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tem avião
Salgado
Filho é o primeiro aeroporto a se
transformar em shopping center no Brasil
Divulgação

PORTO ALEGRE
Com
68 lojas, três cinemas e restaurante, é o primeiro shopping
center num aeroporto brasileiro |
Liane Neves
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A
maioria dos grandes aeroportos internacionais parece um shopping center,
tal a quantidade de lojas e restaurantes existente em suas dependências.
No Brasil, com exceção das lojas duty-free, o comércio
aeroportuário sempre foi minguado. O Salgado Filho, em Porto Alegre,
é um caso à parte. Ele foi transformado na primeira experiência
daquilo que a Infraero, a estatal que administra a quase totalidade dos
aeroportos brasileiros, apelidou de aero-shopping. Seu novo terminal,
inaugurado há nove meses, abriga 68 lojas, quatro lanchonetes,
um restaurante, uma clínica médica e um cinema multiplex
com três salas, o único na cidade com sessões pela
manhã. Tudo isso está localizado antes dos balcões
de check-in, para poder atender quem não vai viajar. O local já
se tornou um passeio concorrido na capital gaúcha. "Nos fins de
semana, pelo menos cinco ônibus de turistas param por aqui para
conhecer o aeroporto", diz Itamar de Toledo Colaço, superintendente
regional da Infraero. Os aeroportos do Recife, de Salvador, Brasília,
Cumbica, em São Paulo, e o Tom Jobim, no Rio de Janeiro, estão
em obras e também se encherão de lojas entre o término
deste ano e o início de 2003.
O conceito
de shopping em aeroportos é bem conhecido no exterior, com lojas
de maior porte na área de embarque. "Essa é a tendência
mais comum em grandes aeroportos, que funcionam como centros de conexão,
e não como destino final dos passageiros", observa José
Borelli Neto, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade
de São Paulo e especialista em projetos de terminais aeroportuários.
Nesses aeroportos, as lojas ficam na área destinada aos passageiros
em trânsito e vendem o que o país tem de melhor. No Charles
de Gaulle, em Paris, o forte são as marcas famosas, como Hermès
e Cartier, ao lado de filiais das Galeries Lafayette e Printemps, tradicionais
lojas de departamentos da cidade. Em Heathrow, o principal aeroporto de
Londres, há uma filial da Harrods, a loja de departamentos mais
conhecida da capital inglesa, onde são vendidos 10% do total de
perfume comercializado na Inglaterra. A razão é simples:
lá, o produto custa 40% mais barato que na rua. O uísque
escocês sai pela metade do preço. O ritmo de venda em Heathrow
é de uma garrafa a cada sete segundos.
Divulgação

CHARLES
DE GAULLE – PARIS
O forte do shopping no aeroporto são os produtos das grifes francesas,
como Cartier, Christofle e Hermès |
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Estudos internacionais
mostram que quem viaja a negócios gasta em média 100 dólares
em compras de última hora no aeroporto. O comércio tem peso
enorme no orçamento desses terminais. Mais da metade do 1,6 milhão
de dólares gastos por dia na manutenção do aeroporto
londrino é coberta pelo dinheiro que vem do aluguel das lojas.
O arrendamento de espaço comercial no Salgado Filho rendeu nos
primeiros quatro meses deste ano 4,65 milhões de reais. Representa
um terço de todo o faturamento e é maior que o lucro obtido
com a movimentação de carga. No conceito internacional,
em aeroportos menores, que funcionam sobretudo como destino final dos
passageiros, a área comercial deve ser instalada antes do balcão
do check-in. O objetivo é vender aos visitantes, funcionários
e acompanhantes, que não podem entrar no setor de embarque. A freqüência
nos terminais brasileiros obedece a outra lógica: a cada dois passageiros
que embarcam em Cumbica, o aeroporto mais movimentado do país,
aparecem três acompanhantes. Das 115.000
pessoas que ali circulam por dia, só 30% são passageiros.
É um público de causar inveja a qualquer shopping do mundo.
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