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Edição 1 757 - 26 de junho de 2002
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DVD

Doris Day: "mais um dos rapazes"

Ardida como Pimenta (Calamity Jane, Estados Unidos, 1953. Warner) – Com sua voz redonda e melodiosa e seu jeito maroto, Doris Day é inesquecível no papel da fazendeira e pistoleira Calamity Jane, que os mineiros da pequena vila de Deadwood consideram apenas "mais um dos rapazes". O xerife Wild Bill Hickok (Howard Keel), porém, começa a mudar de opinião quando Calamity põe um vestido cor-de-rosa para ir a um baile. Trata-se de uma versão completamente ficcionalizada, mas deliciosa, da história desses dois personagens reais, que virariam símbolos do Velho Oeste, quando Bill montou seu celebérrimo Wild West Show – que chegou a contar com a presença do chefe sioux Touro Sentado. Os extras são fracos, mas o disco compensa essa falha com uma cópia gloriosa do technicolor original.

 

DISCOS

Heathen, David Bowie (Sony Music) – O cantor inglês passou as duas últimas décadas flertando com o funk, o rock pesado e o drum'n'bass, entre outros estilos musicais, e agora está de volta ao que sabe fazer melhor: melodias sóbrias, interpretadas com vozeirão encorpado. São os casos de Slow Burn,com participação de Pete Townshend, guitarrista do The Who, e de I Would Be Your Slave. Outro talento de Bowie está nas releituras – composições alheias soam como se fossem criadas pelo artista inglês. Isso ocorre em Cactus, do grupo americano Pixies, e I've Been Waiting for Your, gravada por Neil Young em 1969. Ambas ganharam tratamento refinado, com teclados saturados e solos de saxofone. O retorno de Bowie às origens inclui ainda a produção de Tony Visconti, responsável por alguns de seus melhores álbuns no passado – entre eles os clássicos Low, Heroes e Scary Monsters.

 
Divulgação
Sonic Youth: de volta ao velho e bom rock

Murray Street, Sonic Youth (Universal) ­ Um dos ícones do rock alternativo americano dos anos 80, o Sonic Youth teve seu trabalho contestado na década passada, quando abandonou o arroz-com-feijão e partiu para trabalhos experimentais difíceis de agüentar. Nesse álbum, o grupo retoma a sonoridade que lhe rendeu admiradores famosos como Kurt Cobain e o cantor Beck. As quatro primeiras faixas de Murray Street – nome da rua em que está localizado o estúdio do grupo e uma das localidades atingidas pela tragédia do dia 11 de setembro – são puro rock de garagem, com as guitarras de Lee Ranaldo, Thurston Moore e do novo integrante Jim O'Rourke. Em faixas como Sympathy for the Strawberry e Plastic Sun, o grupo volta a flertar com o experimentalismo – mas de forma divertida.

 

LIVROS

Dois Assassinatos em Minha Vida Dupla, de Josef Skvorecky (tradução de Zaida Maldonado; Record; 159 páginas; 19 reais) – A República Checa tem três escritores de renome internacional: Milan Kundera, Vaclav Havel e Josef Skvorecky. Perseguido pelo comunismo, Skvorecky há muito deixou o país natal, indo morar no Canadá. Nesse romance curioso, ele mistura elementos de autobiografia a uma trama policial. O protagonista do livro é um professor universitário, que ajuda a elucidar um assassinato no campus onde leciona ao mesmo tempo que defende sua mulher da acusação de ter sido uma informante da ditadura checa. Skvorecky nunca investigou um crime. Mas sua mulher, que ajudou vários autores do Leste Europeu a se tornarem conhecidos para além da Cortina de Ferro, sofreu perseguição semelhante à relatada no livro. Leia trechos do livro.

Correntezas, de Frances Fyfield (tradução de Celso Nogueira; Companhia das Letras; 320 páginas; 31 reais) – Uma das novas sensações do romance policial, a escritora inglesa Frances Fyfield é advogada criminal e chegou a colaborar com a polícia e com a promotoria de Londres na resolução de crimes. A experiência habilitou Fyfield na hora de criar personagens como os de Correntezas.O livro narra a história de Henry Evans, americano que volta para a cidadezinha de Warbling, na costa da Inglaterra, em busca de Francesca Chisholm, um amor de vinte anos atrás. Descobre, então, que ela está presa sob a acusação de ter afogado o filho de 5 anos. Evans decide provar a inocência da ex-namorada, mesmo que Francesca tenha confessado o crime e todas as provas estejam contra ela. Leia trechos do livro.

 

CINEMA

Diabinhos à moda antiga

Fotos divulgação
Stitch: Elvis não morreu?


Criado como arma de destruição por um cientista maluco do planeta Turan, o Experimento 626 acaba de fugir para a Terra. Os turanianos não dão muita bola para este lugar. Consideram-no uma reserva ecológica destinada a preservar, sobretudo, uma espécie: o mosquito. Mas o Experimento 626 não é algo que possa ficar solto no universo. É preciso capturá-lo. Acontece que o monstrengo é também esperto. Depois de aterrissar no Havaí, busca refúgio no lugar mais improvável: o colo de uma menininha, que o confunde com um cachorro esquisito e o adota com o nome de Stitch. A menina se chama Lilo e, pensando bem, tem um traço em comum com seu novo bichinho: é incontrolável. Por isso, um severo assistente social ameaça arrancá-la da irmã mais velha, com quem ela vive desde a morte dos pais. Como Lilo & Stitch (EUA, 2002), que estréia nesta sexta-feira no país, é um desenho animado da Disney, esse imbróglio todo certamente vai ter um final feliz. Mas, antes que o diabinho galáctico seja domado e os valores da família saiam vencedores, quanta diversão o filme tem a oferecer?

Bastante. Lilo & Stitch pertence a um grupo de desenhos da Disney do qual também fazem parte Aladdin e A Nova Onda do Imperador. Ou seja, tem humor acelerado e capricha no nonsense e na irreverência. O par de personagens centrais é um achado: embora sejam no fundo adoráveis, estão longe de ter comportamento-modelo. O filme fica devendo uma música-tema empolgante, mas compensa plenamente essa falha incorporando várias canções de Elvis Presley à sua trilha sonora. Isso certamente agradará aos pais, que, além disso, gostarão da forma delicada com que é pintada a relação entre as duas irmãs órfãs.

A menina Lilo e seu "cãozinho": incontroláveis

Resta falar da animação. Lilo & Stitch foi feito inteiramente com técnicas tradicionais. Nesse sentido, é um filme emblemático. Nos últimos anos, os desenhos infantis de longa-metragem passaram por uma revolução digital. A animação computadorizada recebe hoje os maiores investimentos e atrai os maiores públicos. Por isso, desenhos feitos à moda antiga ganharam um status mais modesto dentro dos próprios estúdios. Lilo & Stitch teve orçamento baixo, inferior aos 100 milhões de dólares que a Disney costumeiramente investe em seus animados. Visualmente, não vai surpreender ninguém. Mas prova que a animação tradicional está longe de perder sua graça.


Carlos Graieb

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva , Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Sicilianens/recomenda9c.gif" width="580" height="106">
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