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Home  »  Revistas  »  Edição 2127 / 26 de agosto de 2009


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Imagem da Semana

A batalha de Yelenogrado

Ninguém ganha – e ninguém perde – como a fabulosa Yelena Isinbaeva,
a beldade russa que voa no salto com vara


Vilma Gryzinski

Thomas Lohnes/AFP

Como divindade esportiva, Yelena Isinbaeva está em seus domínios onde quer que vá. O reino da terra e, principalmente, do ar lhe pertence e qualquer cidade passa a se chamar Yelenogrado. Quando cai, os mortais tremem, e foi assim na sombria segunda-feira quando três vezes tentou e três vezes caiu. Dois ouros olímpicos e 26 recordes mundiais na aflitiva modalidade do salto com vara, ela perdeu a batalha de Berlim, a Yelenogrado do momento. Pôs a culpa em si mesma: "Sou humana, também posso errar". Mentia, claro. Yelena é uma deusa na mistura de beleza e habilidade atlética de tirar o fôlego – e deixar o público masculino paralisado no sofá. Ganha como uma criança e perde como uma russa, fiel à tradição de mulheres que, quanto mais bonitas, mais dramáticas. Ela nasceu em Volgogrado, a antiga Stalingrado, onde se travou a épica batalha da II Guerra Mundial. É russa só por parte de mãe; o pai, encanador, é de um pequeno grupo étnico do Cáucaso, os tabasarans, tradicionalmente muçulmanos. Yelena foi criada para ser ginasta, mas cresceu demais. Chegou a 1,74 metro, altura que ainda pretende triplicar na ponta da vara – já voou 5,05 metros e acha que pode chegar a 5,20. Seu fracasso no Mundial de Atletismo aconteceu numa semana de eventos infaustos na Rússia e adjacências. Uma represa rompeu-se na Sibéria, com mais de setenta mortos; um carro-bomba explodiu na Ingushétia, com trinta vítimas; e um navio cargueiro, supostamente pirateado no mar da Suécia, reapareceu em águas africanas, sem nenhuma explicação convincente. Na Bielo-Rússia, um rapaz bebeu demais, subiu numa estátua de Lenin e se pendurou no braço da coisa – que era de gesso e se quebrou. Na queda, o infeliz foi a óbito. Console-se, Yelena.

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