Edição 1 659 - 26/7/2000

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Welch é um grande executivo.
Mas será um bom escritor?

Carlos Graieb

Que ele é um grande executivo, ninguém duvida. Em quase vinte anos no comando da General Electric, o americano John Welch Jr. fez o valor da companhia aumentar dezenas de vezes e transformou-se em lenda viva do mundo empresarial. Mas será que ele também é um autor de primeira? Eis aí uma pergunta que está causando enorme especulação. Welch virou o pivô de uma das jogadas mais ousadas já feitas no mercado editorial. Ele acaba de receber 7,1 milhões de dólares do grupo Time Warner pelos direitos de uma obra que ainda nem foi escrita, contendo o resumo de sua filosofia de empreendedor. Nunca um preço tão alto havia sido pago por um livro de não-ficção. Ainda que o capitalismo tenha se transformado numa espécie de religião, e que as pessoas andem em busca de gurus na hora de investir na bolsa, as vendas de Welch precisarão ser imensas para compensar o adiantamento que lhe foi entregue. Apenas nos Estados Unidos, 1,6 milhão de pessoas terão de comprar o livro em capa dura no curto prazo. No campo da ficção, em que os números são bem mais generosos, somente um ou dois autores alcançam tal cifra por ano. É verdade que Lee Iacocca, ex-presidente da Chrysler, vendeu como pão quente 2,6 milhões de cópias de sua autobiografia, lançada em 1985. Mas seu caso é isoladíssimo no terreno da não-ficção. Será que Welch vai superar o desafio? Faça sua aposta.