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Deu trabalho, mas
Lula atraiu o capital
Numa tacada
de marketing, o PT
se alia ao PL e lança como vice
José Alencar, um senador bilionário

Maurício
Lima
Sergio Lima/Folha Imagem
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| Lula,
feliz com seu novo aliado, o PL: opção por passar uma
nova imagem ao eleitorado |
O PT conseguiu
afinal o que queria. O partido socialista de Luís Inácio
Lula da Silva aliou-se oficialmente na semana passada ao conservador Partido
Liberal, aquele que tem entre seus membros um batalhão de pastores
evangélicos e como figura mais visível um industrial bilionário
de Minas Gerais, o senador José Alencar. Em política, especialmente
na brasileira, alianças esdrúxulas são comuns. No
caso do PT com o PL, o acontecimento é mais notável. Pela
primeira vez em sua história, o partido de Lula deixa de ser uma
ostra esquerdista nas eleições presidenciais. Nas outras
vezes, andava em companhia apenas dos radicais de sempre, como o PC do
B. Agora, Lula entrega o lugar de candidato a vice em sua chapa ao senador
José Alencar e abraça o Partido Liberal, uma legenda que
tem o hábito de se aliar a forças como PFL, PPB e PSDB.
O acordo, que precisa ser formalizado nas convenções das
duas agremiações, garantirá a Luís Inácio
Lula da Silva mais um minuto e 24 segundos de tempo de televisão
por dia e o apoio de uma bancada de 22 deputados federais e um senador.
O principal ganho do PT é outro. Em campanhas anteriores, o PT
teve mais partidos compondo sua coligação, mais tempo de
TV e base de apoio parlamentar maior que a atual. O objetivo central dessa
união com o PL é transmitir ao eleitorado a mensagem de
que Lula mudou e deixou para trás o coração sectário
que sempre caracterizou os petistas. Vai funcionar junto ao eleitorado?
A escolha
é uma grande jogada publicitária nesta eleição
marcada justamente por jogadas publicitárias. Na propaganda de
TV do PL, José Alencar vem sendo apresentado como "o patrão
que o Brasil precisa". Isso porque, segundo o programa, ele oferece cestas
básicas e assistência médico-odontológica a
todos os seus 16.500 funcionários, além
de educação aos filhos deles. Alencar tem uma vantagem.
Ele não está fingindo que é um São Francisco
de Assis entre os industriais. Sua empresa, a têxtil Coteminas,
não tem como política pagar salários acima dos de
mercado. "Pagamos o que podemos pagar e ponto. Não somos perdulários.
Se algum empregado não estiver satisfeito, nós não
o seguramos. Até porque em nossas empresas não temos trabalho
escravo", diz José Alencar. Distribuição de lucros?
Isso não é com ele. Se o funcionário recebe salário,
já está participando do crescimento da companhia. E quem
não estiver contente pode ir bater em outra porta.
A história
dos vices na atual campanha tem apresentado uma peculiaridade. Serra escolheu
a peemedebista Rita Camata, uma parlamentar atuante mas que, durante o
mandato, votou sistematicamente contra todas as principais propostas do
governo. Nesse sentido, Rita se encaixaria até melhor na chapa
de Lula. Já José Alencar parece ter perfil mais adequado
para compor a chapa de Serra. Ele é um homem do capitalismo moderno
e da produtividade máxima. Em suas fábricas, adota
o mais alto grau da robotização, optando sempre que possível
pela automação em detrimento da força de trabalho
humana e despedindo mão-de-obra qualificada. É uma estratégia
que gera desemprego e viola uma das teorias sagradas do PT, a de proteger
o trabalho humano. Em Minas Gerais, Alencar possui uma fábrica
moderníssima, com 752 teares eletrônicos a jato de ar, que
são dez vezes mais rápidos que os comuns movidos a lançadeiras.
Foi graças
ao empenho pessoal de Alencar e do próprio Lula que a coligação
PT-PL não naufragou na semana passada. Com uma sucessão
de incompatibilidades nos diretórios regionais dos dois partidos,
o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a escrever uma nota oficial
na qual prometia apoio apenas informal ao PT e lamentava não formalizar
a aliança. Alencar pediu mais 24 horas, o próprio Lula esteve
em Brasília e, depois de uma reunião de quatro horas com
os principais dirigentes dos dois partidos, o quadro foi revertido. Decidiu-se
que as duas executivas nacionais enquadrariam os rebeldes nos Estados
a qualquer custo. Inclusive com intervenções nos diretórios
regionais, se necessário. "A aliança não estava saindo
de baixo para cima. Foi preciso que se invertesse o processo de entendimento
e se fizesse de cima para baixo", diz João Paulo Cunha, líder
do PT na Câmara dos Deputados.
As definições
da semana passada deram contornos mais nítidos à sucessão
presidencial. Primeiro, foi a consagração do esperado acordo
entre o PSDB e o PMDB que ratificou a chapa com José Serra como
presidente e a deputada federal Rita Camata como vice. Em seguida, foi
a vez de o PT dar um passo importante ao praticamente formalizar o acordo
com o PL e anunciar José Alencar como vice. Com a confirmação
da Frente Trabalhista de Ciro Gomes, reunindo PTB, PPS e PDT, e a oficialização
de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, como vice, três das quatro
principais chapas já estão definidas com coligações
formalizadas e vices indicados. O único entre as grandes candidaturas
que ainda não conseguiu indicar o vice foi Anthony Garotinho. E
não foi por falta de tentativa. Garotinho já convidou um
desembargador, dois deputados federais, um deputado estadual e um economista.
Até agora, ninguém aceitou.
Com
reportagem de
José Edward,
de Belo Horizonte
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