Musa digital
Romance de Tom Clancy
nasceu de jogo de computador
Carlos Graieb
As
musas têm formas estranhas de inspirar um escritor.
O nascimento do último romance do americano Tom Clancy,
por exemplo, não poderia ser mais inusitado: ele
é o subproduto de um jogo para computadores. Tudo
teve início há alguns anos, quando a Red Storm,
companhia de software criada por Clancy, começou
a desenvolver um daqueles sofisticados jogos interativos,
com enredo e personagens. A idéia era que cada participante
deveria tomar decisões para resgatar um grupo de
reféns. Cabia a Clancy dar palpites sobre possíveis
cenários e reviravoltas do jogo, e foi aí
que ele teve o estalo. Por que não aproveitar todo
aquele material e também escrever um livro? O resultado
acaba de chegar às livrarias brasileiras: Rainbow
6 (tradução de Oliveira Júnior;
Record; 768 páginas; 60 reais). O romance tem tudo
para agradar aos fãs do autor: muita ação,
descrições detalhadas de engenhocas e armamentos,
e um herói conhecido, o ex-fuzileiro naval John Clark,
que já havia protagonizado Sem Remorso, de
1994. Nesta nova aventura, ele combate um grupo de terroristas
que pretende estragar a festa das Olimpíadas de Sydney.
Nos Estados Unidos, Rainbow 6 teve tiragem inicial
de 2 milhões de exemplares. Clancy é o único
autor americano, além de John Grisham, capaz de alcançar
essa cifra. Nada mal para um sujeito que, até 1984,
era apenas um corretor de seguros fascinado por questões
militares. Ele precisou suar a camisa para completar sua
primeira obra, Caçada ao Outubro Vermelho,
e vendê-la por 5.000 dólares
a uma editora pequena. Por um golpe de sorte, o livro foi
parar nas mãos do presidente americano da época,
Ronald Reagan, que o elogiou em público e transformou
seu autor numa celebridade. Hoje, Clancy é uma espécie
de marca, que serve para vender não só livros,
mas filmes e jogos de computador. Em 1998, sua fortuna estava
estimada em cerca de 200 milhões de dólares.
E o homem ainda é sortudo no amor. Acaba de ser casar
com uma mulher vinte anos mais nova que ele, que se empenha
numa cruzada para desfazer a imagem de cínico e rabugento
do marido. "Todos acham que Tom é um conservador
apaixonado por armas", disse ela numa entrevista. "Mas a
verdade é que ele é o mais tímido e
meigo dos coelhinhos." Dá para acreditar?