Edição 1966 . 26 de julho de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja.com
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Não há crise no sistema prisional
brasileiro. Crise é algo circunstancial
e passageiro. O cárcere brasileiro
já nasceu capenga."

João Batista Moraes Vieira
Goiânia, GO

Terror em São Paulo

Brilhante e bastante contundente a reportagem "O poder nas mãos dos bandidos" (19 de julho). O crime organizado deve passar a ser considerado pelos governos – municipal, estadual ou federal – uma organização terrorista. Todos os seus métodos e ações são compatíveis com o terrorismo e, como tal, devem ser combatidos. As leis comuns não vão coibir suas atividades.
Johnson Franklim Ramos Pimentel
Ribeirão Preto, SP

Moro numa pequena cidade do interior do Piauí, e as imagens da TV e as reportagens de VEJA sobre o terror em São Paulo me causam pânico. Meu Deus, nunca imaginei que chegaríamos a esse caos.
Sergio Emiliano Uchoa Barros
Campo Maior, PI

É uma vergonha! Como se já não bastasse o mar de corrupção que assola o país, agora assistimos atônitos ao triste cenário de medo e dor que tomou conta de São Paulo.
Elicleire Rodrigues
Petrolina, PE

A maior cidade brasileira ficou nas mãos dos bandidos, e a sensação de insegurança que já assolava o país só aumentou, para nosso lamento. Resta à sociedade esperar que o poder público abra os olhos e atue com responsabilidade para resolver o problema do crime organizado.
Andressa Vargas Griffante
Porto Alegre, RS

O mais impressionante é que as soluções são conhecidas, a própria reportagem de VEJA as indica, por meio de uma série de medidas a ser tomadas. É triste constatar que os responsáveis pela nossa segurança, que recebem fundos de nossos impostos, são menos organizados e menos interessados em nossos direitos do que o comando do PCC é por seus integrantes.
Dinarte Zuchello
Curitiba, PR

Os ataques do PCC não causam surpresa. São o resultado esperado do nosso sistema judiciário inadequado, de uma polícia ineficiente e de políticas sociais equivocadas. E que ninguém se iluda, novamente, com as promessas dos políticos. Esses ataques vieram para ficar. Vamos nos acostumar a eles da mesma forma que fizemos com os assaltos nos sinais de trânsito, os pontos-de-venda de drogas em plena luz do dia, o mensalão e a dengue.
Marcus de Medeiros Matsushita
Marília, SP

 

Saulo de Castro Abreu

Muito interessante a entrevista com o secretário de Segurança de São Paulo (19 de julho). "Presídios diferentes para diferentes tipos de presos", como disse Saulo de Castro Abreu, é uma das mais importantes medidas para ter controle sobre os presos, baixar o custo dos presídios e aplicar políticas de reeducação para grande parte deles.
Noi Scheffer
Psicólogo e ex-superintendente do sistema prisional de Mato Grosso
Por e-mail

A entrevista com o secretário Saulo de Castro Abreu mostra toda a arrogância que lhe é peculiar, tentando nos fazer crer que o PCC não passa de um simples grupo de "pés-de-chinelo" que se encontra perto do fim, que somos todos histéricos e medrosos. Ainda bem que faltam apenas cinco meses para o término do mandato desses despreparados em políticas de segurança pública.
Carlos Lopes
Bauru, SP

Estou estarrecida e profundamente chocada com a entrevista concedida pelo senhor Saulo de Castro Abreu. É impressionante que, diante das barbaridades que têm feito reféns os habitantes da maior cidade do país, esse senhor se dê ao deleite de exibir tanta arrogância, prepotência e futilidade em suas respostas. Lamento constatar que a frase dita pelo personagem de Al Pacino no fim do filme O Advogado do Diabo poderia muito bem ser o título dessa desoladora entrevista: "Vaidade, esse é o meu pecado favorito".
Rosemary Dantas
Rio de Janeiro, RJ

Senhor secretário, posso acreditar que rato vire morcego, uva vire abacaxi, mas, com efeito, que o famigerado "PCC não é organizado e há muita histeria", isso não! Não acredito! Para dizer o mínimo, é desrespeitar o intelecto do leitor de VEJA.
Carlos A. Bergantini Domingues
Por e-mail

 

Carta ao leitor

Em vez de o deputado Pastor Amarildo querer que todo mundo que escreve em jornais e afins tenha diploma superior de jornalismo, seria mais sensato obrigar todo candidato a cargo político ter diploma de curso superior. Lula será incoerente se não vetar esse projeto, afinal de contas ele é presidente do Brasil apenas com o curso de torneiro mecânico, que nem validade como ensino médio tem ("Nas mãos do presidente", Carta ao leitor, 19 de julho).
Mônica Delfraro David
Campinas, SP

Digo a todo o Brasil e ao deputado Pastor Amarildo (PSC-TO) que seria muito mais plausível criar e aprovar um projeto de lei para que de todo candidato a cargo político no Brasil fosse exigido um curso superior relativo à área política. Tenho a convicção de que haveria maior ganho para as gerações futuras. Parabéns ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter vetado a primeira tentativa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) de coerção e mediocrização da atividade jornalística.
Mauro Assunção Cecílio
Uberaba, MG

 

Henry Petroski

O professor Henry Petroski (Amarelas, 19 de julho) consegue pinçar, de maneira impressionantemente clara, as venturas e desventuras do design de produto nos Estados Unidos, da mesma forma como as sentimos aqui, no Brasil. Meu sócio, o engenheiro José Carlos Bornancini, e eu, arquiteto de formação, fazemos design de produto há mais de 45 anos e, apesar de comungarmos inteiramente o pensamento do professor Petroski, nunca conseguimos colocá-lo em palavras tão exatas nas nossas palestras ou para nossos alunos. Mandei a ele um e-mail para que soubesse da importância de sua entrevista no contexto e no estágio atuais do design brasileiro.
Nelson Ivan Petzold
Porto Alegre, RS

As invenções e a criatividade continuam projetando nossa época a um mundo ainda mais confortável, mesmo com usuários menos antenados, que ainda não descobriram a verdadeira dimensão e uso ético dos fantásticos avanços tecnológicos. Parabéns a Rosana Zakabi por tão brilhante entrevista.
Irineu Cláudio Lanzarini
Cascavel, PR

Na frase em destaque que aparece junto à foto de Petroski, há um deslize que contraria fundamentos que justificam toda a evolução dos últimos dois séculos: na verdade, "a necessidade é a mãe da invenção", e não o contrário. Pensemos juntos: quantas vezes tivemos de parar nosso carro para telefonar, quando não existia telefone celular? Ou quantas vezes deixamos de receber notícias instantaneamente ou não pudemos participar de certas decisões pelo fato de não existir o telemóvel? Essa necessidade é que levou ao desenvolvimento do produto e a sua posterior evolução em termos de design e funcionalidade.
Solival Menezes
São Paulo, SP

 

Felicidade

Interessante saber que os cubanos são um dos povos "mais felizes" do mundo e os americanos estão quase entre os "mais ou menos felizes" ("A volta do bom selvagem", 19 de julho). Considerando que felicidade deve ser a busca maior do ser humano, dá para imaginar a quantidade de americanos que deve desejar morar em Cuba.
Lamartine Silva Cabral
Aracaju, SE

 

Gordura trans

Na Europa, o uso de gordura trans é restrito, e em alguns países só se permite 0,1% desse tipo de gordura. As margarinas americanas contêm de 30% a 50% de gordura trans. Pipoca de microondas, biscoitos, bolachas, sorvetes são todos "lobos maus vestidos de chapeuzinho vermelho". Atrás de uma aparente inocência se esconde uma gordura que mina os vasos arteriais ao longo da vida, produzindo sua obstrução ("É pior do que se pensava", 19 de julho).
Doutor Benedito Borges
Cuiabá, MT

 

Sanguessugas

A página 62 da última edição de VEJA ("A delação funcionou", 19 de julho) me trouxe um pouco de alento e mostrou quão importante é o papel da imprensa na cobrança do bom funcionamento de nossas instituições, ao informar com precisão, sem abafa. Parabéns à revista, à Polícia Federal pelo grande trabalho e a quem tenha permitido instituir a delação premiada em nosso Código Penal. Que essas contribuições resultem em algo por que tanto ansiamos ver: a condenação dos comprovados e abjetos criminosos.
Mário Celso de Moraes
São Paulo, SP

 

Claudio de Moura Castro

A questão é: de quantos manés o Brasil precisa para crescer? No artigo, Claudio de Moura Castro compara um funcionário de empresa de nível secundário no exterior com um mané de curso superior no Brasil (Ponto de vista, 19 de julho). Incluo-me entre esses manés. Imagine então o ônus que pagam as nossas empresas. Além de toda a carga tributária que têm de pagar, elas precisam sustentar um monte de manés. Parabéns aos nossos manés, que vão além das faculdades, fazem MBA e pós-graduação.
Clésio de Oliveira
Administrador de empresas
Criciúma, SC  

Enquanto a política de investimentos no ensino fundamental for desse jeito, continuaremos os "manés do conhecimento", os outros estarão anos à nossa frente.
Luiz Carlos Socolosk
Professor
São Pedro do Ivaí, PR

 

Diogo Mainardi

Diogo Mainardi resumiu em seu artigo "Voto de nariz tapado" (19 de julho) o sentimento da maioria das pessoas conscientes do país. Não temos político realmente idôneo, então ficamos com o "menos pior" ou ainda o que tem maior possibilidade de derrubar o governo que conseguiu, literalmente, destruir e dar novo sentido aos conceitos de ética e moral.
Afonso Vieira
Tangará da Serra, MT

Mainardi resumiu com precisão o sentimento que toma conta de todos os que estão órfãos politicamente. Na ausência total de uma plataforma liberal-democrata, restou-nos a aborrecida tarefa de tapar o nariz e decidir entre a esquerda social-democrata (mensaleira ou não) de PT e PSDB, o coronelismo fisiológico do PMDB e do PFL e o monstrinho trotskista do PSOL. A decisão por Geraldo Alckmin não é difícil, mas a contrariedade não deixa de ser grande. Pobres de nós, brasileiros!
Thomaz Saboia
Rio de Janeiro, RJ  

Depois de tanto ilusionismo na política brasileira, em que mensaleiros são apresentados como vítimas do sistema, acho que tapar o nariz é a forma de o eleitor brasileiro, no jogo do faz-de-conta, acreditar que há esperança. Afinal, o que o nariz não cheira o coração não sente.
Kellen C.N. Faria
Goiânia, GO

 

Tecnologia

Fico imaginando a Copa do Mundo em 2014 no Brasil: obras inacabadas, estádios imundos, insegurança, arrastão, propina, mensalão, sanguessugas, corrupção, MST, Varig, PCC. É melhor que a Copa seja realizada no Iraque. Lá a segurança é melhor ("O que ninguém viu... na Copa que todo mundo viu", 19 de julho).
Luiz Tadeu Barbosa Silva
Fátima do Sul, MS

 

Televisão

A detetive Olivia Benson, de Law & Order SVU, não foi abusada sexualmente em sua adolescência. A vítima do estupro foi sua mãe, que engravidou por isso e resolveu ter a criança – a detetive Benson, que sofreu muito com a rejeição da mãe, que realmente era alcoólatra.
Liliane de Andrade
Mogi das Cruzes, SP

 

Música

O epitáfio do Grandaddy não é o disco Excerpts from the Diary of Todd Zilla (que é muito bom, mesmo), mas o Just Like the Fambly Cat, lançado nos Estados Unidos em maio passado. Aqui, no Brasil, ainda não está à venda. Parabéns pelo ótimo trabalho, e continuem dando essas excelentes dicas de discos, livros, filmes e tudo o mais (VEJA Recomenda, 19 de julho).
Gabriel Gama
Porto Alegre, RS

 

Radar

A nota "A Record avança pelo país" (Radar, 12 de julho) informou que as únicas redes nacionais presentes em Aracaju são a Globo e a Record. Além da Globo (retransmitida pela TV Sergipe) e da Record (cuja filiada é a TV Atalaia), em Sergipe também temos acesso à Rede Cultura (retransmitida pela TV Aperipê), à RedeTV! (por meio da TV Cidade) e a canais abertos religiosos, como a Canção Nova e a Rede Vida.
Ailton Alves Nunes Júnior
Por e-mail

 

CORREÇÃO: A fabricação de barracas impermeabilizadas à base de poliuretano se deu a partir de 1940, e não de 1920, como publicado no Guia (19 de julho).

 

 

O BUTANTAN PODE AJUDAR


O leitor Marcos Antonio Vanceto, de Piracicaba, voltou do Chile com uma preocupação: "Soube pela TV que uma pequena aranha de cor marrom está causando sérios problemas à população chilena. Ela vive em interiores, atrás de móveis, livros e objetos em geral. Ela pica as pessoas e tem provocado óbitos". De fato, a unidade de parasitologia da Universidade do Chile registra dezenas de casos de picada pela aranha marrom (Loxosceles laeta), com a ocorrência de duas a oito mortes por ano. "O Chile precisa da nossa ajuda. Nós temos o Butantan, eles não", diz Vanceto. Tiago Oliveira, assessor de imprensa do Butantan, informa que o instituto mantém colaboração permanente com todos os países da região, como ocorreu em junho no seminário "Diagnóstico e melhoramento de soros antivenenos na Iberoamérica". "Infelizmente, não tivemos a participação de nenhum cientista ou autoridade sanitária do Chile. O Butantan recebe periodicamente grupos para visitas técnicas à sua área de produção e realiza eventos com o objetivo de auxiliar outros países a combater os acidentes ofídicos, aracnídicos e escorpiônicos", diz Oliveira. Mais informações sobre o Butantan no site http://www.butantan.gov.br/.

 

OS RISCOS DAS LENTES DE CONTATO

A respeito da reportagem "Vermelhos, ardentes e lacrimejantes" (5 de julho), Leandro Luiz Fleury Rosa, especialista em lentes de contato e membro da International Association of Contact Lens Educators e da American Optometric Association, envia alguns comentários úteis. Para Rosa, a matéria levanta um assunto de grande utilidade pública ao alertar para os riscos de contaminação por microrganismos durante o uso de lentes de contato. Mas a raiz do problema, diz ele, não está só no uso inadequado e na falta de higiene: "Há falta de regulamentação do setor. Não se podem vender lentes sem prescrição, mesmo as descartáveis. Muito menos vendê-las pela internet, por telefone ou em farmácias. Mas é o que ocorre por omissão da Anvisa e das vigilâncias estaduais e municipais. A Confederação Nacional do Comércio, por solicitação de especialistas em lentes de contato, apresentou à Anvisa amplo estudo sobre os impactos desse problema, reivindicando medidas emergenciais. Não recebeu sequer uma resposta. Portanto, se alguém tem culpa, são as autoridades sanitárias brasileiras no cumprimento de seus deveres".

 

CPI DO CACAU

O deputado estadual baiano Heraldo Rocha apresentou um requerimento na Assembléia Legislativa de seu estado para a criação de uma CPI que deverá "apurar os fatos relativos à sabotagem nos cacauais da Bahia, ocasionando a disseminação da praga conhecida como vassoura-de-bruxa". O requerimento se sustenta na denúncia apresentada na reportagem "Terrorismo biológico" (21 de junho), que pode ser lida em VEJA on-line (http://veja.abril.com.br/210606/p_060.html).

 
 
 
 
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