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Carta ao leitor A
vida atrás dos muros Antonio
Milena
 | | Martino
e Portela: panorama sombrio do mundo dos agentes penitenciários |
Nos presídios paulistas, onde nasceu a organização criminosa
batizada de Primeiro Comando da Capital (PCC), trabalham milhares de profissionais
submetidos a um cotidiano de constrangimento moral e ameaças físicas.
São os agentes penitenciários, encarregados de soltar e trancar
os presos em obediência aos horários estabelecidos, de manter a disciplina
entre os detentos e de fazer a revista nos visitantes. Eles só aparecem
no noticiário na condição de reféns de presos rebelados
ou quando morrem pelas mãos de bandidos, como aconteceu nos últimos
meses em São Paulo, a mando dos chefes do PCC. Mas o que faz exatamente
um agente penitenciário, como é o seu dia-a-dia atrás dos
muros, qual era o perfil dos profissionais assassinados? Para responder a essas
perguntas, VEJA destacou os repórteres Fábio Portela e Victor Martino.
Durante três semanas, eles mergulharam no universo dos agentes penitenciários
paulistas. O resultado é uma reportagem que, publicada na página
70 desta edição, traça um panorama ainda mais sombrio do
que se imaginava. Dos 23.000 agentes penitenciários
do estado de São Paulo, catorze foram mortos pelo PCC neste ano, 922 foram
feitos reféns e 1.091 estão afastados do serviço por ordens
médicas ou psiquiátricas. Apesar dos riscos a que estão expostos,
são poucos os agentes que pretendem abandonar a profissão. Avaliam
que o salário médio da categoria, de 1 970 reais por mês,
é muito bom para quem não tem mais que o ensino médio completo.
No último concurso aberto para contratar agentes em São Paulo, havia
100 000 interessados para apenas 1 900 vagas. Eles só têm duas reivindicações:
querem ter direito a portar armas e pedem a contratação de mais
funcionários para os presídios. A relação atual, de
um agente para 5,5 presos, é uma das piores do mundo e torna o trabalho
ainda mais perigoso. |