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Quem contou tudo?
Novas
pistas sobre a identidade
do homem que denunciou Nixon
há trinta anos
AP
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| Bernstein
e Woodward: fonte secreta |
No dia 17
de junho de 1972, cinco homens usando terno e gravata, óculos escuros,
luvas cirúrgicas e com os bolsos forrados de dólares arrombaram
o Comitê Nacional do Partido Democrata, localizado no Edifício
Watergate, em Washington. Chamada por vigias, a polícia os prendeu
às 2h30 da madrugada, quando tiravam fotos de papéis e checavam
aparelhos de escuta instalados anteriormente. Os grandes jornais americanos
publicaram reportagens logo em seguida ao arrombamento, mas o caso foi,
aos poucos, perdendo espaço no noticiário por falta de fatos
novos. A exceção foi o diário The Washington Post.
Com base em informações fornecidas por uma fonte anônima,
dois jovens repórteres do jornal, Bob Woodward e Carl Bernstein,
descobriram que o presidente republicano Richard Nixon estava envolvido
até o pescoço na espionagem do comitê do partido rival,
o Democrata. Quanto mais tentava obstruir as investigações,
mais Nixon se afundava no escândalo Watergate, até a humilhante
renúncia, em 1974, para escapar do impeachment.
Nixon, que
morreu em 1994, elegeu-se pela primeira vez em 1968. Foi na campanha pela
reeleição que ele decidiu espionar e desestabilizar a campanha
da oposição democrata. Um esforço que agora se sabe
desnecessário, pois foi reeleito de forma espetacular, com 47 milhões
de votos contra 29 milhões do adversário. Trinta anos depois,
o grande mistério que persiste é a identidade da fonte anônima
do periódico The Washington Post, conhecida como Garganta
Profunda. É assombroso que se tenha conseguido manter nas sombras
o nome do homem cujas revelações levaram à maior
crise da história presidencial dos Estados Unidos. Só três
pessoas poderiam identificá-lo. São os dois repórteres
e o editor do Post Ben Bradlee, hoje aposentado. Na semana passada,
Woodward reiterou que só dirá quem é o Garganta Profunda
quando ele morrer ou permitir a divulgação. Periodicamente,
surgem novas especulações sobre a identidade do informante.
Na semana
passada, o anúncio de que o advogado John Dean, que foi assessor
de Nixon na Casa Branca, iria revelar a identidade da fonte causou grande
expectativa. Não foi desta vez, contudo, que se esclareceu completamente
o mistério. Num livro publicado apenas em formato eletrônico,
chamado Desmascarando Garganta Profunda, Dean diz ter reduzido
o número de suspeitos a quatro nomes. Dois deles, Ray Price e Pat
Buchanan, eram redatores de discursos do presidente Nixon. Buchanan, que
fez carreira como comentarista político, é o mais conhecido
e até foi candidato à Presidência com um programa
ultraconservador, nos anos 90. Os outros são Steve Bull, assistente
de Nixon, e Ron Ziegler, seu assessor de imprensa. John Dean foi um personagem
importante no escândalo Watergate. Ele depôs contra Nixon
que o chamou de traidor e passou 127 dias na prisão
por ter ajudado a acobertar a conspiração. Entende-se, por
isso, a busca obstinada do advogado pela identidade do Garganta Profunda.
Esse personagem misterioso não apenas mudou a história dos
Estados Unidos como também a própria vida de Dean. E, apesar
de tudo, o mistério continua.
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