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SENADO Aliado
fiel no comando
Na semana passada, o senador Jader Barbalho se parecia com um búfalo da Ilha de Marajó, no Pará, o Estado onde nasceu e construiu sua riquíssima carreira política. Como fazem bois selvagens de pêlo fulvo e ralo quando caminham para o matadouro, Jader bramiu e esperneou, mas, emparedado em denúncias e provas de corrupção, acabou abandonando o cargo de presidente do Senado. Num discurso de 38 minutos, no qual citou de Galileu Galilei a versículos bíblicos, ele tornou-se o primeiro presidente do Senado a renunciar à função em 175 anos de história da instituição. Ele renunciou por duas razões. Primeiro, porque ficou claro que o senador, soterrado em uma avalanche de evidências de corrupção, não tinha estatura moral para presidir o Senado e instalara ali uma crise de paralisia. Segundo, porque Jader quer mesmo é preservar seu mandato de senador, livrando-se da cassação. Tanto que, no discurso de renúncia, evitou atacar colegas que, em breve, deverão julgar se ceifam ou não seu mandato. Sua saída só tem aparência de civilidade. Nos bastidores, Jader tem jogado pesado para escapar de uma punição. Um dia antes de renunciar, por exemplo, ele substituiu a advogada-geral do Senado, Josefina Valle Pinha, encarregada de elaborar os pareceres jurídicos em processos de cassação. Colocou no cargo o advogado Alberto Meleiro, que já foi filiado ao PMDB. Antes disso, conseguira que seus aliados trocassem o presidente em exercício do Conselho de Ética, Geraldo Althoff, do PFL de Santa Catarina, pelo peemedebista Juvêncio da Fonseca. É nessa alçada, agora sob o comando de um aliado, que estão sendo analisadas as denúncias de corrupção que devem encerrar o mandato do senador paraense. A mudança já surtiu efeito. Na semana passada, Juvêncio da Fonseca, atendendo a um pedido de Jader, deu-lhe mais uma semana para continuar se defendendo. Assim, a votação do relatório que pede a abertura de processo de cassação contra o senador, marcada para quinta-feira passada, foi adiada para esta semana prazo que só será mantido se Jader não conseguir, mais uma vez, prorrogar sua agonia. O novo presidente do Senado, agora, é Ramez Tebet, do PMDB de Mato Grosso do Sul, que na semana passada deixou o Ministério da Integração Nacional para ocupar o cargo. Mas não foi uma eleição fácil, dado o fato de que Tebet tem sido um aliado fiel de Jader. Dos 75 senadores presentes ao plenário, Tebet teve apenas 41 votos o mesmo placar obtido por Jader em fevereiro. Os outros 34 senadores votaram em branco ou anularam. É um sinal de que a algaravia no Senado vai continuar.
VIOLÊNCIA
O susto do craque em
São Paulo
A sorte estava mesmo com o ex-jogador de futebol Júnior na tarde de quarta-feira. Atualmente comentarista de TV, 47 anos de idade, ele desembarcou em São Paulo para acompanhar o jogo entre Corinthians e Santa Cruz. Seguia rumo ao Estádio do Pacaembu, quando o táxi parou em um semáforo na movimentada Avenida Rebouças. Armado de um revólver 38, um adolescente entrou no carro pela porta traseira, sentou-se ao lado de Júnior e exigiu o relógio Rolex, mas o ex-craque da seleção se atrapalhou ao abrir a pulseira. Diante de um movimento brusco do motorista, o rapaz disparou o revólver e o tiro acertou o encosto do banco da frente. Uma viatura da polícia vinha logo atrás e rendeu o assaltante quando tentava escapar. Era E.S., de apenas 16 anos, que foi encaminhado ao SOS Criança.
PARTIDOS
Diretas no PT dão vitória a José
Dirceu
O PT tornou-se o primeiro partido da história brasileira a definir seu comando em uma ampla eleição direta. No dia 16, cerca de 200.000 militantes foram às urnas em todo o país para escolher entre seis chapas. O resultado oficial só será conhecido nesta semana, por causa de problemas com a apuração eletrônica, mas as previsões indicam a reeleição da chapa do deputado federal José Dirceu, presidente do partido desde 1995 o que consolida o domínio da ala mais moderada, a Articulação, liderada por Luís Inácio Lula da Silva. A eleição direta é um dado alentador no precário quadro partidário brasileiro. "Isso acaba com a lógica que leva os líderes do partido a jogar mais para a platéia das correntes organizadas do que para a base", avalia o cientista político Benedito Tadeu César, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O procedimento ajuda também a resgatar as origens do PT, já que a legenda tendia a criar uma espécie de oligarquia partidária, avessa aos militantes não-profissionais.
AVIAÇÃO
Turbina sob suspeita com
acidente aéreo
O acidente com o Fokker 100 da TAM, no qual morreu a aposentada Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, no dia 15, em Minas Gerais, poderá levar a alterações em cerca de 280 aeronaves em operação no mundo. Segundo as primeiras investigações, peças da turbina direita se soltaram e perfuraram a fuselagem do avião, quebrando a janela ao lado de Marlene. A cabeça foi sugada e, no choque, a mulher sofreu traumatismo craniano. A TAM é a única empresa brasileira a operar o Fokker 100, cujas turbinas são fabricadas pela Rolls-Royce. Um pedaço do equipamento, pesando 10 quilos, foi encontrado por lavradores.
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