Edição 1966 . 26 de julho de 2006

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Carta ao leitor
A vida atrás dos muros

 
Antonio Milena
Martino e Portela: panorama sombrio do mundo dos agentes penitenciários

Nos presídios paulistas, onde nasceu a organização criminosa batizada de Primeiro Comando da Capital (PCC), trabalham milhares de profissionais submetidos a um cotidiano de constrangimento moral e ameaças físicas. São os agentes penitenciários, encarregados de soltar e trancar os presos em obediência aos horários estabelecidos, de manter a disciplina entre os detentos e de fazer a revista nos visitantes. Eles só aparecem no noticiário na condição de reféns de presos rebelados ou quando morrem pelas mãos de bandidos, como aconteceu nos últimos meses em São Paulo, a mando dos chefes do PCC. Mas o que faz exatamente um agente penitenciário, como é o seu dia-a-dia atrás dos muros, qual era o perfil dos profissionais assassinados? Para responder a essas perguntas, VEJA destacou os repórteres Fábio Portela e Victor Martino. Durante três semanas, eles mergulharam no universo dos agentes penitenciários paulistas. O resultado é uma reportagem que, publicada na página 70 desta edição, traça um panorama ainda mais sombrio do que se imaginava.

Dos 23.000 agentes penitenciários do estado de São Paulo, catorze foram mortos pelo PCC neste ano, 922 foram feitos reféns e 1.091 estão afastados do serviço por ordens médicas ou psiquiátricas. Apesar dos riscos a que estão expostos, são poucos os agentes que pretendem abandonar a profissão. Avaliam que o salário médio da categoria, de 1 970 reais por mês, é muito bom para quem não tem mais que o ensino médio completo. No último concurso aberto para contratar agentes em São Paulo, havia 100 000 interessados para apenas 1 900 vagas. Eles só têm duas reivindicações: querem ter direito a portar armas e pedem a contratação de mais funcionários para os presídios. A relação atual, de um agente para 5,5 presos, é uma das piores do mundo e torna o trabalho ainda mais perigoso.

 
 
 
 
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