Edição 1 659 - 26/7/2000

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A tolerância com a maconha

Capas de VEJA sobre drogas: preocupação permanente

Drogas é um assunto que preocupa cada vez mais a sociedade. Por essa razão, VEJA tem voltado ao tema com a freqüência que ele exige. Em três décadas, publicou centenas de reportagens sobre o assunto, das quais onze mereceram destaque de capa. Em algumas dessas ocasiões, a questão das drogas foi tratada no aspecto policial, relacionado ao narcotráfico. Em outras, a revista dedicou mais atenção ao aspecto comportamental envolvendo o uso dessas substâncias e efeitos que elas acarretam à saúde. Nesta semana, VEJA volta ao tema. Desta vez, o foco está no consumo de maconha entre os adolescentes.

Na década de 70, o uso da maconha esteve associado aos movimentos de contestação. Foi um dos ícones da cultura hippie. Hoje, a droga não carrega mais essa associação cultural que teve no passado. Já não serve de símbolo a nada. Mas há duas novidades importantes relacionadas a ela. A primeira é a maior aceitação pela sociedade do consumo desse tipo de droga de alguns anos para cá. Pais, professores e autoridades tratam o assunto com tolerância cada vez maior. A tal ponto que fumar maconha deixou de ser motivo para expulsão das escolas. Outro fato, esse preocupante, é que o crescimento do consumo se dá, principalmente, na faixa entre os 16 e 18 anos.

Em apenas duas décadas, a reação da sociedade em relação à erva pulou de um extremo a outro. Antes, um garoto pego com um cigarrinho de maconha corria o risco de ser preso e tratado como traficante. Tudo isso era um absurdo e é bom que tenha mudado. Ainda assim, o grau de tolerância atual deve ser tema de discussão. Embora os efeitos da maconha sejam menos dramáticos que o de drogas como cocaína, crack ou heroína, está provado que ela causa danos à saúde e alterações no comportamento. E isso deve merecer toda a atenção da sociedade.