Edição 1966 . 26 de julho de 2006

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Memória
O ator dos 100 personagens

Helcio Toth
Raul Cortez: versátil e dono de um carisma sem igual
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Raul Cortez era chamado de "ator dos 100 personagens". Primeiro, porque fez de tudo: de vampiro a travesti, de dama da alta sociedade a imigrante italiano, de sertanejo a personagem de Shakespeare. Mas os críticos que o acompanhavam – sobretudo no palco – também se maravilhavam com sua capacidade de descobrir novas nuances num personagem a cada apresentação, sem jamais se acomodar. "Teatro é uma coisa viva", dizia ele. "E eu odeio ator que pensa que é funcionário público." Raul Christiano Machado Cortez nasceu em 28 de agosto de 1932. Largou o curso de direito quando tinha 23 anos, para fazer uma ponta numa montagem da peça Eurídice, com Cleyde Yáconis e Walmor Chagas. Esse início de carreira coincidiu com uma época de florescimento teatral no Brasil, e Cortez logo se viu trabalhando com nomes como Cacilda Becker, Ziembinski e Antunes Filho. A parceria com este último, especialmente, teve resultados antológicos em peças como Vereda da Salvação ou Quem Tem Medo de Virginia Woolf?. Cortez também encontrou facilmente seu espaço na TV. No começo dos anos 80, tornou-se galã em papéis como Miguel Fragonard, o cirurgião plástico da novela Água Viva. E ele envelheceu na tela sem perder o charme: em 1999, na novela Terra Nostra, o público torcia pelo romance entre seu personagem e o da atriz Maria Fernanda Cândido, uma beldade que acabava de despontar. No começo de 2005, Cortez descobriu um câncer no aparelho digestivo. Pouco depois, deu uma entrevista corajosa a VEJA, em que mostrava determinação para combater a doença. Cortez voltou ao trabalho – mas não conseguiu debelar o câncer. Um dos mais versáteis e carismáticos atores brasileiros, ele morreu em São Paulo, aos 74 anos, no último dia 18.

 
 
 
 
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