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Edição 1 757 - 26 de junho de 2002
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Eles querem guarda-costas

Seqüestros provocam aumento
na procura por pacotes de
proteção para executivos

Rosana Zakabi

O aumento dos casos de seqüestro está causando reviravolta nos negócios das empresas de segurança no Brasil. Até o fim do ano passado, 70% das solicitações de consultoria feitas à americana Kroll Associates, uma das maiores companhias especializadas em gerenciamento de riscos, relacionavam-se a assuntos corporativos, como fraudes internas e proteção de instalações. Apenas 30% se referiam à segurança de funcionários e sua família. Hoje, quase metade dos pedidos diz respeito à proteção pessoal. Na inglesa Control Risks, esse tipo de serviço dobrou nos últimos dois anos. A clientela não é somente de grandes companhias. Donos de empresas de porte médio também buscam auxílio dos especialistas, com medo de seqüestro. "Os executivos estão agora exigindo carro blindado e aulas de defesa pessoal", diz James Wygand, presidente da Control Risks para o Brasil e outros países da América do Sul.

A maioria dos pedidos é de São Paulo, onde o número de seqüestros cresceu 320% nos três primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2001. Mas também existem solicitações de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas. "Hoje há clientes que nos procuram somente para contratar serviços de segurança pessoal, o que era muito raro alguns anos atrás", observa Vagner D'Angelo, diretor da Kroll. Ao serem contratadas, as consultorias analisam o cotidiano do cliente, desde o momento em que sai de casa: ruas por onde trafega, locais que freqüenta, pessoas com quem convive no dia-a-dia. Depois fazem um relatório identificando os riscos a que ele e sua família estão expostos e indicam os pontos em que a segurança deve ser reforçada. Elas oferecem ainda curso de direção defensiva, no qual se aprende a fugir de assaltos e seqüestros no trânsito, e inspecionam a casa e o escritório do cliente, para orientá-lo na compra de equipamentos para proteger esses locais. O preço médio do pacote é de 20.000 dólares. Até o ano passado, a Kroll prestava serviços para oito grupos de estrangeiros por mês, cada um com quatro ou cinco executivos. O número caiu para dois grupos, com apenas dois integrantes em cada um. O motivo: por causa da insegurança, as empresas estrangeiras estão evitando enviar executivos para o Brasil.

 

Os pacotes de proteção pessoal passaram de 30% para 50% do total de negócios no Brasil da Kroll e da Control Risks, multinacionais especializadas em segurança empresarial

Os serviços incluem carros blindados, curso de direção defensiva e equipamentos de segurança na casa e no escritório

 

   
 
   
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