Faça sua aposta
Welch é um grande executivo.
Mas será um bom escritor?
Carlos Graieb
Que ele é um grande executivo, ninguém duvida.
Em quase vinte anos no comando da General Electric, o americano
John Welch Jr. fez o valor da companhia aumentar dezenas
de vezes e transformou-se em lenda viva do mundo empresarial.
Mas será que ele também é um autor
de primeira? Eis aí uma pergunta que está
causando enorme especulação. Welch virou o
pivô de uma das jogadas mais ousadas já feitas
no mercado editorial. Ele acaba de receber 7,1 milhões
de dólares do grupo Time Warner pelos direitos de
uma obra que ainda nem foi escrita, contendo o resumo de
sua filosofia de empreendedor. Nunca um preço tão
alto havia sido pago por um livro de não-ficção.
Ainda que o capitalismo tenha se transformado numa espécie
de religião, e que as pessoas andem em busca de gurus
na hora de investir na bolsa, as vendas de Welch precisarão
ser imensas para compensar o adiantamento que lhe foi entregue.
Apenas nos Estados Unidos, 1,6 milhão de pessoas
terão de comprar o livro em capa dura no curto prazo.
No campo da ficção, em que os números
são bem mais generosos, somente um ou dois autores
alcançam tal cifra por ano. É verdade que
Lee Iacocca, ex-presidente da Chrysler, vendeu como pão
quente 2,6 milhões de cópias de sua autobiografia,
lançada em 1985. Mas seu caso é isoladíssimo
no terreno da não-ficção. Será
que Welch vai superar o desafio? Faça sua aposta.