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Topete mágico
Sem querer,
Itamar deu
ordem à sucessão mineira
Conhecido
por fazer tudo errado, mas sempre acertando milagrosamente na conta final,
o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, está outra vez no
meio de um de seus lances esquisitos. Depois de voltar ao PMDB, em março
de 2001, postulou de tudo: quis ser candidato a presidente do PMDB, tentou
lançar-se ao Palácio do Planalto, cogitou aliar-se ao tucano
José Serra, teve conversas com Ciro Gomes e foi cortejado pelo
petista Luís Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, Itamar
pensou em disputar a reeleição ao governo de Minas e depois
ao Senado. Em meio a tudo isso, ameaçou sair do PMDB e arrastou
asa para o PDT de Leonel Brizola, mas acabou ficando no partido, do qual,
na semana passada, finalmente anunciou seu desligamento e, resumo
da ópera: não será candidato a cargo algum. Como
já formalizou sua saída do PMDB, Itamar não pode
concorrer a nada, nem mesmo se Newton Cardoso, aspirante ao Palácio
da Liberdade, desistir da campanha. Depois de dezembro, quando deixar
o governo de Minas, Itamar ficará sem mandato.
O saldo
das piruetas de Itamar, no entanto, fez com que uma multidão de
outras peças políticas se encaixasse. Ao desistir de concorrer
à reeleição, derrotado por Newton Cardoso numa convenção
à qual o governador nem sequer compareceu, Itamar acabou por viabilizar
a candidatura do deputado tucano Aécio Neves. Relutante quanto
a suas chances de se eleger, Aécio vinha insinuando que a candidatura
deveria caber ao tucano Eduardo Azeredo. Azeredo, no entanto, já
estava convencido a disputar o Senado, não gostou da idéia
de voltar a disputar o governo e ameaçava criar um tremendo mal-estar
dentro do PSDB mineiro. A saída de Itamar do páreo facilitou
tudo. Aécio Neves ficou animado com a candidatura ao governo e
aceitou-a com o aval de Itamar. Também recebeu o apoio do deputado
Roberto Brant, do PFL, outro que pretendia concorrer ao governo e desistiu
diante de tantas novidades. Estabeleceu-se, assim, a aliança PSDB-PFL,
que, com o reforço de Itamar, tentará isolar e derrotar
o PMDB de Newtão e assim tudo se arrumou de um jeito peculiarmente
mineiro.
Para manter
a birra contra o governo federal, particularmente contra o presidente
Fernando Henrique Cardoso, Itamar anunciou apoio ao candidato petista,
Luís Inácio Lula da Silva. O governador não vê
contradição alguma em apoiar um tucano para o governo de
Minas e um petista para a Presidência da República. Dentro
de sua ótica pessoal, não há contradição
mesmo. As posições que adotou na semana passada respondem
simetricamente a seus ressentimentos contra o presidente Fernando
Henrique Cardoso e contra Newtão, que o tirou do páreo da
reeleição. "O problema de Itamar é que ele faz política
com ódio", diz um alto membro da campanha de José Serra,
para explicar as posições do governador. E, para piorar
a situação, seu ódio costuma mudar de alvo de tempos
em tempos.
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