Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 757 - 26 de junho de 2002
Brasil Sucessão

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
 

O nervosismo continua
Propina na prefeitura do PT
Enfim, o PT sela aliança com o PL
Uma bancada sob suspeita
O ziguezague de Itamar

Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Deu trabalho, mas
Lula atraiu o capital

Numa tacada de marketing, o PT
se alia ao PL e lança como vice
José Alencar, um senador bilionário

Maurício Lima

 

Sergio Lima/Folha Imagem
Lula, feliz com seu novo aliado, o PL: opção por passar uma nova imagem ao eleitorado

O PT conseguiu afinal o que queria. O partido socialista de Luís Inácio Lula da Silva aliou-se oficialmente na semana passada ao conservador Partido Liberal, aquele que tem entre seus membros um batalhão de pastores evangélicos e como figura mais visível um industrial bilionário de Minas Gerais, o senador José Alencar. Em política, especialmente na brasileira, alianças esdrúxulas são comuns. No caso do PT com o PL, o acontecimento é mais notável. Pela primeira vez em sua história, o partido de Lula deixa de ser uma ostra esquerdista nas eleições presidenciais. Nas outras vezes, andava em companhia apenas dos radicais de sempre, como o PC do B. Agora, Lula entrega o lugar de candidato a vice em sua chapa ao senador José Alencar e abraça o Partido Liberal, uma legenda que tem o hábito de se aliar a forças como PFL, PPB e PSDB. O acordo, que precisa ser formalizado nas convenções das duas agremiações, garantirá a Luís Inácio Lula da Silva mais um minuto e 24 segundos de tempo de televisão por dia e o apoio de uma bancada de 22 deputados federais e um senador. O principal ganho do PT é outro. Em campanhas anteriores, o PT teve mais partidos compondo sua coligação, mais tempo de TV e base de apoio parlamentar maior que a atual. O objetivo central dessa união com o PL é transmitir ao eleitorado a mensagem de que Lula mudou e deixou para trás o coração sectário que sempre caracterizou os petistas. Vai funcionar junto ao eleitorado?

A escolha é uma grande jogada publicitária nesta eleição marcada justamente por jogadas publicitárias. Na propaganda de TV do PL, José Alencar vem sendo apresentado como "o patrão que o Brasil precisa". Isso porque, segundo o programa, ele oferece cestas básicas e assistência médico-odontológica a todos os seus 16.500 funcionários, além de educação aos filhos deles. Alencar tem uma vantagem. Ele não está fingindo que é um São Francisco de Assis entre os industriais. Sua empresa, a têxtil Coteminas, não tem como política pagar salários acima dos de mercado. "Pagamos o que podemos pagar e ponto. Não somos perdulários. Se algum empregado não estiver satisfeito, nós não o seguramos. Até porque em nossas empresas não temos trabalho escravo", diz José Alencar. Distribuição de lucros? Isso não é com ele. Se o funcionário recebe salário, já está participando do crescimento da companhia. E quem não estiver contente pode ir bater em outra porta.

A história dos vices na atual campanha tem apresentado uma peculiaridade. Serra escolheu a peemedebista Rita Camata, uma parlamentar atuante mas que, durante o mandato, votou sistematicamente contra todas as principais propostas do governo. Nesse sentido, Rita se encaixaria até melhor na chapa de Lula. Já José Alencar parece ter perfil mais adequado para compor a chapa de Serra. Ele é um homem do capitalismo moderno – e da produtividade máxima. Em suas fábricas, adota o mais alto grau da robotização, optando sempre que possível pela automação em detrimento da força de trabalho humana e despedindo mão-de-obra qualificada. É uma estratégia que gera desemprego e viola uma das teorias sagradas do PT, a de proteger o trabalho humano. Em Minas Gerais, Alencar possui uma fábrica moderníssima, com 752 teares eletrônicos a jato de ar, que são dez vezes mais rápidos que os comuns movidos a lançadeiras.

Foi graças ao empenho pessoal de Alencar e do próprio Lula que a coligação PT-PL não naufragou na semana passada. Com uma sucessão de incompatibilidades nos diretórios regionais dos dois partidos, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a escrever uma nota oficial na qual prometia apoio apenas informal ao PT e lamentava não formalizar a aliança. Alencar pediu mais 24 horas, o próprio Lula esteve em Brasília e, depois de uma reunião de quatro horas com os principais dirigentes dos dois partidos, o quadro foi revertido. Decidiu-se que as duas executivas nacionais enquadrariam os rebeldes nos Estados a qualquer custo. Inclusive com intervenções nos diretórios regionais, se necessário. "A aliança não estava saindo de baixo para cima. Foi preciso que se invertesse o processo de entendimento e se fizesse de cima para baixo", diz João Paulo Cunha, líder do PT na Câmara dos Deputados.

As definições da semana passada deram contornos mais nítidos à sucessão presidencial. Primeiro, foi a consagração do esperado acordo entre o PSDB e o PMDB que ratificou a chapa com José Serra como presidente e a deputada federal Rita Camata como vice. Em seguida, foi a vez de o PT dar um passo importante ao praticamente formalizar o acordo com o PL e anunciar José Alencar como vice. Com a confirmação da Frente Trabalhista de Ciro Gomes, reunindo PTB, PPS e PDT, e a oficialização de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, como vice, três das quatro principais chapas já estão definidas com coligações formalizadas e vices indicados. O único entre as grandes candidaturas que ainda não conseguiu indicar o vice foi Anthony Garotinho. E não foi por falta de tentativa. Garotinho já convidou um desembargador, dois deputados federais, um deputado estadual e um economista. Até agora, ninguém aceitou.

Com reportagem de José Edward,
de Belo Horizonte

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS