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Edição 1 757 - 26 de junho de 2002
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Só para solteiros

Pacotes turísticos com muita festa
e paquera, sob medida para quem
viaja desacompanhado

Rosana Zakabi

Heudes Regis

Erika (à dir.) em Parati: novos amigos


Veja também
Opções de pacotes de viagens para solteiros

Viajar sozinho tem seus percalços. A maioria dos pacotes turísticos foi idealizada para casais, famílias ou grupos de amigos. Como não divide o quarto de hotel, o mesmo passeio custa mais caro para o turista solitário. Durante a viagem, não é fácil se entrosar se o grupo é de casais e famílias. Conseqüência: o viajante pode ficar desenturmado e isolado. Nos últimos quatro anos, surgiram mais de vinte empresas oferecendo opções especialmente para os desacompanhados, o que pode ser uma solução para o problema de férias enfrentado pelos solteiros. Há desde passeios para Porto Seguro até temporadas em estações de esqui no Chile e cruzeiros sofisticados ao Caribe. Boa parte da programação é convencional, como caminhada ecológica durante o dia e jantar dançante. A diferença nos roteiros para solteiros são algumas festas mais ousadas, como noitadas em danceterias e o inevitável baile do pijama.

"Minhas férias nunca coincidem com as dos meus amigos e eu acabo ficando sem ter com quem passear", diz a promotora de vendas Silvia Regina Macedo Alves, de 28 anos, que mora em São Paulo. "Em excursões sempre vão muitos casais e eu ficava desenturmada." No ano passado, Silvia passou uma semana em um cruzeiro no Caribe só para solteiros, promovido pela agência de turismo Royal Caribbean. Aproveitava a piscina o dia inteiro e à noite ia à danceteria e ao cassino. "Havia agitação 24 horas por dia, não tinha como se entediar", conta Silvia. A Queensberry, uma das maiores agências do Brasil, está vendendo um cruzeiro ao Caribe com direito a festa do pijama, festa de Halloween, campeonatos de dança e de karaokê. A Designer Tours, de São Paulo, inclui concursos como Os Homens das Pernas Mais Bonitas e Miss Camiseta Molhada, no pacote para solteiros que prevê nove dias em Cuba. Os preços individuais para os dois passeios variam de 1.500 a 2.500 dólares.

 

Arquivo pessoal

Silvia em viagem ao Caribe: piscina durante o dia e festas à noite

Uma pesquisa recente encomendada pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) e pela Embratur revelou que mais de 1 milhão de brasileiros viajam sozinhos. O levantamento também mostrou que são mais exigentes e gastam, per capita, 20% mais que aqueles que viajam com a família. A maioria dos desacompanhados tem mais de 25 anos, já foi casado ou namorou por um período longo, possui curso superior e bom poder aquisitivo. Algumas agências mantêm uma espécie de clube para solteiros. Os associados recebem boletins informativos sobre a programação de novas viagens e são convidados para churrascos e jantares promovidos pelas empresas. "Notamos que os interesses de famílias e solteiros eram muito diferentes e isso causava conflito", diz Yolanda de Oliveira, dona da agência de turismo Terrazul, que tem 10.000 solteiros cadastrados em seu site na internet. "Enquanto os desacompanhados queriam festa, as famílias queriam dormir. Por isso, resolvemos separar."

A Terrazul faz de quatro a cinco viagens por mês a Minas Gerais, Rio de Janeiro e Florianópolis. Os preços variam de 230 a 260 reais por fim de semana e a programação inclui monitores que se encarregam de enturmar as pessoas no grupo. A psicóloga paulista Andreza Barone Finianos, de 25 anos, foi a uma dessas viagens no início do ano com a irmã, Débora Finianos, de 23 anos, e a amiga Erika Yasuda, de 22. "Eu havia acabado de terminar um longo namoro e estava me sentindo um pouco sozinha", diz ela, que passou um fim de semana em Parati com um grupo de solteiros. "Nós nos divertimos bastante e foi muito bom conhecer pessoas diferentes daquelas com quem convivemos no dia-a-dia."

Além dos solteiros que buscam apenas companhia e agitação, há os que enxergam nesses programas a oportunidade de encontrar um namoro mais sério. "É a melhor forma de conhecer gente bacana e com o mesmo nível social", diz o engenheiro eletrônico Luiz Fernando Sambiase, de 64 anos, que foi casado por 28 anos e está separado há quatro. No início de 2002, ele inscreveu-se no Table for Six, um clube paulista que promove viagens e jantares. "Os associados têm o mesmo objetivo de fazer amigos e, quem sabe, até arrumar namorado", conta a gerente de eventos Vera Sesso, de 46 anos, que também faz parte do clube.



   
 
   
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