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• Televisão: Glee: a nova série de Ryan MurphyLivrosO sucesso do editor popJorge Oakim era um economista sem experiência no
mercado livreiro.
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Ernani
dAlmeida![]() |
| MUITAS
CORES Jorge Oakim, o editor da série Crepúsculo: expansão nas vendas e na sede da editora |
No jargão das artes gráficas, "quatro
cores" é sinônimo de "multicolorido". Refere-se às
tintas ciano, magenta, amarelo e preto, que, combinadas, compõem todas
as demais cores. No fim de 2003, quando estava para lançar o primeiro título
de sua editora o escandaloso Hell, romance da francesa Lolita Pille
que falava do comportamento desregrado das adolescentes ricas de Paris ,
o economista carioca Jorge Oakim conversava com o responsável pela impressão
do livro quando este perguntou se a capa teria quatro cores. "Não,
não, vai ter muito mais", replicou Oakim, orgulhoso. O episódio
ilustra a ousadia (ou a temeridade) do empresário que se lançava
em uma área sem sequer dominar seu vocabulário básico. Passados
menos de sete anos, porém, a editora de Oakim surge como uma das mais competitivas
do país. Hoje associada à Sextante, a Intrínseca tem uma
bela lista de best-sellers ocupa cinco posições na relação
de mais vendidos em ficção de VEJA nesta semana, e já chegou
a ocupar sete delas.
O sucesso recente da Intrínseca está amparado sobretudo em duas séries juvenis da fantasia Crepúsculo, a saga romântico-vampiresca de Stephenie Meyer, e O Ladrão de Raios, estrelada pelos semideuses adolescentes criados por Rick Riordan. Na origem, porém, Oakim pensava em fundar uma editora dedicada à não ficção. Formado em economia pela PUC do Rio, em 1994, ele trabalhou brevemente no mercado financeiro. "Era muito infeliz", lembra. Depois, dedicou-se a administrar negócios imobiliários, também sem entusiasmo. Fundar uma editora era sua ideia fixa. "Eu gostava do ambiente das livrarias, de ver os lançamentos expostos. Queria fazer uma editora pop, mais de mercado", diz. E foi exatamente essa editora pop, agressiva no marketing e na compra de direitos autorais que ele montou.
Seu primeiro lance ousado ocorreu em 2002, na Feira de Frankfurt, o mais importante evento mundial do mercado livreiro. Oakim foi lá, na cara e na coragem, só para descobrir que as reuniões de negócios eram marcadas com antecedência. Mesmo assim, acertou a compra dos direitos de Hell. O salto da Intrínseca se deu em 2007, com A Menina que Roubava Livros, romance do australiano Markus Zusak que venderia mais de 1 milhão de exemplares. O acordo com os irmãos Marcos e Tomás Pereira, da Sextante, que adquiriram 50% da Intrínseca, permitiu que a editora expandisse as tiragens do novo best-seller, para atender à demanda. "A Sextante me possibilitou uma colocação mais agressiva no mercado. E nós temos filosofias parecidas", diz Oakim. Marcos Pereira concorda: "O negócio foi uma oportunidade de reconhecer o talento de um editor que é parecido conosco".
Nas próximas semanas, a Intrínseca está se mudando de uma simpática mas acanhada casinha na Gávea para um escritório de 290 metros quadrados em um prédio comercial no mesmo bairro. A expansão física responde ao impressionante aumento das vendas: de 725 000 exemplares em 2008 para 3,8 milhões em 2009 (marca que deve ser superada neste ano: até aqui, contabiliza-se 1,6 milhão de livros). O carro-chefe é a série Crepúsculo, cujos quatro títulos venderam 4,5 milhões de exemplares. A nova aposta da editora, recém-chegada às livrarias, é outro título juvenil com um pé na fantasia: Sussurro, de Becca Fitzpatrick, espécie de Crepúsculo com anjos no lugar de vampiros. Oakim, no entanto, resiste à ideia de classificar a Intrínseca como um selo juvenil: nesta semana, está lançando A Economia das Crises, de Nouriel Roubine, economista americano conhecido por seus prognósticos pessimistas. Mas, quando indagado sobre seus livros preferidos, Oakim cita sem hesitar O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger, e O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. Não é só a editora que tem espírito jovem, enfim o editor também.