Edição 1 659 - 26/7/2000

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Addio, compagno

O jornal italiano l'Unità
é um paciente terminal

Um dos orgulhos da esquerda institucional italiana está prestes a morrer: o jornal l'Unità, fundado em 1924 pelo filósofo marxista Antonio Gramsci e, ao longo de mais de meio século, órgão oficial do PCI, o extinto Partido Comunista daquele país. Atolado em dívidas que somam 35 milhões de dólares e com uma tiragem diária de menos de 50.000 exemplares, o jornal só continua a sair graças à insistência dos 200 profissionais que nele trabalham. A editora que o publicava foi liquidada na semana passada, numa operação que serviu para aliviar o caixa combalido do Partido Democrático de Esquerda, o ex-PCI, que detinha 25% das ações da empresa. l'Unità começou a definhar no início da década de 80, quando o diário romano La Repubblica se afirmou no panorama da grande imprensa italiana. Mais liberal do que o Corriere della Sera, editado em Milão e consumido por um público conservador, o concorrente roubou do l'Unità um expressivo contingente de leitores sem filiação partidária. Com a queda do Muro de Berlim e a posterior metamorfose do PCI numa agremiação social-democrata, sem órgão oficial, o jornal perdeu o lastro dos que o assinavam por militância. Para quem está acostumado à falta de massa cinzenta dos esquerdistas brasileiros, é difícil imaginar que uma publicação como l'Unità possa ter hospedado artigos inteligentes e debates realmente interessantes sobre o contexto europeu e mundial. Seu período áureo foi em meados dos anos 70, quando o jornal tinha uma circulação diária de 1 milhão de cópias. Naquela época, os comunistas italianos buscavam a "terceira via", um caminho diferente do seguido por stalinistas e trotskistas. Tudo isso agora é História. Para o bem ou para o mal, não importa, o capitalismo demonstrou ser tese, antítese e síntese.