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Uma reportagem desta edição de VEJA revela os contornos reais de uma tragédia infantil que há semanas comove o Brasil. Os repórteres da revista conseguiram, com exclusividade, entrevistar a procuradora de Justiça carioca aposentada Vera Lúcia de SantAnna, finalmente presa, há duas semanas, depois de uma intensa caçada policial. Ela é acusada de torturar barbaramente durante 29 dias uma menina de 2 anos que pretendia adotar. A reportagem mostra que o drama dessa criança poderia ter sido evitado se os critérios da legislação brasileira de adoção fossem mais rigorosos e abrangentes. A lei exige que a pessoa interessada em adotar demonstre, por meio de entrevistas, capacidade psicológica para receber uma criança em sua casa e informe à Justiça se responde a processos criminais. Vera Lúcia, que apresenta traços inequívocos de personalidade psicótica, conseguiu a guarda provisória da menina mesmo tendo quinze passagens anteriores pela polícia sem que nenhuma delas tenha evoluído para a fase judicial. Crianças e recém-nascidos brasileiros abandonados têm na adoção a única chance efetiva de felicidade. O caso da procuradora carioca deveria ser um marco a partir do qual nunca mais essa oportunidade seja por desrespeito à lei, seja por deficiência da própria legislação possa ser destruída no Brasil. |