Edição 1 659 - 26/7/2000

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Igual ao lá de fora

Novos projetos derrubam as diferenças entre
os carros feitos no Brasil e no exterior


Divulgação
Zafira, da GM: carro brasileiro será idêntico ao modelo alemão

A distância entre os carros fabricados no Brasil e os modelos estrangeiros, que vem diminuindo nos últimos cinco anos, ficou ainda menor na semana passada. A General Motors anunciou que despejará 1,5 bilhão de dólares para modernizar suas fábricas de São Paulo, a fim de produzir dentro de seis meses a minivan Zafira, que chegou à Europa no ano passado. O tempo curto entre os lançamentos consolida uma tendência: as montadoras estão eliminando as diferenças entre os carros que produzem no Primeiro Mundo e em suas filiais no Brasil. "É o fim daquele abismo que existia entre os produtos da matriz e os feitos nas subsidiárias", diz Roberto Falcão, engenheiro de produto da Volkswagen. Apenas uma década atrás, um lançamento do porte da Zafira demoraria pelo menos cinco anos para chegar ao Brasil.

Assim como a nova minivan da GM, modelos como o Golf, o Audi A3, o Clio, o Scénic e o Ford Ka são clones fiéis de irmãos europeus. Isso ocorre porque o mercado brasileiro, por suas dimensões e disputa acirrada entre as marcas, tem merecido tratamento especial. Aqui são fabricados 191 modelos de automóvel de quinze marcas, número que deve aumentar com a chegada de novos fabricantes até o final do ano. A presença de carros mais sofisticados não significa o fim do simples e barato. O veículo que a indústria automobilística chama de "carro para países emergentes", cujas principais características são o despojamento e o baixo preço, permanece o principal filão do mercado. O Gol, carro dos anos 80, é o líder imbatível de vendas. A GM, três dias depois de anunciar os investimentos para produzir a Zafira, inaugurou uma fábrica em Gravataí, no Rio Grande do Sul, na qual será feito o Celta, carro popular sem chance de figurar nas ruas do Primeiro Mundo, mas que deve ser o mais barato do Brasil.

As montadoras concluíram que o melhor modo de ganhar espaço é pôr à venda no país um sucesso internacional. A Renault inaugurou sua fábrica há um ano e meio com a minivan Scénic, modelo lançado na França em 1996. É um carro moderno, que vende bem. Agora, já se prepara para efetuar no início do ano que vem as primeiras modificações na perua. A exemplo do que foi feito nos modelos franceses no final do ano passado, os faróis e as lanternas serão redesenhados, e o carro deverá receber novos motores em 2001. A demora de mais de um ano entre os modelos francês e brasileiro é pequena em termos industriais. Imagine que o jurássico Opala, da GM, sobreviveu 23 anos por aqui.

 
Jorge Rosenberg
Germano Luders

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