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A vitória de Felipão

O treinador brasileiro se consagra com
a vitória sobre a seleção da Inglaterra

Carlos Maranhão, de Tóquio

 
AFP
O estilo Scolari: o torcedor número 1 se consagra como grande estrategista


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Já se disse a mesma coisa de Zagallo. Mas a definição não caía bem sobre o velho "Lobo dos gramados". Ela é perfeita para descrever a situação atual: "Com 170 milhões de treinadores, fomos escolher logo um torcedor para dirigir a seleção". À beira do gramado, Felipão é torcedor. Um tipo muito especial, mas um torcedor. A maneira como ele vibra ou como orienta os jogadores é típica da galera das arquibancadas. Não tem meios-termos nem polidez, e não há nenhuma sombra de dúvida em seu semblante sobre o acerto ou não de suas orientações. Ninguém as discute. Bem, ninguém é força de expressão. A imprensa não faz outra coisa. Quem não discute são os jogadores. O craque do time, Ronaldo, abaixou a cabeça e saiu de campo no jogo contra a Inglaterra ao primeiro comando de Felipão. Não houve queixas. Nem cara feia. Com seu estilo corajoso e alma de jogador, o técnico Luiz Felipe Scolari fez três apostas pesadas antes da Copa. Sem dar ouvidos aos que viam em Rivaldo apenas um jogador de clube e aos que duvidavam da recuperação de Ronaldo Nazário, cravou suas fichas nos dois. Seriam seus titulares e insistiria com eles até o fim. Em seguida, apesar do descrédito que cercava a seleção brasileira desde a péssima campanha nas eliminatórias, garantiu: "Vamos chegar entre os quatro primeiros". Na sexta-feira, emocionado como os milhões de brasileiros que comemoravam a vitória diante dos ingleses, Felipão saboreava o acerto de suas previsões. Elas se cumpriram em seqüência. O Brasil está na semifinal graças às ótimas atuações de sua dupla de atacantes, autora de dez dos quinze gols marcados pela equipe.

Contra a Inglaterra, Felipão viveu um dia de glória. O time perdia por 1 a 0, virou espetacularmente e, minutos depois, com a expulsão de Ronaldinho Gaúcho, viu-se diante da perspectiva de tudo desmoronar. Tendo um homem a menos e uma longa meia hora de sofrimento pela frente, como os tetracampeões poderiam resistir? "Viver para não morrer", filosofou Felipão ao ser perguntado sobre a estratégia que adotou a partir daquele momento. Sem ter dado à seleção um padrão de jogo definido e armado um esquema defensivo confiável, ele mostrou a partir dali o que sabe fazer de melhor: levantar o brio dos jogadores, comandar com determinação e ser pragmático. À base da catimba, um pouco de cera, muita garra e laterais plantados na marcação, o Brasil manteve o controle da partida e não permitiu a reação inglesa. "Eu treinei algumas vezes com dez jogadores, prevendo uma situação como essa, mas a imprensa não percebeu", lembrou. Ele foi ousado também ao trocar Ronaldo, que começava a cansar, pelo veloz Edílson. Agora, o técnico tem mais dois desafios pela frente. Por enquanto, ele não aposta novamente. Mas está confiante como nunca: "Acreditem, o Brasil pode conseguir muito mais". É uma tremenda vitória pessoal. Ao chegar à Copa, o futebol brasileiro era descrito como uma maravilha caótica, ou seja, um grupo de talentosos craques cujo desempenho poderia ser potencializado nas mãos de um treinador europeu. Na semana passada, Felipão era apontado como um grande estrategista. Nada mau para o torcedor número 1 do Brasil.

   
 
   
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