|
|
Memória O
ator dos 100 personagens
Helcio
Toth
 | | Raul
Cortez: versátil e dono de um carisma sem igual | |
Raul Cortez
era chamado de "ator dos 100 personagens". Primeiro, porque fez de tudo: de vampiro
a travesti, de dama da alta sociedade a imigrante italiano, de sertanejo a personagem
de Shakespeare. Mas os críticos que o acompanhavam sobretudo no
palco também se maravilhavam com sua capacidade de descobrir novas
nuances num personagem a cada apresentação, sem jamais se acomodar.
"Teatro é uma coisa viva", dizia ele. "E eu odeio ator que pensa que é
funcionário público." Raul Christiano Machado Cortez nasceu em 28
de agosto de 1932. Largou o curso de direito quando tinha 23 anos, para fazer
uma ponta numa montagem da peça Eurídice, com Cleyde Yáconis
e Walmor Chagas. Esse início de carreira coincidiu com uma época
de florescimento teatral no Brasil, e Cortez logo se viu trabalhando com nomes
como Cacilda Becker, Ziembinski e Antunes Filho. A parceria com este último,
especialmente, teve resultados antológicos em peças como Vereda
da Salvação ou Quem Tem Medo de Virginia Woolf?. Cortez
também encontrou facilmente seu espaço na TV. No começo dos
anos 80, tornou-se galã em papéis como Miguel Fragonard, o cirurgião
plástico da novela Água Viva. E ele envelheceu na tela sem
perder o charme: em 1999, na novela Terra Nostra, o público torcia
pelo romance entre seu personagem e o da atriz Maria Fernanda Cândido, uma
beldade que acabava de despontar. No começo de 2005, Cortez descobriu um
câncer no aparelho digestivo. Pouco depois, deu uma entrevista corajosa
a VEJA, em que mostrava determinação para combater a doença.
Cortez voltou ao trabalho mas não conseguiu debelar o câncer.
Um dos mais versáteis e carismáticos atores brasileiros, ele morreu
em São Paulo, aos 74 anos, no último dia 18.
|