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Novos mecenas
Como as
pessoas físicas podem ajudar as artes
Na próxima vez em
que ouvir a palavra cultura, saque o seu talão de
cheques. Poucos sabem, mas a legislação brasileira
permite às pessoas físicas, e não somente a empresas e
instituições, deduzir de seu imposto de renda doações
feitas para projetos culturais. Isso ocorre desde que a
Lei Rouanet entrou em vigor, em 1991. Só neste ano,
porém, o governo decidiu divulgar o fato. Criou uma
campanha com o lema "Viva melhor, viva a
cultura", que está sendo veiculada por diversos
meios, inclusive filmes publicitários em cinco redes de
TV. Pelo número 0800-610909 é possível obter
informações sobre como se transformar em mecenas, à
moda dos antigos italianos da família Medici ou dos
americanos do clã Guggenheim.
A intenção do
governo é boa, mas fazer propaganda não basta. É
necessário, também, diminuir a burocracia. De maneira
geral, as pessoas físicas estão sujeitas aos mesmos
trâmites que as pessoas jurídicas para se beneficiar da
legislação de incentivo cultural e não contam
com a estrutura de uma empresa para tratar do caso. Em
outras palavras, supondo que o leitor desejasse doar seu
acervo de livros para consulta pública, teria de
informar-se no Ministério da Cultura a respeito dos
projetos cadastrados envolvendo bibliotecas, submeter
seus livros a uma avaliação idônea e assim por diante,
até finalmente receber seu "recibo de
mecenato". Outra alternativa seria procurar um dos
chamados "agentes culturais" para intermediar
sua transação com o Estado. O caminho mais simples
acaba sendo mesmo uma doação para o Fundo Nacional de
Cultura. A única restrição é que nesse caso só valem
depósitos em dinheiro não adianta apresentar
acervos ou coleções. As dificuldades, em todo caso,
estão longe de ser intransponíveis. Prova disso é o
Centro Cultural Farroupilha, em Porto Alegre, um projeto
sancionado pelo Ministério da Cultura que foi todo
levado adiante com o dinheiro de pessoas físicas.
"Queremos
criar uma cultura de mecenato no Brasil, talvez em moldes
semelhantes aos que existem nos Estados Unidos", diz
o secretário de Apoio à Cultura José Álvaro Moisés.
Somente em 1995, segundo dados apresentados por Moisés,
os americanos destinaram 10,5 bilhões de dólares às
artes. As pessoas físicas foram os principais mecenas:
arcaram com 80% dessa fatia. No Brasil, tudo é bem
diferente. Empresas públicas e privadas continuam sendo
as maiores financiadoras da área cultural. Em 1997, elas
utilizaram 199 milhões de reais de renúncia fiscal para
promover espetáculos, criar eventos, levantar teatros.
Uma cifra recorde que, para se ter uma idéia, é catorze
vezes maior que aquela de 1994. Enquanto isso, as 1.871
pessoas físicas (na maioria profissionais liberais das
classes A e B) que se beneficiaram da Lei Rouanet doaram
somente 1,2 milhão de reais, menos de 1% do total. Os
benefícios que esses pioneiros tiveram não são
desprezíveis. Puderam descontar 80% do montante de suas
doações e 60% do de seus patrocínios, respeitando o
teto de 6% do imposto de renda que deviam ao Leão.
"Recebemos sinais do presidente de que esse teto
pode subir para 12%", diz Moisés.
Todo esse empenho
em atrair atenção para a cultura se justifica. Graças
a uma pesquisa que acabou de ficar pronta, o governo tem
pela primeira vez uma medida exata do impacto das
atividades culturais na economia. Nos últimos anos, essa
área tem representado algo em torno de 1% do PIB global
do país. E cada milhão de real gasto em cultura gera
hoje 160 empregos diretos ou indiretos, mais do que a
taxa encontrada em áreas tradicionais como a indústria
automobilística.

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