
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Cardápio
absolvido
Se você se incomoda com um negócio
chamado "índice
glicêmico", relaxe.
Ele não é tão ruim
Paula Beatriz Neiva

Veja também |
|
|
|
Os
defensores das dietas ricas em proteínas, como a do doutor Atkins,
afirmam que os grandes inimigos dos corpos esbeltos são os carboidratos.
A explicação para a condenação é que
eles contêm um alto índice glicêmico. Ou seja, depois
de digeridos, aumentam drasticamente as taxas de açúcar
no sangue. E, quanto mais açúcar, maior é a produção
do hormônio insulina. Em excesso, a insulina faz com que o organismo
retenha mais gordura e aumente o tamanho das células adiposas.
O resultado disso é a catástrofe das formas roliças
e o risco de desenvolvimento do diabetes e de doenças cardiovasculares.
O problema é que, no afã de perder peso, muita gente passou
a considerar o índice glicêmico a única referência
para determinar quais são os alimentos bons e os ruins. Com isso,
boa parte dos legumes e frutas essenciais à saúde
foi banida do cardápio. Preocupados com a importância
exagerada dada ao índice glicêmico, pesquisadores da Universidade
Harvard, nos Estados Unidos, começaram a questionar esse tipo de
avaliação.
"O
índice glicêmico é apenas um instrumento de pesquisa.
Ele nunca deveria ter saído dos laboratórios", diz o médico
David Ludwig, de Harvard. Faz sentido. Pegue-se o caso da cenoura. Ela
é tida como um alimento com índice glicêmico alto.
Maior até que o do sorvete de chocolate. Mas, para que esse valor
tivesse um efeito sobre o organismo, seria preciso comer uma quantidade
de legumes digna do coelho Pernalonga. Contra a ditadura do índice
glicêmico, existe mais um argumento. "Há de se levar em conta
o total calórico, o modo de preparo dos alimentos e a quantidade
de gordura saturada que possuem", alerta o endocrinologista Geraldo Medeiros,
professor da Universidade de São Paulo. Existem alimentos com baixo
índice glicêmico, mas com alto teor calórico. E outros
que, dependendo da maneira como são feitos, liberam açúcar
de uma forma menos danosa (veja quadro abaixo).
Para questionar a validade do uso do índice glicêmico no
dia-a-dia, os especialistas de Harvard apontam o fato de que o aumento
ou a diminuição das taxas de açúcar no sangue
dependem bastante das combinações alimentares. O índice
glicêmico do abacaxi, assim como o da maioria das frutas, é
alto. No entanto, se a fruta é ingerida depois da refeição,
a mistura dela com outros alimentos faz com que a liberação
de açúcar ocorra de maneira mais lenta e gradual, o que
impede o aumento excessivo dos seus níveis no sangue, a chamada
hiperglicemia. A hiperglicemia é ruim porque o corpo tende a responder
a ela com uma brusca queda nas taxas de açúcar. Esse processo
de sobe-e-desce resulta numa sensação maior de fome. Por
essa razão, os especialistas deixaram de recomendar que as pessoas
em dieta comam apenas uma fruta no lanche da tarde. "Hoje em dia, sugerimos
que o paciente sempre coma um pedaço de queijo branco ou tome um
iogurte junto com a fruta", diz Mariana Del Bosco Rodrigues, nutricionista
da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade. A velha
lição é dada mais uma vez: a boa dieta é aquela
em que se come de tudo um pouco.
|
CENOURA
Dê preferência à cenoura crua, pois
suas fibras aumentam o tempo de digestão do alimento. Combiná-la
com algumas folhas de alface e kani é também
uma boa pedida para retardar a liberação no sangue
do açúcar
MACARRÃO
Em geral, o melhor tipo de macarrão é o feito com
grão duro, que deve ser pouco cozido. Dessa forma, o alimento
demora mais a ser digerido, aumentando a sensação
de saciedade
ARROZ
A tradicional mistura arroz com feijão é
uma boa pedida para evitar que a taxa de açúcar no
sangue aumente depois da ingestão do grão. Antes condenado
pelos especialistas, o prato agora caiu nas graças dos nutricionistas
MELANCIA
Como a maioria das frutas, a melancia tem alto potencial
glicêmico. Ingerida sozinha, faz com que os níveis
de açúcar no sangue subam muito depressa e caiam na
mesma velocidade, o que aumenta a sensação de fome.
Para neutralizar esse efeito, é melhor comer antes uma fatia
de queijo branco ou tomar um iogurte
CROISSANT
O índice glicêmico do croissant é
menor do que o do pão francês - 99 contra 136. Mas
ele é mais calórico e grande parte das 207 calorias
contidas em 50 gramas de croissant vem sob a forma de gordura saturada,
a mais danosa à saúde
Fotos Mauro Holanda, Photodisc, Eduardo
Pozella e Jorge Butsuen
|
|
|
 |
|
 |

|
 |