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Diogo
Mainardi Meu lado Sammy Davis Jr.
"O
míssil C-802 é a prova de que os aiatolás
iranianos forneceram armas ao Hezbollah. Eu recomendo atacar
os aiatolás iranianos. Imagino que todos os líderes mundiais
estejam lendo minhas palavras"
Sammy Davis Jr. e eu. Ele era escurinho. Eu sou escurinho. Ele arranjou uma loira.
Eu arranjei uma loira. Ele sapateava e tocava xilofone. Eu sapateio e toco xilofone.
Ele apoiava Israel. Eu apóio Israel. Sou o Sammy Davis Jr. da imprensa
brasileira. Meu apoio a Israel tem
tanto significado para o conflito no Oriente Médio quanto o apoio dos petistas
ao Hezbollah. Mas o trabalho jornalístico me transformou num Napoleão
de pinel. Fico o dia inteiro esparramado na poltrona, solucionando as grandes
questões internacionais. Ontem dei um jeito definitivo na Coréia
do Norte. Hoje é a vez do Líbano. Amanhã será um dia
particularmente atribulado, porque quero levar meus filhos ao Museu Guggenheim,
aqui em Nova York. Se sobrar um tempinho, no fim da tarde prometo derrubar Hugo
Chávez. Israel pode contar
com meu inestimável apoio há cerca de seis anos. O que aconteceu
seis anos atrás, para que eu colocasse um solidéu no meu cocuruto?
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak mandou retirar as tropas do sul do Líbano.
Espontaneamente. Unilateralmente. Ninguém percebeu direito na época,
mas isso representou uma reviravolta na política expansionista israelense.
Desde então, Israel só cedeu territórios. Em particular,
Gaza, no ano passado. Na qualidade
de Napoleão de pinel, eu ainda defendo essa política de entrincheiramento.
Israel deve retornar às fronteiras de 1967, cedendo os Territórios
Ocupados aos palestinos e erguendo barricadas contra seus vizinhos. Mas os atentados
das últimas semanas demonstraram que a estratégia de trocar terras
pela paz fracassou tragicamente. Os israelenses desocuparam Gaza e os terroristas
do Hamas aproveitaram para atacá-los. Os israelenses desocuparam o sul
do Líbano e os terroristas do Hezbollah aproveitaram para atacá-los.
Israel sabe o que fazer com os terroristas
do Hamas e do Hezbollah. Vai matar um monte deles. Onde quer que se encontrem.
Se os terroristas se abrigarem num prédio de apartamentos, Israel vai bombardear
o prédio de apartamentos, com todos os moradores dentro. Se os terroristas
fugirem para a Síria, Israel vai bombardear a Síria, apesar do risco
de expandir o conflito. Algumas atrocidades serão cometidas ao longo do
caminho. Israel vai seguir em frente. Quer pegar os terroristas e vai pegá-los.
O que os israelenses não podem
resolver sozinhos é o caso do C-802. De novo: C-802. É o nome do
míssil que, poucos dias atrás, atingiu um barco israelense no litoral
do Líbano, provocando quatro mortes. Foi fabricado no Irã. É
a prova de que os aiatolás iranianos de fato forneceram armamentos e técnicos
aos terroristas do Hezbollah. O Ocidente pode tomar coragem e atacar os aiatolás
iranianos. Ou pode simplesmente fingir que o C-802 não foi disparado. Eu
recomendo atacar os aiatolás iranianos. Imagino que todos os líderes
mundiais estejam lendo minhas palavras. E que pretendam seguir meus conselhos.
Agora chega de botar ordem no mundo.
Meu filho está me chamando para sapatear e tocar xilofone. |