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Edição 1 757 - 26 de junho de 2002
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Quem contou tudo?

Novas pistas sobre a identidade
do homem que denunciou Nixon
há trinta anos

 

AP
Bernstein e Woodward: fonte secreta

No dia 17 de junho de 1972, cinco homens usando terno e gravata, óculos escuros, luvas cirúrgicas e com os bolsos forrados de dólares arrombaram o Comitê Nacional do Partido Democrata, localizado no Edifício Watergate, em Washington. Chamada por vigias, a polícia os prendeu às 2h30 da madrugada, quando tiravam fotos de papéis e checavam aparelhos de escuta instalados anteriormente. Os grandes jornais americanos publicaram reportagens logo em seguida ao arrombamento, mas o caso foi, aos poucos, perdendo espaço no noticiário por falta de fatos novos. A exceção foi o diário The Washington Post. Com base em informações fornecidas por uma fonte anônima, dois jovens repórteres do jornal, Bob Woodward e Carl Bernstein, descobriram que o presidente republicano Richard Nixon estava envolvido até o pescoço na espionagem do comitê do partido rival, o Democrata. Quanto mais tentava obstruir as investigações, mais Nixon se afundava no escândalo Watergate, até a humilhante renúncia, em 1974, para escapar do impeachment.

Nixon, que morreu em 1994, elegeu-se pela primeira vez em 1968. Foi na campanha pela reeleição que ele decidiu espionar e desestabilizar a campanha da oposição democrata. Um esforço que agora se sabe desnecessário, pois foi reeleito de forma espetacular, com 47 milhões de votos contra 29 milhões do adversário. Trinta anos depois, o grande mistério que persiste é a identidade da fonte anônima do periódico The Washington Post, conhecida como Garganta Profunda. É assombroso que se tenha conseguido manter nas sombras o nome do homem cujas revelações levaram à maior crise da história presidencial dos Estados Unidos. Só três pessoas poderiam identificá-lo. São os dois repórteres e o editor do Post Ben Bradlee, hoje aposentado. Na semana passada, Woodward reiterou que só dirá quem é o Garganta Profunda quando ele morrer ou permitir a divulgação. Periodicamente, surgem novas especulações sobre a identidade do informante.

Na semana passada, o anúncio de que o advogado John Dean, que foi assessor de Nixon na Casa Branca, iria revelar a identidade da fonte causou grande expectativa. Não foi desta vez, contudo, que se esclareceu completamente o mistério. Num livro publicado apenas em formato eletrônico, chamado Desmascarando Garganta Profunda, Dean diz ter reduzido o número de suspeitos a quatro nomes. Dois deles, Ray Price e Pat Buchanan, eram redatores de discursos do presidente Nixon. Buchanan, que fez carreira como comentarista político, é o mais conhecido e até foi candidato à Presidência com um programa ultraconservador, nos anos 90. Os outros são Steve Bull, assistente de Nixon, e Ron Ziegler, seu assessor de imprensa. John Dean foi um personagem importante no escândalo Watergate. Ele depôs contra Nixon – que o chamou de traidor – e passou 127 dias na prisão por ter ajudado a acobertar a conspiração. Entende-se, por isso, a busca obstinada do advogado pela identidade do Garganta Profunda. Esse personagem misterioso não apenas mudou a história dos Estados Unidos como também a própria vida de Dean. E, apesar de tudo, o mistério continua.

   
 
   
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