
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Abalo na indústria
da diversão

Filmes adiados, TVs em impasse:
o setor de
entretenimento acusa
o golpe na América

 


UM NOVO TABU
O trailer de Spider-Man saiu de cartaz e vários filmes serão mudados para não mostrar o WTC

No filme Collateral Damage (Danos Colaterais), Arnold Schwarzenegger promove uma verdadeira guerra contra terroristas colombianos. O filme está pronto e deveria estrear nos Estados Unidos em 5 de outubro, mas a Warner vai mantê-lo na gaveta pelo menos até o início do próximo ano. Outra fita que teve a estréia adiada é Sidewalks of New York (As Calçadas de Nova York). Embora se trate de uma comédia romântica, os produtores julgaram que seria de mau gosto mostrar uma história alegre numa cidade atingida pela tragédia. Pelo menos meia dúzia de outros filmes também está de volta à sala de montagem: da continuação de Homens de Preto a um drama com Al Pacino, todos incluíam tomadas do World Trade Center. O mesmo se aplica a Spider-Man, o filme protagonizado pelo super-herói Homem-Aranha, cujo trailer deixou de ser exibido – sua cena mais marcante era aquela em que um helicóptero fica preso numa teia estendida entre as torres gêmeas. Esses são uns poucos exemplos do efeito dos atentados da semana retrasada sobre Hollywood. Num momento em que a sensibilidade do país está à flor da pele, os estúdios, televisões e rádios vêm se desdobrando para "não agravar a tristeza geral", segundo Redo Farah, vice-presidente da Warner para a América Latina. Outro propósito, esse bem prático, é evitar acusações de banalização da violência – que nunca deixam de rondar Hollywood – e exploração sensacionalista do sofrimento.

Os prejuízos para o setor de entretenimento, porém, vão além da refeitura de filmes ou adiamento de estréias. A bilheteria cinematográfica da semana passada, por exemplo, ficou muito aquém do que se esperaria em tempos normais. Já os teatros da Broadway nova-iorquina contabilizaram, nos últimos dias, uma queda de mais de 60% na venda de ingressos, e vários espetáculos ameaçam fechar as portas por falta de público. O mercado editorial entrou em marcha lenta. Livros que eram tidos como sucessos instantâneos, como a autobiografia do executivo Jack Welch, estão demorando a sair das prateleiras, já que todas as campanhas promocionais foram canceladas ou reduzidas. Os apresentadores de talk-shows, como David Letterman, estão num impasse, já que o momento não está para as piadas que são o esteio desses programas. Enquanto isso, as televisões cancelam filmes que possam lembrar a catástrofe do dia 11 e as rádios elaboram listas de canções impróprias – como The End, do grupo The Doors, que abre o filme Apocalypse Now. Até aqui, contudo, não se pode afirmar que essa atitude terá vida longa. Nenhum grande estúdio, por exemplo, saiu a público para afirmar que tirará as produções com violência de sua pauta. As fitas de ação são as que costumam proporcionar melhor renda e, ao que tudo indica, a platéia não perdeu o gosto por elas: entre os títulos mais retirados nas videolocadoras americanas no fim de semana passado estavam Duro de Matar e Nova York Sitiada, que tratam justamente de terrorismo.

 

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