À nossa moda
Criado na França, o espiritismo
deu certo
apenas no Brasil, onde a doutrina mística com
pretensões científicas é culto da classe média
Flávia Varella
Claudio Rossi
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| Uma sessão espírita típica
tem palestra e passes: "Uma religião letrada" |
Mário Covas, governador do mais rico e populoso
Estado do Brasil, é católico, mas busca aconselhamento com
os espíritos quando está com problemas pessoais. O general
Alberto Cardoso, ministrochefe do Gabinete de Segurança
Institucional, homem poderoso na equipe do presidente da
República, criou o hábito de incorporar espíritos e orientar
com voz do além os desesperançados que o procuram. Herbert
Steinberg, professor de pós-graduação e dono de uma importante
consultoria de empresas, nasceu judeu, virou católico e
agora reúne a família pelo menos uma vez por semana para
ler e discutir a Bíblia sob a ótica do espiritismo.
O médico Ronaldo Gazolla, secretário municipal de Saúde
do Rio de Janeiro há nove anos, controla dezesseis hospitais,
110 postos de saúde e 30 000 funcionários, mas não deixa
de ir toda quarta-feira ao centro espírita que preside,
onde ergue as mãos e canaliza energias positivas, num chamado
passe, que acredita contribuir para a cura de enfermos da
alma e do corpo.
O segundo ministro da Saúde do governo de
Fernando Henrique Cardoso, o cardiologista gaúcho Carlos
César de Albuquerque, vê e recebe espíritos. O autor das
telenovelas de maior sucesso do país, Benedito Ruy Barbosa,
diz que seu pai o acompanha e orienta desde que morreu,
quando ele tinha 12 anos, e, por isso, sempre dá um jeito
de promover um reencontro de personagens mortos em seus
enredos televisivos. Tande, campeão olímpico, estava convicto
de que integraria a seleção brasileira muito antes de começar
a jogar vôlei, por causa da mensagem recebida por seu pai,
um militar médium vidente. A dona do rebolado mais admirado
do país, Scheila Carvalho, acredita que foi princesa em
outra encarnação e tem o livro O Evangelho Segundo o
Espiritismo – em sua cabeceira.
O escritor brasileiro que mais vende livros –
cerca de 30 milhões de exemplares –,
Chico Xavier, não escreve seus textos, psicografa.
Claudio Rossi
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Herbert
Steinberg
Consultor e professor, nasceu judeu, virou católico
e agora é espírita, como toda a família: "A doutrina
é lógica e convence" |
Está aí um retrato possível da elite brasileira. Um retrato
da elite, por sinal, possível apenas no Brasil. Primeiro,
porque em nenhum lugar do mundo há tantos espíritas, a ponto
de se poder fazer uma lista deles olhando apenas para o
pódio dos bem-sucedidos, famosos e poderosos. Segundo, porque
só aqui católicos, judeus ou protestantes atestam a comunicação
com os mortos e a reencarnação sem se ruborizar e sem medo
de ser expulsos de sua igreja, sinagoga ou templo. De acordo
com a Federação Espírita Brasileira, são 8 milhões de adeptos
e 30 milhões de simpatizantes. Pesquisas de opinião pública
indicam um número menor: 3% da população, ou 4,8 milhões
de pessoas. Mas essas são apenas as que se declaram espíritas
ao pé da letra. Não estão incluídos aí todos os freqüentadores
de centros, muito menos o total de simpatizantes.
Num
país onde até o presidente da República, declaradamente
ateu, gosta de se descrever como um intelectual com pitadas
de candomblé, é evidente o apelo das religiões mediúnicas,
mesmo quando há um choque doutrinário com os cultos dominantes.
Uma enquete feita pela Vox Populi há quatro anos revelou
que 59% dos brasileiros acreditam na existência de espíritos
– conceito aceito apenas pelo
kardecismo e pelas religiões afro-brasileiras, como umbanda
e candomblé. Na França, onde o espiritismo nasceu, pelas
mãos do pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, vulgo Allan
Kardec, a única associação de seus seguidores conta com
pouco mais de 150 sócios. "Aqui, como em toda a Europa,
o espiritismo é desconhecido. Não é considerado uma coisa
séria", admite Jacques Peccatte, presidente do Círculo Allan
Kardec, instalado na cidade de Nancy. "A doutrina kardecista
só é desenvolvida de fato no Brasil."
Desenvolvida e adaptada às condições locais
por Chico Xavier, que tropicalizou os princípios doutrinários
difundidos pelo francês no século XIX, dando-lhes um apelo
mais sentimental, humano, bem adaptado à alma nacional (veja
quadro). Aqui, o espiritismo não apenas se estabeleceu
como passou a fazer parte da cultura brasileira. Sem o estardalhaço
nem os números explosivos das igrejas evangélicas, o espiritismo
está sempre ampliando o contingente de adeptos, com uma
característica peculiar: ele se difunde principalmente nas
classes sociais mais altas. Cinco anos atrás, havia 5.500
centros espíritas espalhados pelo país (concentrados nas
regiões Sul e Sudeste). Hoje, são mais de 9.000. Nas salas
de aula da Federação Espírita de São Paulo, 11.300 alunos
sentam-se para aprender desde os fundamentos do kardecismo
até como ser médium ou como se tornar um expositor da doutrina.
Há dez anos, eram menos de 6.000.
Antonio Milena
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Benedito
Ruy Barbosa
Desde que sua mãe viu o marido, que tinha morrido, sentado
a seu lado, o autor tornou-se espírita e passou a sentir
a presença do pai |
Outro termômetro da expansão recente do espiritismo é a
publicação de livros relacionados com o assunto. A leitura
é o mais importante recurso de evangelização espírita. O
motivo está na própria natureza dessa religião, cujos princípios,
de acordo com os crentes, foram transmitidos por meio de
inúmeras "comunicações" do além, transcritas pelos médiuns.
"Aprende-se o espiritismo lendo", afirma o presidente da
federação paulista, Durval Ciamponi, autor de cinco livros
- encontrar um expoente do espiritismo que não tenha escrito
livros é tão difícil quanto achar um pastor evangélico que
não cante. Pois há cada vez mais gente interessada na literatura
kardecista, uma barreira natural na seleção de classe. "O
espiritismo é uma religião letrada", afirma o sociólogo
Lísias Nogueira Negrão, presidente do Centro de Estudos
da Religião Duglas Teixeira Monteiro. "Mais do que uma religião,
o espiritismo se pretende uma ciência, uma filosofia. Por
isso, e por ter alta capacidade de persuasão pela lógica,
atinge as classes sociais mais instruídas." Um estudo feito
pela Fundação Getúlio Vargas mostra que os espíritas pertencem,
primordialmente, às classes média e alta. Sua renda familiar
é 150% maior que a média nacional (só perde, entre as religiões,
para o judaísmo) e a escolaridade de seus adeptos também
é a segunda no ranking – em
média, dez anos de estudos completos. Essa é uma característica
da doutrina, desde sua chegada ao Brasil, na segunda metade
do século XIX, com a circulação de livros em grupos restritos
da elite nacional. Saber ler e ter condições de comprar
livros era privilégio mais exclusivo ainda do que hoje.
Meritocracia espiritual Os primeiros
advogados, militares, jornalistas, médicos convencidos pelos
preceitos de Kardec ainda no século XIX criaram uma tradição.
A Cruzada dos Militares Espíritas, fundada em 1944, tem
hoje 5.000 participantes, entre eles generais e coronéis.
"O número de militares espíritas saltou nos últimos seis
anos, e as adesões não param", diz o coronel Ruy Kremer,
presidente da entidade, que orienta a ação de 432 delegados
organizadores de grupos de estudos em quartéis, navios ou
em qualquer ponto em que haja um militar a serviço. Há associações
de médicos espíritas em 21 Estados. "Com o espiritismo,
aprendi a reconhecer minha capacidade intuitiva, que me
auxilia nos diagnósticos, e descobri que tenho o dom da
cura pelas mãos", afirma o oncologista mineiro Renato Nogueira,
espírita há três anos.
A doutrina é ancorada na crença da reencarnação
e da comunicação com "entidades espirituais desencarnadas",
ou seja, pessoas que já morreram. Os adeptos acreditam que
os espíritos dos mortos voltam à Terra e se encarnam em
novos seres humanos, no nascimento. Por trás disso está
a idéia oriental do carma: volta-se à vida terrena para
pagar pelos erros cometidos em encarnações anteriores, num
processo contínuo, até zerar tudo, atingindo-se um estado
de plena perfeição moral. Com base nessas crenças, a doutrina
oferece explicações para as eternas dúvidas humanas: de
onde viemos, para onde vamos, qual o sentido da vida, por
que somos atormentados por tantos padecimentos. A busca
de respostas chega a níveis radicais. No Livro dos Espíritos,
que Allan Kardec dizia ter escrito depois de ouvir inúmeras
entidades, há mais de 1.000 perguntas e respostas. Daí a
aura de ciência que o espiritismo sempre reivindicou.
"O espiritismo nasceu com uma linguagem adequada à ciência
da época. As idéias eram bem sistematizadas e aplicavam
à trajetória pessoal de cada um o evolucionismo, muito em
voga", explica José Luiz dos Santos, antropólogo da Universidade
de Campinas e autor do livro Espiritismo, uma Religião
Brasileira. Ainda hoje a teoria funciona. O fato de
estarmos na Terra para melhorar, ou seja, evoluir espiritualmente,
e zerar a contabilidade de erros de encarnações passadas
explica ter ou não dinheiro, sofrer ou ser feliz, morrer
jovem ou com idade avançada. A fórmula para evoluir também
é simples: fazer o bem. Assim, ajudar em obras assistenciais
e ser caridoso são atividades imprescindíveis para um espírita.
"Foi só no kardecismo que encontrei as respostas
que procurava. A teoria toda faz sentido e me convence",
afirma Herbert Steinberg, empresário e professor de gerenciamento
estratégico em um curso de MBA. Antes de ler os primeiros
livros com mensagens de Chico Xavier, Steinberg se desiludira
com sua religião de família, o judaísmo, e com o catolicismo,
ao qual se converteu num rompante juvenil. "Não preciso
de mais provas: o astral das pessoas e a sincronicidade
de alguns acontecimentos já são pistas suficientes para
mim de que existe algo além da vida que enxergamos."
"Nova era" O espiritismo oferece
muitos esclarecimentos, tem poucos dogmas e nenhuma hierarquia.
Na prática, demonstra uma flexibilidade que vem ajudando
em sua propagação. A moda do esoterismo e da curiosidade
pelo sobrenatural, englobada sob a denominação genérica
de fenômenos da "nova era", é capitalizada com entusiasmo.
Os americanos Brian Weiss, autor de Muitas Vidas, Muitos
Mestres (quase 2 milhões de exemplares vendidos), e
James van Praagh, autor de Conversando com os Espíritos
(1,5 milhão de exemplares), por exemplo, são recebidos como
sumidades. Dão palestras em auditórios, centros de convenções
e centros espíritas. Embora não sejam kardecistas, são citados
como prova da veracidade e da universalidade da doutrina.
O mesmo aconteceu com filmes como Ghost e O Sexto
Sentido, com o famoso menino que vê "gente morta" –
ou espíritos desencarnados. "Um dos segredos do crescimento
do espiritismo é a incorporação de tudo o que diga respeito
a espíritos. Seus praticantes pegam temas em voga, como
terapia de vidas passadas ou fotografia da aura, e os analisam
sob a visão do kardecismo. Com isso, vão ganhando adeptos
entre aqueles que gostam de estar na moda", afirma o antropólogo
José Luiz dos Santos.
Embora professe fenômenos fantásticos, como
a possibilidade de viajar para outros mundos e falar com
mortos, quem procura o kardecismo em busca de emoções arrepiantes
sai decepcionado. Uma sessão espírita é como um "workshop".
Em geral, começa com uma palestra sobre um tema evangélico,
evolui para uma discussão amigável e termina com um "passe".
O passe é uma transmissão de energia que, crêem os adeptos,
ajuda a resolver problemas físicos, psicológicos e espirituais.
Não é preciso incorporar espíritos para dar o passe, embora
a energia venha deles. Não há, portanto, cenas empolgantes,
nem ao menos muito curiosas, numa sessão comum, daquelas
que as pessoas freqüentam semanalmente.
As sessões de cura espiritual ou de desobsessão,
mais instigantes, quase sempre são feitas em salas isoladas.
A desobsessão serve para afastar espíritos incômodos. Um
médium incorpora um espírito que tenta convencer o "espírito
errante" a abandonar sua vítima. Para a cura, além dos passes,
existem as cirurgias espirituais, propaladamente feitas
por espíritos de grandes médicos mortos. Mas depois de escândalos
como o de Rubens Faria Júnior, o mais recente incorporador
do famoso doutor Fritz e acusado de charlatanismo, as cirurgias
em que o corpo do paciente é aberto praticamente sumiram.
Restaram apenas as curas por energia. Vários centros agora
oferecem também sessões de cromoterapia, modismo esotérico
incorporado sem preconceito pelos kardecistas. Adaptar-se
aos tempos, afinal, é um preceito doutrinário do espiritismo.
Arthur Cavalieri/Strana
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Ana Araújo
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Ronaldo Gazolla
Médico e secretário de Saúde do Rio, ele recebe mensagens
de espíritos: há trinta anos era materialista convicto;
hoje, preside um centro
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General Cardoso
O ministro e médium faz parte de uma tradição nas
Forças Armadas: a Cruzada dos Militares Espíritas
foi fundada em 1944 e hoje abriga 5 000 adeptos
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Lourival Ribeiro
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Liane Neves
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Tande
O campeão olímpico de vôlei segue a religião desde
criança: mensagem recebida pelo pai, militar e médium,
já antecipava o futuro como esportista
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Carlos Albuquerque
O ex-ministro da Saúde de FHC procurou ajuda para
controlar a mediunidade: "Eu via os espíritos com
meus pacientes"
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O mundo, daqui e do além,
segundo o espiritismo
Para onde vamos
No livro Nosso Lar, psicografado por Chico
Xavier, é descrita a colônia espiritual para onde
vão os espíritos dos brasileiros que morrem. Tem formato
de estrela, localiza-se no céu, mais ou menos sobre
o Estado do Rio de Janeiro, e tem hospitais, escolas,
governo com ministérios e muita burocracia. Lá os
espíritos passam por um processo evolutivo e aguardam
até reencarnar mais uma vez.
Sofrimento
A dor, o sofrimento e as mazelas humanas são
conseqüência de maldades cometidas em outras
vidas. Nada fica impune. Quem morre sem reparar
os erros praticados carrega a pendência para
a próxima encarnação, na qual vai sofrer. Nessa
perspectiva, não há injustiça.
Jesus Cristo
É o espírito mais evoluído que já viveu na Terra.
Foi concebido fisicamente por José e Maria para difundir
ensinamentos espirituais. O que os católicos chamam
de milagres são fenômenos físicos, naturais aos espíritos
evoluídos.
Comunicação
com o além
A forma mais conhecida é a psicografia.
Os espíritos ditam mensagens aos médiuns, que
as escrevem automaticamente. Alguns dizem
que apenas o braço é tomado; outros, que vêem
legendas passando pela cabeça.
Viagem astral
Pessoas sensitivas podem transportar-se para outros
lugares sem levar o corpo consigo. Podem visitar lugares
no espaço onde vivem os espíritos ou viajar milhares
de quilômetros na Terra mesmo para, por exemplo, impedir
que alguém se suicide.
Extraterrestres
A existência de vida em outros planetas faz
parte da doutrina transmitida por Allan Kardec.
Pode haver planetas habitados por seres encarnados
em corpos, como na Terra, e também mundos em
que vivem espíritos desencarnados.
Homossexualismo
Um espírito que não sabe viver dentro do sexo
em que encarnou terá de reencarnar tantas vezes
quanto necessárias para aprender. Segundo
o presidente da Federação Espírita de São
Paulo, Durval Ciamponi: "É uma distorção comportamental
de alguém que teve muitas vidas passadas num
determinado sexo e tem dificuldade em se
adaptar a um corpo de outro sexo. Tem de corrigir".
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Mistura entre
os extremos
Harlingue-Viollet
 |
Edson Ruiz
 |
| O
início: mesas
girantes e pancadas na parede |
Pereira
Franco
Na terra dos orixás, o baiano é
o novo líder do espiritismo: 125 livros
e 7000 palestras |
Em 1848, as irmãs Margaret e Kate Fox começaram a
ouvir pancadas e ruídos vindos do chão e das paredes
de sua casa em Hydesville, no Estado de Nova York.
Intrigadas, estabeleceram um código com base no número
de batidas e receberam a informação de que quem produzia
os barulhos era o espírito de um homem assassinado
e enterrado debaixo da casa. O caso virou tema de
debates e investigações infindáveis. As irmãs Fox
percorreram vários países mostrando seu aparente poder
de comunicação com os espíritos. Na mesma época, na
Europa, o fenômeno das mesas girantes virou uma diversão
da burguesia. Ao colocar as mãos sobre a mesa, ela
se mexia. Devido à manifestação de espíritos, supunhase.
Depois, desenvolveu-se um método, com as letras do
alfabeto, para receber "respostas" das tais entidades.
Os cultos esotéricos pululavam num ambiente contraditório.
O cientificismo era o pano de fundo do pensamento
da época. O evolucionismo e o positivismo afloravam.
Ao mesmo tempo, a paixão pelo sobrenatural se propagava.
Das colônias orientais da França e Inglaterra chegavam
conceitos como corpo astral, energia vital, reencarnação
e carma. Em 1875, a russa Helena Blavatsky fundou
em Nova York a Sociedade Teosófica, que misturava
elementos do ocultismo com tradições indianas. O pedagogo
francês Hippolyte Rivail –
Allan Kardec, acreditava ele, era o nome que teve
em outra encarnação, como druida ou sacerdote celta
– tentou unir os dois
extremos: deu uma roupagem científica a esse furor
esotérico e criou o espiritismo, em 1857.
Na França, a doutrina feneceu. No Brasil, onde o
catolicismo dava destaque ao inexplicável e as culturas
indígena e africana abriam caminho às manifestações
de espíritos, o kardecismo vicejou. "Aqui se valorizou
o lado religioso de moralização, com ênfase na caridade
e no serviço dos passes ditos terapêuticos", explica
o sociólogo Antônio Flávio Pierucci, da USP. Ajudaram
a difundir o espiritismo médiuns famosos, como José
Arigó, que realizava cirurgias sob orientação do espírito
do doutor Fritz, e principalmente Chico Xavier. Hoje
um discípulo seu, Divaldo Pereira Franco, é o líder
mais popular. E justamente na Bahia dos orixás. Já
psicografou 500 espíritos e publicou 125 livros.
Anos depois de causar furor as irmãs Fox se
desmentiram. Disseram que os espíritos eram
invenção delas. No Brasil, ninguém
ligou.
|
Com reportagem de Eduardo
Nunomura, de São Paulo, Marcelo Carneiro,
do Rio de Janeiro, Leonardo Coutinho, de Belo Horizonte,
Monica Bidese,
de Porto Alegre, e Daniella Camargos, de Salvador
Saiba
mais |
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