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• Televisão: Glee: a nova série de Ryan MurphyComportamentoO show do bebêCom um serviço
conhecido como baby brother, as maternidades
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Oscar Cabral![]() |
| Na
mira das câmeras A carioca Maria Alice, no primeiro dia de vida: choros, espirros e trocas de fralda vistos por toda a família no computador |
Algumas das melhores maternidades do país começam a oferecer um serviço que chama atenção pelo completo inusitado: trata-se da transmissão dos partos via internet e em tempo real como um reality show. Em certos casos, o bebê segue na mira das câmeras no período em que permanece no berçário, tendo todo e qualquer espirro, choro e troca de fralda exibidos na rede sob vários ângulos e com imagem de cinema. A atração ganhou até apelido: ela é conhecida como web berço ou ainda como baby brother, esse último numa referência ao programa de TV Big Brother. Nessas maternidades, o número de partos e recém-nascidos acompanhados no universo on-line já ombreia com o de procedimentos feitos longe dos holofotes um dado impressionante, considerando que o serviço se disseminou há não mais que dois ou três meses. A maioria dos pais que fazem essa opção justifica-a por ter família e amigos vivendo em cidades distantes. As câmeras lhes dão a chance única de compartilhar tais momentos. "Nunca experimentei emoção igual", resume a estudante paulista Talyta Pinheiro, 29 anos, hoje na Espanha, que assistiu, com os olhos fixos na tela do laptop, ao nascimento do primeiro sobrinho. Nem os pais nem as mães parecem se preocupar muito com a invasão da intimidade um fato que salta aos olhos dos especialistas. Diz a psicóloga Ceres Araujo: "A ultraexposição, proporcionada por novas tecnologias, é uma marca dos nossos tempos. O conceito de privacidade mudou".
A exibição do parto em rede divide os médicos. A controvérsia diz respeito justamente à presença das câmeras em plena sala de parto momento em que inúmeros imprevistos podem acontecer. Estima-se que em 10% dos casos ocorram complicações de algum tipo, desde aquelas de natureza mais simples, como um breve mal-estar da mãe, até situações delicadas e realmente graves. Amparados pelos conselhos regionais de medicina, os hospitais que dispõem do serviço seguem certos protocolos para transmitir o nascimento dos bebês: nunca o fazem, por exemplo, com mães cuja gravidez é considerada de risco. Se ocorrer algo fora do planejado durante o parto, a exibição é cancelada na hora. Outro consenso é que as câmeras devem enquadrar a mãe da região dos ombros para cima, sendo posicionadas de modo a não captar cortes nem pontos. Ainda assim, entre os bons médicos há quem desaprove o baby brother, lançando mão de argumentos como o do obstetra Eduardo Cordioli, coordenador da maternidade do Hospital Albert Einstein, em São Paulo: "Trata-se de um ato cirúrgico, e as câmeras podem desviar a atenção da equipe". Os defensores da exibição se concentram nos benefícios já constatados. "Cercada de cuidados, a transmissão de um nascimento só aproxima as famílias e ajuda a aplacar a ansiedade de quem está longe", diz Márcia Maria da Costa, obstetra do Hospital São Luiz, também de São Paulo, um dos adeptos do parto on-line.
Alexandre Bschneider![]() |
| Unidos
na hora do parto A família Ichi, no Hospital São Luiz, em São Paulo: emoção com o nascimento de Lucas, em frente ao laptop |
Serviços como o web berço surgem num contexto em que as boas maternidades de grandes cidades brasileiras estão às voltas com uma competição para atrair clientes que jamais foi tão acirrada. Ela se explica, em grande parte, por uma questão de cunho demográfico: os índices de natalidade no Brasil vêm caindo consideravelmente nas últimas cinco décadas. Para se ter uma ideia, nos anos 1960 as brasileiras tinham, em média, seis filhos três vezes o número atual. É, portanto, nesse mercado que só encolhe que a guerra por espaço entre as maternidades extrapola o campo científico propriamente dito. Diz o economista Heles Soares Junior, especialista em gestão hospitalar da PUC de Minas Gerais: "As maternidades de ponta já entenderam que, para se diferenciar, precisam não apenas dispor do que há de melhor na ciência. Elas devem prestar também atendimento digno de hotel". Nesse cenário, os hospitais oferecem cursos em que os pais de primeira viagem aprendem a trocar fraldas e ministrar mamadeiras, a comida tipicamente insossa dá lugar a menus mais aprazíveis e massagistas ficam de prontidão para atender as mães (e os pais) sob stress.
De dez anos para cá, muitas maternidades começaram a instalar circuitos internos que permitem a observação do berçário por parte dos pais em tempo integral. Só agora, no entanto, as imagens passaram à internet sendo produzidas por meio de um aparato que inclui um provedor próprio para distribuir o conteúdo e mais de uma dezena de câmeras de altíssima resolução. O acesso a elas é possível somente mediante uma senha, distribuída pela família. Na semana passada, parentes da publicitária Rosângela Ichi, 45 anos, assistiam, emocionados, ao nascimento de Lucas, debruçados sobre dois laptops na sala de espera do Hospital São Luiz. "O primeiro contato da mãe com o bebê é uma cena inesquecível", dizia Mara Pastore, cunhada da publicitária. O fato de os bebês permanecerem na mira das câmeras produz episódios, no mínimo, curiosos como o que relata o professor Fábio Franco, 32 anos, pai da pequena Maria Alice, que nasceu na Clínica Perinatal, do Rio de Janeiro. No meio da noite, Franco recebeu o telefonema de uma prima que, agitada, perguntava: "Onde foi parar a Maria Alice?". Nesse instante longe das câmeras a menina estava nos braços da mãe.
Divulgação![]() |
| Com
restrições A mãe só é filmada da região dos ombros para cima, como mostra a foto acima: nada de cortes nem pontos cirúrgicos |