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| Foto: Raul Junior |
Apareceu um fenômeno no mercado de derivativos no Brasil.
Criada há apenas seis meses, em fevereiro passado, a Link Corretora de
Mercadorias Ltda. tem tido um desempenho superlativo na Bolsa de Mercadorias
& Futuros, BM&F, onde se fazem apostas sobre as cotações futuras
do dólar, do ouro, do boi gordo, do café ou de índices do mercado de ações.
De março a junho passado, a corretora partiu do zero e, numa arrancada
espetacular, chegou à terceira posição no ranking das grandes negociadoras
da cotação do índice Bovespa, deixando para trás 108 concorrentes. No
mês passado, com um desempenho mais fraco, a corretora caiu para a quinta
posição. Ainda assim, trata-se de um colosso. "O negócio está indo
bem", diz, com economia de adjetivos, um dos donos da Link, Daniel
Cardoso Mendonça de Barros, filho do ministro das Comunicações, Luiz Carlos
Mendonça de Barros.
O melhor desempenho da Link está nas negociações do Ibovespa. Mas a corretora não tem feito feio nas apostas em outros produtos. Entre as 33 corretoras que operam com as cotações do boi gordo, a Link já ocupa o quarto lugar. No ranking geral da BM&F, a Link também está fazendo bonito. Já é a 28ª corretora, entre as 114 inscritas na bolsa. Em doze anos de existência, a BM&F raramente registrou casos tão fenomenais. Dá para contar nos dedos de uma mão. Daniel e seu sócio e irmão, Marcello, têm pouco tempo de experiência nesse complexo mercado de derivativos. Daniel formou-se em economia na Unicamp em 1992. No ano seguinte, entrou para o Unibanco, como trainee. Ficou até 1995, quando se mudou para o Planibanc, de São Paulo, onde trabalhava na mesa de operações. Marcello diplomou-se em engenharia agronômica, trabalhou na Mendonça de Barros Associados e integra a Câmara de Boi da BM&F. Em novembro de 1997, a dupla decidiu fundar a corretora, com outros dois sócios: Frederico Meinberg, 28 anos, e Norberto Giangrande, 31 anos, uma fera do mercado que trocou a sociedade que tinha na Safic, uma corretora tradicional, pela Link. Juntos, eles investiram 1,6 milhão de reais e pronto estava criada a nova firma.
Em março, a Link movimentou 72 milhões de reais, com mais de 4.000. contratos. No mês seguinte, seu volume de operação já dava um salto, indo parar em 4,3 bilhões de reais, com mais de 53.000 contratos. No mês de maio, o ritmo assustador de crescimento repetiu-se. Já eram 8,4 bilhões de reais, com quase 120.000 contratos. Em junho, o mês do auge da Link, suas operações romperam a barreira dos 12 bilhões de reais, com mais de 170.000 contratos. Na negociação do Ibovespa em particular, um índice que serve de referência para o mercado de ações, a Link superou a si própria. Começou em março com 1.000 contratos, pulou para 19.000, depois 44.000, bateu em 70.000 e, no mês passado, caiu para 42.000.
Os meninos dá para chamar assim, pois a idade dos quatro sócios varia de 28 a 31 anos estão felizes da vida. "Entre os cinco grandes players que atuam com o Ibovespa, dois são nossos clientes", festeja Daniel. A carteira de clientes é um sigilo nesse mercado altamente competitivo. A Link, seguindo o sigilo de praxe, informa que tem trinta bons clientes. "Eles não operam com fundos de pensão nem com estatais", afirma, orgulhoso, o pai, o ministro Mendonça de Barros. Barros está tão empolgado com o sucesso da prole que até se embaralha na hora de falar sobre a carteira de clientes dos garotos. Mas o filho Daniel conserta: "Só operamos um pouco com a Gerof", diz Daniel. Gerof é a sigla que identifica o setor de operações financeiras do Banco do Brasil, uma estatal que opera com a Link.

Esdras Paiva
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