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Só para solteiros
Pacotes
turísticos com muita festa
e paquera, sob medida para quem
viaja desacompanhado

Rosana Zakabi
Heudes Regis

Erika
(à dir.) em Parati: novos amigos |

Veja também |
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Viajar sozinho
tem seus percalços. A maioria dos pacotes turísticos foi
idealizada para casais, famílias ou grupos de amigos. Como não
divide o quarto de hotel, o mesmo passeio custa mais caro para o turista
solitário. Durante a viagem, não é fácil se
entrosar se o grupo é de casais e famílias. Conseqüência:
o viajante pode ficar desenturmado e isolado. Nos últimos quatro
anos, surgiram mais de vinte empresas oferecendo opções
especialmente para os desacompanhados, o que pode ser uma solução
para o problema de férias enfrentado pelos solteiros. Há
desde passeios para Porto Seguro até temporadas em estações
de esqui no Chile e cruzeiros sofisticados ao Caribe. Boa parte da programação
é convencional, como caminhada ecológica durante o dia e
jantar dançante. A diferença nos roteiros para solteiros
são algumas festas mais ousadas, como noitadas em danceterias e
o inevitável baile do pijama.
"Minhas
férias nunca coincidem com as dos meus amigos e eu acabo ficando
sem ter com quem passear", diz a promotora de vendas Silvia Regina
Macedo Alves, de 28 anos, que mora em São Paulo. "Em excursões
sempre vão muitos casais e eu ficava desenturmada." No ano
passado, Silvia passou uma semana em um cruzeiro no Caribe só para
solteiros, promovido pela agência de turismo Royal Caribbean. Aproveitava
a piscina o dia inteiro e à noite ia à danceteria e ao cassino.
"Havia agitação 24 horas por dia, não tinha
como se entediar", conta Silvia. A Queensberry, uma das maiores agências
do Brasil, está vendendo um cruzeiro ao Caribe com direito a festa
do pijama, festa de Halloween, campeonatos de dança e de karaokê.
A Designer Tours, de São Paulo, inclui concursos como Os Homens
das Pernas Mais Bonitas e Miss Camiseta Molhada, no pacote para solteiros
que prevê nove dias em Cuba. Os preços individuais para os
dois passeios variam de 1.500 a 2.500 dólares.
Arquivo pessoal

Silvia
em viagem ao Caribe: piscina durante o dia e festas à noite |
Uma pesquisa
recente encomendada pela Associação Brasileira de Agências
de Viagens (Abav) e pela Embratur revelou que mais de 1 milhão
de brasileiros viajam sozinhos. O levantamento também mostrou que
são mais exigentes e gastam, per capita, 20% mais que aqueles que
viajam com a família. A maioria dos desacompanhados tem mais de
25 anos, já foi casado ou namorou por um período longo,
possui curso superior e bom poder aquisitivo. Algumas agências mantêm
uma espécie de clube para solteiros. Os associados recebem boletins
informativos sobre a programação de novas viagens e são
convidados para churrascos e jantares promovidos pelas empresas. "Notamos
que os interesses de famílias e solteiros eram muito diferentes
e isso causava conflito", diz Yolanda de Oliveira, dona da agência
de turismo Terrazul, que tem 10.000 solteiros cadastrados em seu site
na internet. "Enquanto os desacompanhados queriam festa, as famílias
queriam dormir. Por isso, resolvemos separar."
A Terrazul
faz de quatro a cinco viagens por mês a Minas Gerais, Rio de Janeiro
e Florianópolis. Os preços variam de 230 a 260 reais por
fim de semana e a programação inclui monitores que se encarregam
de enturmar as pessoas no grupo. A psicóloga paulista Andreza Barone
Finianos, de 25 anos, foi a uma dessas viagens no início do ano
com a irmã, Débora Finianos, de 23 anos, e a amiga Erika
Yasuda, de 22. "Eu havia acabado de terminar um longo namoro e estava
me sentindo um pouco sozinha", diz ela, que passou um fim de semana
em Parati com um grupo de solteiros. "Nós nos divertimos bastante
e foi muito bom conhecer pessoas diferentes daquelas com quem convivemos
no dia-a-dia."
Além
dos solteiros que buscam apenas companhia e agitação, há
os que enxergam nesses programas a oportunidade de encontrar um namoro
mais sério. "É a melhor forma de conhecer gente bacana
e com o mesmo nível social", diz o engenheiro eletrônico
Luiz Fernando Sambiase, de 64 anos, que foi casado por 28 anos e está
separado há quatro. No início de 2002, ele inscreveu-se
no Table for Six, um clube paulista que promove viagens e jantares. "Os
associados têm o mesmo objetivo de fazer amigos e, quem sabe, até
arrumar namorado", conta a gerente de eventos Vera Sesso, de 46 anos,
que também faz parte do clube.
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