A quinta geração
dos Ford
Trineta
do legendário Henry Ford
recebe a tarefa de recuperar
o prestígio da segunda maior
montadora de carros do mundo
Amauri Segalla
No mundo
dos negócios, há uma estatística difícil de
superar. Calcula-se que apenas 30% das grandes empresas permaneçam
abertas depois que o fundador passa o controle da organização
aos filhos. E somente 15% continuam vivas quando a terceira geração
chega ao poder. Daí por que chama a atenção o que
está acontecendo na Ford, companhia fundada em 1903 pelo legendário
Henry Ford. Em novembro do ano passado, seu presidente, Jacques Nasser,
foi demitido e no lugar assumiu William Clay Ford Junior, bisneto de Henry
Ford. Agora, a empresa comandada por um membro da quarta geração
dos Ford recebe um integrante da quinta. A trineta do patriarca, Elena
Ford, acaba de entrar para o grupo na função de gerente
com a tarefa de recuperar o prestígio da marca. No ano passado,
a Ford enfrentou uma das maiores crises de sua história, com prejuízos
da ordem de 5,5 bilhões de dólares. A imagem da empresa
também ficou arranhada com as 174 mortes provocadas por acidentes
com o utilitário Explorer, que a obrigaram a operar um mega-recall
de 6,5 milhões de pneus Firestone que equipavam o modelo.
Nos últimos
anos, as empresas passaram por intenso processo de reengenharia e modernização.
Alguns estudiosos profetizaram que o comando familiar seria superado pela
gestão dos executivos profissionais. Isso simplesmente não
aconteceu. Quase a metade das 500 maiores companhias americanas é
comandada por pessoas ligadas por laços de sangue às famílias
que montaram o negócio. No Brasil, mais de 250 das 300 maiores
empresas são dirigidas por parentes dos fundadores. A mudança
que pode ser observada em seu cotidiano diz respeito à atitude
dos parentes diretores, que são cada vez mais profissionais. Antigamente,
um capitão de indústria sentia-se no direito de fazer o
que bem entendesse com seu negócio. Isso já não é
possível nos dias de hoje. Certa vez, voltando de uma viagem ao
exterior, Henry Ford foi recebido em sua fábrica de Detroit com
uma "surpresa" preparada por alguns executivos da companhia. Eles haviam
feito um protótipo mais equipado de um carro já fabricado
pela montadora. Ford ficou tão irritado com a sugestão que
quebrou os faróis e o pára-brisa do veículo com um
chute, depois subiu no teto e o amassou com pulos. Esse comportamento
de botequim, adequado às primeiras décadas do século
passado, seria inaceitável agora.
|