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Edição 1 757 - 26 de junho de 2002
Brasil Minas Gerais

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Topete mágico

Sem querer, Itamar deu
ordem à sucessão mineira

Conhecido por fazer tudo errado, mas sempre acertando milagrosamente na conta final, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, está outra vez no meio de um de seus lances esquisitos. Depois de voltar ao PMDB, em março de 2001, postulou de tudo: quis ser candidato a presidente do PMDB, tentou lançar-se ao Palácio do Planalto, cogitou aliar-se ao tucano José Serra, teve conversas com Ciro Gomes e foi cortejado pelo petista Luís Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, Itamar pensou em disputar a reeleição ao governo de Minas e depois ao Senado. Em meio a tudo isso, ameaçou sair do PMDB e arrastou asa para o PDT de Leonel Brizola, mas acabou ficando no partido, do qual, na semana passada, finalmente anunciou seu desligamento – e, resumo da ópera: não será candidato a cargo algum. Como já formalizou sua saída do PMDB, Itamar não pode concorrer a nada, nem mesmo se Newton Cardoso, aspirante ao Palácio da Liberdade, desistir da campanha. Depois de dezembro, quando deixar o governo de Minas, Itamar ficará sem mandato.

O saldo das piruetas de Itamar, no entanto, fez com que uma multidão de outras peças políticas se encaixasse. Ao desistir de concorrer à reeleição, derrotado por Newton Cardoso numa convenção à qual o governador nem sequer compareceu, Itamar acabou por viabilizar a candidatura do deputado tucano Aécio Neves. Relutante quanto a suas chances de se eleger, Aécio vinha insinuando que a candidatura deveria caber ao tucano Eduardo Azeredo. Azeredo, no entanto, já estava convencido a disputar o Senado, não gostou da idéia de voltar a disputar o governo e ameaçava criar um tremendo mal-estar dentro do PSDB mineiro. A saída de Itamar do páreo facilitou tudo. Aécio Neves ficou animado com a candidatura ao governo e aceitou-a com o aval de Itamar. Também recebeu o apoio do deputado Roberto Brant, do PFL, outro que pretendia concorrer ao governo e desistiu diante de tantas novidades. Estabeleceu-se, assim, a aliança PSDB-PFL, que, com o reforço de Itamar, tentará isolar e derrotar o PMDB de Newtão – e assim tudo se arrumou de um jeito peculiarmente mineiro.

Para manter a birra contra o governo federal, particularmente contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, Itamar anunciou apoio ao candidato petista, Luís Inácio Lula da Silva. O governador não vê contradição alguma em apoiar um tucano para o governo de Minas e um petista para a Presidência da República. Dentro de sua ótica pessoal, não há contradição mesmo. As posições que adotou na semana passada respondem simetricamente a seus ressentimentos – contra o presidente Fernando Henrique Cardoso e contra Newtão, que o tirou do páreo da reeleição. "O problema de Itamar é que ele faz política com ódio", diz um alto membro da campanha de José Serra, para explicar as posições do governador. E, para piorar a situação, seu ódio costuma mudar de alvo de tempos em tempos.

 
 
   
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