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Edição 1 757 - 26 de junho de 2002
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A quinta geração dos Ford

Trineta do legendário Henry Ford
recebe a tarefa de recuperar
o prestígio da segunda maior
montadora de carros do mundo

Amauri Segalla

No mundo dos negócios, há uma estatística difícil de superar. Calcula-se que apenas 30% das grandes empresas permaneçam abertas depois que o fundador passa o controle da organização aos filhos. E somente 15% continuam vivas quando a terceira geração chega ao poder. Daí por que chama a atenção o que está acontecendo na Ford, companhia fundada em 1903 pelo legendário Henry Ford. Em novembro do ano passado, seu presidente, Jacques Nasser, foi demitido e no lugar assumiu William Clay Ford Junior, bisneto de Henry Ford. Agora, a empresa comandada por um membro da quarta geração dos Ford recebe um integrante da quinta. A trineta do patriarca, Elena Ford, acaba de entrar para o grupo na função de gerente com a tarefa de recuperar o prestígio da marca. No ano passado, a Ford enfrentou uma das maiores crises de sua história, com prejuízos da ordem de 5,5 bilhões de dólares. A imagem da empresa também ficou arranhada com as 174 mortes provocadas por acidentes com o utilitário Explorer, que a obrigaram a operar um mega-recall de 6,5 milhões de pneus Firestone que equipavam o modelo.

Nos últimos anos, as empresas passaram por intenso processo de reengenharia e modernização. Alguns estudiosos profetizaram que o comando familiar seria superado pela gestão dos executivos profissionais. Isso simplesmente não aconteceu. Quase a metade das 500 maiores companhias americanas é comandada por pessoas ligadas por laços de sangue às famílias que montaram o negócio. No Brasil, mais de 250 das 300 maiores empresas são dirigidas por parentes dos fundadores. A mudança que pode ser observada em seu cotidiano diz respeito à atitude dos parentes diretores, que são cada vez mais profissionais. Antigamente, um capitão de indústria sentia-se no direito de fazer o que bem entendesse com seu negócio. Isso já não é possível nos dias de hoje. Certa vez, voltando de uma viagem ao exterior, Henry Ford foi recebido em sua fábrica de Detroit com uma "surpresa" preparada por alguns executivos da companhia. Eles haviam feito um protótipo mais equipado de um carro já fabricado pela montadora. Ford ficou tão irritado com a sugestão que quebrou os faróis e o pára-brisa do veículo com um chute, depois subiu no teto e o amassou com pulos. Esse comportamento de botequim, adequado às primeiras décadas do século passado, seria inaceitável agora.

   
 
   
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