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Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
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Guerra suja e longa
Afeganistão, um país miserável e guerreiro
Bin Laden, o homem mais procurado do mundo
Como a companhia aérea israelense se defende do terror
O cinema-catástrofe depois que a realidade superou a ficção
A rede do terrorismo
Os homens do presidente
Como mais de 6.000 corpos desapareceram nos escombros
O que é o Islã
O esforço de reconstrução e as previsões para a economia
Ódio à diferença: o milenar estranhamento entre os homens

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O escudo israelense

A companhia aérea El Al tem muito
que ensinar sobre segurança de vôos

Depois do ataque terrorista às torres do World Trade Center, em Nova York, e à sede do Pentágono, em Washington, os especialistas em segurança voltaram sua atenção para a experiência da companhia aérea El Al, uma estatal israelense que é detentora do título de mais segura no mundo contra terroristas. Um dos fatores desse sucesso: dentro do avião, o cockpit tem blindagem especial e é trancado assim que o piloto e o co-piloto entram. Muitos turistas consideram pouco agradável viajar pela El Al, mas o último incidente grave registrado foi em 1970, quando um palestino tentou dominar uma aeronave e acabou morto por um segurança disfarçado de passageiro. Há sempre desses agentes em qualquer vôo, jovens com idade entre 21 e 28 anos, que carregam armas, muitas vezes ocultas em maletas corriqueiras de executivos, no melhor estilo dos filmes de espionagem. Sua formação inclui a prática permanente em simulações de diferentes formas de seqüestro ou atentados com bomba-relógio.

A El Al começou a enrijecer seus procedimentos de controle depois que a companhia teve um Boeing 707 seqüestrado, em 1968. O governo construiu um sistema, até hoje imbatível, para evitar seqüestros e sabotagem no ar ou em terra, baseado no conceito de "círculos de proteção", segundo o israelense Benny Zolondez, diretor operacional da I-c.a.t, uma empresa que se instalou no Brasil em 1997 com o objetivo de prestar segurança privada a grandes empresários e órgãos do governo. São três esses círculos: inteligência (informação ampla sobre atividades dos inimigos de Israel e conhecimento sobre o terrorismo), segurança física no aeroporto e garantias dentro do avião. O diferencial para as demais companhias aéreas do mundo começa já no recrutamento das equipes que trabalham diretamente nos vôos ou nos aeroportos. A mão-de-obra vem de um país permanentemente em clima de guerra – os funcionários são todos israelenses, portanto prestaram serviço militar a sério, e fazem treinamento de segurança específico para sua área de ação, dos comissários de bordo e pessoal de limpeza aos pilotos e co-pilotos.

No Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel-Aviv, há uma vigilância que beira a obsessão. Os carros que chegam são examinados por guardas armados com submetralhadoras mini-Uzi. Policiais à paisana patrulham o prédio do aeroporto e suas entradas, bem como observam atentamente a movimentação dos passageiros no interior, principalmente quando deixam a mala ou os pertences de mão sozinhos. Acompanham-se até os sinais de nervosismo e de agitação que um passageiro possa demonstrar. Nem o lixo escapa da inspeção freqüente. Pessoas que embarcam em outras partes do mundo com destino a Israel são submetidas a um exaustivo questionário, para verificar quem fez as malas ou como foi o trajeto até o aeroporto. O executivo Antonio Ribeiro, diretor da filial de uma firma israelense no Brasil, a Sagy Consultoria Financeira, conta que viajou pela El Al em janeiro e quase perdeu o vôo de Zurique para Tel-Aviv, pela demora do interrogatório, realizado por três funcionários, sempre educados e velozes no raciocínio. Eles chegaram a entrar em contato com a firma em Israel para perguntar se Antonio Ribeiro era confiável e se a companhia se responsabilizava por ele. Ainda no embarque, depois do detector de metal, há sempre revista detida da bagagem, acompanhada por cães farejadores. A maior parte dos aeroportos do mundo sempre foi refratária a esse rigor, uma política que agora começa a sofrer revisão.

 
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