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A rebelião dos tímidos
Especialistas ensinam a superar
o temor de falar em público e a
vencer inibições no trabalho e
na vida social
Sérgio Ruiz e Alice Granato
Ilustrações: Negreiros
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Os tempos estão ruins para os tímidos, a começar pelo trabalho. As empresas
esperam que cada funcionário seja um vendedor de idéias desinibido. E
querem que ele participe de tarefas em grupo –
se possível, que as lidere. Na escola, o acanhado também leva a pior.
Pela moderna cartilha pedagógica, os estudantes devem fazer apresentações
públicas de seus trabalhos e discutir as contribuições dos colegas. Na
vida social, é a velha história. A todo momento, a turma sai para um chope,
há festas em que se deve parecer alegre e expansivo. Há ainda o desafio
de conquistar aqueles espécimes aparentemente inatingíveis do sexo oposto.
É, a vida pode ser dura para a pessoa que se preocupa demais com a opinião
dos outros. Veja um inibido no momento do suplício, quando ele precisa
falar em público ou está tentando insinuar-se numa paquera. Que tragédia.
As mãos suam e o coração dispara. O rosto se ruboriza, as pernas ficam
trêmulas e o estômago se contrai. Fica mais visível a dificuldade da vítima
em manter contato visual prolongado com os outros. "O tímido é alguém
que se sente ameaçado, desconfortável e tenso em situações que são agradáveis
para as demais pessoas", define com precisão o psicólogo francês Christophe
André, autor do livro O Medo dos Outros.
A melhor notícia é que nunca houve tanto alívio à disposição. A timidez,
antes considerada uma característica pessoal tão imutável quanto a cor
dos olhos, hoje é vista como um distúrbio que nos casos mais incômodos
precisa – e pode –
ser tratada. Segundo os especialistas, se a pessoa se sente incomodada
pela timidez ela deve procurar ajuda, mesmo porque pode ser ajudada. Pelas
estatísticas, é grande o número de candidatos ao socorro especializado.
Informa a genética que 20% das pessoas nascem tímidas. A medicina sabe
também que da legião de inibidos cerca de 2% vão desenvolver ao longo
da vida a forma aguda de timidez chamada fobia social. Isso é outra coisa
bem diferente. É uma doença tratada com drogas antidepressivas e cujos
sintomas são constrangedores, a ponto de os pacientes não conseguirem
assinar um cheque na frente do caixa do banco e se sentirem tão acuados
que perdem a voz diante de um motorista de táxi.
A maioria dos tímidos, obviamente, não é doente. São apenas pessoas ansiosas
que têm mais dificuldade e menos vontade de se expressar do que os extrovertidos.
"São pessoas normais que, de certa forma, vão levando a vida social aos
trancos e barrancos, esquivando-se dos vizinhos, evitando festas e limitando
o contato com os amigos ao mínimo possível", diz Lynne Henderson, psicóloga
da Clínica de Tímidos de Palo Alto, na Califórnia. "Para elas também existem
soluções simples que dispensam até mesmo o acompanhamento profissional."
Henderson sugere que os tímidos tentem contrariar sua natureza, expor-se
mais e, principalmente, parar de pensar que estão sendo observados. "As
outras pessoas não são juízes implacáveis de seus atos, suas roupas e
palavras", diz a psicóloga. "Pense que nem todas as mulheres são princesas
do convívio social e que o mais seguro dos homens pode escorregar." Os
especialistas sustentam que a timidez é um distúrbio cuja solução está
ao alcance das pessoas, e tudo que é preciso fazer é dar o primeiro passo,
admitindo o desconforto. A timidez seria, do ponto de vista médico, como
uma unha encravada. Ou seja, um problema escondido, doloroso, de solução
simples mas que, às vezes, pode ser paralisante.
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"O tímido quer fazer uma coisa, sabe fazer, mas não consegue", afirma
o psicólogo americano Philip Zimbardo, autor do livro Timidez, o que
É e o que Fazer. Vai a festas e tem um bom estoque de coisas para
conversar – até o momento em que se vê no
meio de um grupo. Na sala de aula, tem a resposta certa para a pergunta
do professor, está louco para mostrar que sabe, mas sua sabedoria se esfuma
diante da decisão de levantar a mão. "Este é o tímido. Ele é contido por
uma voz interior que diz: cuidado, você vai fazer um papelão, os outros
vão rir de você. Será muito melhor se você não for visto nem ouvido",
diz Zimbardo. O drama do tímido nunca é a falta de armas para enfrentar
os embates da vida. É apenas a falta de coragem no momento de apresentar
suas armas. Pelo que se descobriu recentemente sobre a inibição, vale
a pena buscar ajuda. O tímido vive perdendo, de oportunidades a dinheiro.
Pesquisas revelam que eles ganham, em média, 10% menos que a média dos
assalariados que não são prejudicados pela inibição. Sabe-se ainda que
os tímidos evoluem mais vagarosamente na carreira, são menos instruídos
e têm até mais tendência a sofrer de alergias.
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Em termos profissionais, a inibição se manifesta como um intruso disposto
a incomodar antes mesmo do primeiro registro na carteira de trabalho.
O sintoma mais precoce e freqüente – e o
mais fácil de ser controlado por meio de treinamento –
é o medo de falar em público. Enfrentar uma platéia é o grande desafio
para os tímidos, dos brandos aos crônicos. "As empresas querem cada vez
mais profissionais que, além de ter boa formação, sejam também autoconfiantes,
animados e positivos", diz Thomas Case, presidente do Grupo Catho, empresa
de recrutamento e seleção de executivos. Além de ser competente, o candidato
deve ter boas idéias e ser articulado para apresentá-las. Com a ajuda
de vídeos, Case treina seus candidatos para a entrevista de recrutamento.
"Um truque simples é não desviar o olhar dos olhos do entrevistador",
ensina. "Raramente uma pessoa tem uma segunda chance de causar boa impressão."
A psicóloga paulista Alice Carrozzo também se especializou em atender
profissionais que enfrentam problemas no ambiente de trabalho por causa
da retração. Alice trabalha tanto a mente como o corpo de seus acanhados.
"O tímido costuma olhar para o chão, apresenta-se todo curvado e a voz
sai trêmula. Ensino-os a olhar para cima, a falar com voz firme e a manter
o corpo ereto."

Foto: Raul Júnior
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| A modelo Thaís Casagrande, que perdeu
um concurso porque teve vergonha de desfilar: "Hoje consigo trabalhar
normalmente, mas ainda me sinto pouco à vontade num meio onde
todos são extrovertidos" |
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Pessoas que perdem ótimas oportunidades profissionais por causa da timidez
sentem-se ainda mais culpadas. A secretária paulista Neusa Maria Santos,
37 anos, por exemplo, formou-se em geografia, mas sentiu durante um estágio
que seria incapaz de dar aulas. "Eu ficava perturbada, com a sensação
de que os estudantes não estavam me levando a sério", conta. Depois dessa
experiência, abandonou a carreira. Há cinco anos, porém, recebeu um convite
irrecusável para trabalhar num dos melhores colégios de São Paulo. Depois
de enfrentar os primeiros dias da rotina do novo trabalho, ela pensou
seriamente em desistir. "Não conseguia abrir a boca nas reuniões e saía
da sala com os joelhos machucados, de tanto bater um contra o outro debaixo
da mesa", lembra. "Era uma angústia terrível, pois eu me sentia capaz
de exercer a função, mas estava perdendo espaço por causa da timidez."
Aos poucos, Neusa encontrou uma forma de resolver o conflito. Começou
a anotar numa agenda os pontos que precisava abordar nas reuniões e passou
a fazer algumas pequenas intervenções. Ao sentir que suas idéias eram
bem recebidas, ganhou confiança. "Eu ainda fico vermelha e com as mãos
geladas nesses encontros, mas respiro fundo e quebro o bloqueio.
" Nas últimas duas décadas, período em que a timidez passou a ser considerada
um distúrbio tratável, surgiram os especialistas em inibição. É um mercado
com suas peculiaridades. Na Clínica do Amor e Timidez, criada no começo
do ano em São Paulo, o grupo de oito psicólogos responsáveis pelo empreendimento
ainda não concluiu se vale ou não a pena colocar um luminoso anunciando
os serviços na fachada do local. "Estamos em dúvida se isso pode espantar
clientes muito tímidos", diz Sérgio André Segundo, um dos profissionais
da clínica. A forma de atuação da equipe é bastante curiosa. Uma parte
importante da terapia são os chamados "trabalhos de campo". É o nome que
se dá a tarefas externas executadas pelos pacientes para ajudar no processo
de recuperação da auto-estima. Um dos procedimentos comuns, por exemplo,
consiste em fazer com que uma pessoa com dificuldade em iniciar um relacionamento
amoroso enfrente o problema. Para não provocar choques, o trabalho é feito
em etapas. Primeiro, um paciente recebe a tarefa de pedir na rua uma simples
informação a uma mulher. Na etapa seguinte, ele deve tentar manter uma
conversa de alguns minutos com uma desconhecida. O teste final é abordar
uma garota num bar. "Não é um treinamento para transformar ninguém em
um dom-juan", explica Sérgio André Segundo. "Fazemos isso apenas para
os pacientes perceberem que não é o fim do mundo ouvir um não como resposta."
Foto: Raul Júnior
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| O empresário André Carlos
Amaral fez curso de teatro e entrou na terapia para vencer a inibição:
"Sou assediado, tenho coragem para convidar as mulheres para
sair, mas fico só conversando, conversando..." |
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Apesar de conviver desde a infância com um problema de timidez crônica,
o empresário André Carlos Amaral, 55 anos, um dos clientes da clínica,
só resolveu procurar ajuda recentemente, quando colocou o ponto final
num casamento de vinte anos. "Sempre fui covarde para encarar o problema,
mas resolvi enfrentá-lo porque estava com medo de ficar sozinho." O primeiro
passo foi entrar para um curso de teatro. Estreou nos palcos no ano passado,
fazendo o papel de inspetor numa peça com enredo policial. Não foi fácil.
Antes da primeira fala, ele começou a sentir sonolência e dor de cabeça.
"Eu fiquei tão nervoso que desmaiei e só recobrei a consciência no final,
ouvindo os aplausos da platéia", conta. A prática teatral controlou sua
inibição para falar em público. Mas não funcionou para fazê-lo perder
a timidez em outras áreas. Ele continua com problemas no campo afetivo.
Foi exatamente por essa razão que André resolveu recorrer à terapia. "Sou
até assediado pelas mulheres, mas não aproveito", afirma. "Fico apenas
conversando, conversando..."
Esconder-se atrás de um disfarce foi a saída para outra inibida, a atriz
carioca Denise Fraga, 34 anos. Ela aprendeu a dissimular a timidez com
as personagens que representa. Denise fica com as bochechas e orelhas
vermelhas quando tem de ser Denise. "Acho que meus colegas de escola não
acreditaram quando me tornei atriz, porque eu entrava muda e saía calada
da classe", diz. "Tinha dificuldade em ouvir minha própria voz." A profissão
obviamente ajudou Denise a se soltar, mas ainda assim ela diz "morrer
de vergonha" quando é reconhecida por fãs na rua. "Tenho vontade de abrir
um buraco no chão e entrar", confessa. "Não consigo dizer nenhuma palavra
além de obrigada."
Muito se aprendeu sobre a anatomia da timidez nesses vinte anos em que
ela vem sendo estudada. Antes, os psicólogos faziam uma salada geral nessa
área. Não se sabia distinguir o que era timidez de uma teia de sintomas
muito parecidos, como nervosismo, introversão, insegurança e mesmo covardia.
Timidez não é nada disso. Com a palavra a literatura: "Os tímidos raramente
são grandes pecadores. Eles sempre deixam a sociedade em paz", escreveu
o escritor polonês Isaac Bashevis Singer, ganhador do Nobel de Literatura
de 1978. Grande parte da timidez que cada um carrega vem do berço. A hereditariedade
tem um papel nesse campo. Pais tímidos geram filhos tímidos. Mas crianças
tímidas nem sempre se transformam em adultos inibidos. Um estudo do psicólogo
Jerome Kagan, da Universidade Harvard, mostrou que 70% das crianças com
alto grau de timidez superam o problema antes de atingir os 7 anos com
ou sem tratamento – ainda que conservem um
temperamento mais tranqüilo e submisso.
Os
tratamentos funcionam. O gaúcho Gustavo Terra Lanzetta, de 9 anos, nunca
se esquece do dia em que entrou na escola de teatro. De tanta vergonha,
apareceu na sala de aula se agarrando nas pernas da mãe, que o matriculou
ali para ajudá-lo a tentar vencer a timidez. "Não queria ficar sozinho
de jeito nenhum", diz ele. O mesmo acontecia na escola, onde preferia
ficar isolado nos cantos a puxar papo com os colegas. Hoje, um ano e meio
depois da matrícula na Casa do Teatro, dirigida pela atriz Lígia Cortez,
em São Paulo, Gustavo está bem mais à vontade. No fim do ano passado,
conseguiu uma proeza. Subiu ao palco e representou um garoto tímido, assim
como ele na vida real. Depois do sucesso com a platéia, ganhou coragem
suficiente para declarar-se "apaixonado" por uma colega de classe.
Edson Vara
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| Chamada de "mongolona" pelos colegas,
a gaúcha Helena mudou de escola, cortou e pintou os cabelos
e desafiou a timidez: "Meus novos amigos dizem que sou meio maluca,
mas me respeitam. Falam de mim, mas não falam mal" |
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Os tratamentos para timidez, todos muito eficientes, variam de acordo
com a gravidade dos sintomas. Para as fobias os médicos passaram a receitar
uma cápsula, o Aropax ou o Luvox. Tradicionalmente, a psicanálise é uma
opção para quem não busca resultados imediatos e quer sondar os mistérios
da mente. Para a maioria dos casos, a psicoterapia é ainda a saída mais
buscada. Ao longo de seis meses de sessões, garantem os especialistas,
é possível fazer com que a pessoa consiga controlar seus bloqueios. "Quando
está interessado em alguém, o tímido tende a supervalorizar as qualidades
da outra pessoa e menosprezar as suas", afirma o psicólogo Ailton Amélio
Silva, especialista em relacionamento amoroso. A psicoterapia o ensina
a encarar com maior realismo e enxergar os defeitos do outro e, assim,
facilitar a abordagem. Nos casos mais brandos bastam algumas regras básicas
de auto-ajuda, como respirar fundo, relaxar e aprender técnicas de meditação
que ajudem a limpar a mente de pensamentos negativos. A timidez situacional,
aquela que se refere a uma situação específica, como falar em público,
quase sempre se resolve com treinamento especializado (veja
quadro).
"Não se deve tratar uma criança apenas porque ela é mais reservada", opina
Márcio Bernik, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.
Bernik aconselha a qualquer tímido procurar auxílio profissional somente
quando o rendimento na escola cai a níveis incompatíveis ou no momento
em que o desempenho profissional é prejudicado de maneira irremediável
– ou se o convívio social se torna um fardo
insuportável. Os especialistas recomendam aos pais que estejam mais atentos
aos filhos tímidos na adolescência. Isso porque, segundo as estatísticas,
é entre os 15 e os 18 anos que a timidez crônica controlável pode mais
facilmente transformar-se em fobia social –
aquela doença que exige tratamento com remédio. A adolescência é sempre
um período de maior instabilidade, em que as fragilidades afloram.
Foto: Raul Júnior
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| Fernando Giroldo, Tieza Tissi
e Antônio Lucas Pires, alunos do Colégio Equipe, de São
Paulo: tímidos não dão trabalho na escola. Mas
é mais difícil criar espaços para eles do que
impor limites aos mais insubordinados |
Por ser, em geral, alunos bem-comportados, ter bom rendimento, que não
se destacam nem para o bem nem para o mal, os tímidos costumam ser ignorados
pelos professores. São raras as escolas com estrutura especial de atendimento
aos tímidos. "É mais fácil impor limites do que criar espaços", diz Luciana
Fevorini, orientadora pedagógica no Colégio Equipe de São Paulo. Os tímidos
sabem disso melhor do que ninguém.
O movimento dos sem voz

Para a maioria das pessoas, falar em público é a mais intimidante
das situações. Numa famosa pesquisa americana alguns entrevistados
disseram temer mais o desafio de fazer um discurso, dar uma palestra
ou defender o ponto de vista numa reunião de trabalho do que a própria
morte. O exagero ajuda a ilustrar o pânico que muita gente tem de
ser o centro das atenções. Os psicólogos conhecem bem o que se passa
na cabeça de quem não é do ramo e se vê forçado pelas circunstâncias
a enfrentar o microfone. "A platéia parece mais ameaçadora
do que realmente é. Bem a sua frente se sentará o chefe e logo ao
lado o colega que está puxando seu tapete", descreve o economista
paulista Reinaldo Polito, 48 anos, que se especializou em treinar
pessoas para esse momento torturante. Continua Polito: "A voz
tende a baixar de volume, todo ruído soa como provocação dos ouvintes
e paira o risco de dar um branco a qualquer momento". Autor
do livro Como Falar Corretamente e sem Inibições, com 65
edições e 300 000 exemplares vendidos, Polito em 24 anos de cursos transformou
milhares de ex-tímidos em oradores bastante razoáveis.
O primeiro desafio do especialista em transformar inibidos em comunicadores
é teórico. Ele procura convencer o futuro conferencista de que o
nervosismo nessa situação é comum a quase todo mundo. Só uma minoria
de pessoas, cerca de 7% segundo os especialistas, nasce pronta para
o palco. É gente com o magnetismo de Silvio Santos, a memória e
o desembaraço de Fidel Castro ou o carisma e a clareza de um lendário
orador, o primeiro-ministro inglês Winston Churchill. "Para
a maioria dos mortais a saída é uma só: treino, treino e treino",
ensina Polito.
Antes de procurar ajuda profissional, ele sugere tentar algumas
técnicas simples, como ler antes pelo menos dez vezes o texto que
se vai falar. Em seguida, ajuda muito repeti-lo na frente dos parentes,
gravar o próprio desempenho em vídeo e continuar o exercício até
achar que o resultado está aceitável. É fundamental também saber
em detalhes como será a apresentação, a duração, o local, o tipo
de público e se haverá uma sessão de perguntas e respostas no final.
A idéia é reduzir ao máximo as surpresas, pois o novo sempre provoca
ansiedade. "Quando estiver ao microfone, lembre-se de que é
preferível gesticular pouco a exagerar", arremata o especialista.
Se depois de tudo o futuro orador ainda achar que vai tremer, Polito
ensina um truque: "Cole as folhas do discurso num cartão rígido,
em vez de em papel comum. A tremedeira será menos notada".
A seguir, seis pessoas famosas que venceram o terror de se apresentar
em público contam seus segredos ao microfone.
Lair Ribeiro, 53 anos, neurolingüista:
"Fico concentrado nas pessoas que estão sentadas nas fileiras
laterais ou no fundo da platéia. Quem escolhe esses lugares geralmente
não está muito interessado no assunto. Saio da tribuna e caminho
entre aquelas fileiras. Dessa forma, os distraídos ficam intimidados
e param de conversar".
Tales Castelo Branco, 63 anos, advogado:
"Bani o improviso do meu discurso. Escrevo o discurso e ensaio
as palavras durante minhas caminhadas. Quem me vê na rua acha que
estou louco, mas a prática provou que a estratégia é eficiente".
Vanusa, 51 anos, cantora:
"Tive de fazer uma série de palestras no ano passado por ocasião
do lançamento de meu livro. Na primeira palestra, entrei em pânico
e não consegui me lembrar de nada do que tinha de falar. Saí de
lá direto para fazer um curso. O treino em vídeo é fantástico. Você
consegue ver todos os seus defeitos e percebe em que tem de melhorar.
Escrever um roteiro com os tópicos da palestra ajuda muito. Depois
disso me apresentei em seis cidades sem problemas".
Osmar de Oliveira, 55 anos, médico e narrador esportivo:
"Venci o bloqueio que tinha para falar em público imitando
os gestos e o discurso do ex-presidente Jânio Quadros, um dos melhores
oradores da época".
Hamilton Proto, 67 anos, ex-juiz e advogado:
"Timidez sempre foi um obstáculo na minha vida. Conheci minha
mulher em 1948 e só tive coragem de falar com ela em 1956. Nos tribunais
também era complicado: chegava a ter disenteria de tão nervoso.
Nas aulas que dava na Fundação Getúlio Vargas, olhava apenas para
a testa dos alunos. Até que fiz um curso e venci a timidez. Um dos
meus truques é olhar bem nos olhos das pessoas".
José Genoíno, 53 anos, deputado federal:
"Prefiro não escrever o discurso. A pessoa fica tão concentrada
no papel que sua fala soa mecânica. Faço um pequeno roteiro da palestra
e o memorizo momentos antes da apresentação. Sempre funciona".
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Com reportagem de Daniella Camargos,
de Belo Horizonte,
e Cristine Prestes, de Porto Alegre

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