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• Televisão: Glee: a nova série de Ryan MurphyBelezaLindos. E bons de votoA estética
privilegiada é um incentivo inicial para atrair o eleitor.
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| Fotos Fernando
Bizerra Jr/BG, Polaris/Other Images, John
Aggelilo/Upi/Other Images, Brian Adams/Contour by Getty Images e Herwig Vergult/Corbis/Latin Stock ![]() |
| Aceita
um santinho? Para eles, testa ampla e queixo quadrado, vide Faria, Brown, Romney e Correa. Para elas, Sarah |
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O comediante e apresentador Jay Leno resumiu certa vez de maneira provocante: "Política é o show business dos feios". Não demorou nada e a política começou a ficar realmente mais próxima do show business, projetando pessoas bem-falantes e bem ajeitadas, que tanto poderiam estar num comício quanto num BBB. Em outras palavras, Sarah Palin. Sarah saiu do muito pouco (era governadora do Alasca, remoto e gelado estado que tem o Canadá no meio) para a notoriedade total ao ser escolhida candidata a vice-presidente na chapa de John McCain, em 2008. Mac quem? Pois é, nem todos se lembram do senador derrotado por Barack Obama, mas é difícil tirar Sarah da cabeça. Ela é hoje uma respeitável força política, além de máquina de fazer dinheiro (entre livro, palestras e TV, já se aproximou dos 12 milhões de dólares). Por quê? Certamente porque é mulher, briguenta e carismática, além de falar o que a direita mais conservadora quer ouvir. E também porque é bonita e sexy, no estilo bibliotecária do interior. E tem as pernas ah, as pernas, festejadas abertamente pelos republicanos, cobiçadas em segredo pelos obamistas. Num mundo em que todos querem ser belos, a política atrai os esteticamente privilegiados em número crescente e lhes dá um bom empurrão inicial. Depois, seu desempenho tende a ser julgado por padrões mais comuns.
Pelo critério beleza, por exemplo, a deslumbrante Ségolène Royal, 56 conservadíssimos anos, jamais perderia uma eleição para Nicolas Sarkozy, como aconteceu na França em 2007 (talvez traumatizado pelo déficit estético, ele depois o compensou conquistando Carla Bruni). Igualmente bela, e ainda por cima rica, a ex-primeira-ministra ucraniana Yulia Tymoshenko, 49, reinventou-se como camponesa fashion (trança em volta da cabeça e guarda-roupa de grife todo em tons claros), mas a aura de santa do pau oco não a salvou de um momento de baixa na conturbada política nacional. Loira e de olhos azuis, a deputada peruana Luciana León, 31 anos, brilha em votações na internet e não tem comissão do Congresso que não anseie por sua encantadora presença. Todas as citadas até agora têm carreira por méritos próprios, com a beleza correndo por fora. O oposto, portanto, do comitê central de bonitonas montado na Itália pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Escolhidas pelo critério da aparência e colocadas em cargos importantes, as certinhas do Berlusconi têm seu epítome em Michela Brambilla, 42, a ministra do Turismo de cabelos ruivos e pernas esculturais, que cruza e ainda por cima mostra a fetichista liga da meia, não do norte. Mulheres que se exibem demais, como uma certa ex-prefeita, contam pontos contra: atitudes provocantes e sensualidade explícita contrariam em tudo a imagem de eficiência e dever cívico que se espera, ou se deveria esperar, dos políticos. Mas a beleza, evidentemente, ajuda.
"Se considerarmos beleza como a capacidade de atração, são pouquíssimas as áreas em que ela não tem alguma influência talvez no chão de fábrica. Estudos mostram que, quanto mais bonita é uma pessoa, maior é seu salário e até maiores são as chances de ser absolvida por um júri. Até professores bonitos são beneficiados, pois recebem trabalhos mais benfeitos. Assim, é natural o bom desempenho de políticos bonitos", avalia Geoffrey Jones, professor de história dos negócios na Universidade Harvard e autor do recém-lançado Beauty Imagined: a History of the Global Beauty Industry (Beleza Imaginada: História da Indústria Global da Beleza). Apesar das variantes culturais em torno dos padrões de beleza, algumas características são comuns em todos os quadrantes. Traços simétricos, maxilares bem-talhados e testas nobres conferem o ar presidencial que é o sonho de qualquer político americano. Ao sondar as águas republicanas, Mitt Romney, 63 anos, empresário, mórmon, ex-governador, ouviu de analistas seriíssimos que tinha "o queixo perfeito, o cabelo perfeito" e "ombros onde um 747 poderia pousar". Resultado: já é pré-candidato em 2012. Ilustre desconhecido, o agora senador Scott Brown conquistou votos e corações em ritmo acelerado. E não escapa às piadinhas: na juventude, bem antes de ocupar a cadeira no Senado que um dia pertenceu à dinastia Kennedy até hoje um padrão insuperável de beleza na política , ganhou a vida como modelo e, aos 22 anos, posou só com suas convicções para uma revista feminina.
No Brasil, onde a beleza definitivamente não é um fator no atual momento eleitoral, os gritinhos apaixonados são inevitáveis à passagem do deputado Fabio Faria (PMN-RN), 32 anos, 1,90 metro, 14 000 seguidores no Twitter, ex de várias beldades midiáticas e atual da apresentadora Sabrina Sato. Indagado sobre o assunto, Faria recita os mantras dos bonitos e bem-sucedidos: "Não me acho bonito", "Essa questão da beleza atrapalha muito ao longo do mandato" e, óbvio, "Sou muito pouco vaidoso". Fora isso, é dono de academia, joga futebol duas vezes por semana, faz musculação outras três e surfa "quando sobra tempo". Sem contar o penteado, milimetricamente displicente. Cabelo, naturalmente, é importante. Olhos verdes também ajudam bastante, sejam suaves como os de José Luis Zapatero, o primeiro-ministro da Espanha (apelido: Bambi, pela meiguice, sem segundas interpretações), sejam eles, os olhos, faiscantes como os de Rafael Correa, presidente do Equador e isolado bonitão na turma bolivariana do poncho e adereços vermelhos. Os motivos não racionais que influenciam o voto foram objeto de estudo de Andrew Leigh, professor da Universidade Nacional Australiana. Na pesquisa, que usou as fotos dos santinhos distribuídos pelos partidos, a aprovação aos políticos mais bem-apessoados ficou entre 1,5 e 2 pontos porcentuais acima da dos menos privilegiados. "Fazemos julgamentos o tempo todo e, hoje, usamos a beleza como um indicador de competência. Pessoas com rosto simétrico ou feições mais definidas são vistas como mais dignas de confiança", explica Leigh. Detalhe importante: "O efeito da beleza é maior se o político é menos conhecido do eleitorado".
"A primeira mensagem que o eleitor percebe, antes do plano semântico, é o plano estético. O primeiro discurso, o que mais impacta, é a mensagem da estética", explica o professor de comunicação política Gaudêncio Torquato, da Universidade de São Paulo. Essa primeira impressão ajuda a determinar se o candidato terá ou não chance de segundas e terceiras impressões aí, sim, mais diretamente ligadas a propostas políticas. Segundo Torquato, nesse primeiro contato têm importância não só os traços do rosto, mas também o cabelo, as roupas, os adereços e o gestual dos candidatos. "Na época das campanhas, todos eles se cuidam mais. Atendo políticos que concorrem a cargos nacionais, mas também já cuidei de prefeitos do interior", conta a dermatologista Adriana Vilarinho, de São Paulo. Não que todos sejam lindos, muito pelo contrário uma voltinha por Brasília basta para derrubar todas as teses da relevância estética. "O que as pessoas tentam é amenizar as imperfeições, parecer mais jovens, mais fortes, mais saudáveis. Em política, muito mais do que a perfeição estética, o que se busca é a adequação com a imagem que se quer passar", analisa Edson Giusti, sócio de uma agência especializada em gestão de imagem. Em suma, beleza não é o principal fator de decisão na hora de apertar o "confirma", mas ajuda, e bastante, a atrair os eleitores. "Beleza não se sobrepõe a biografia e posicionamento. Agora, se contar com os três, dificilmente um candidato perderá a eleição", resume o cientista político Antonio Lavareda.
Fotos Le
Figaro e Tom Stocrill/Other Images![]() |
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ora, fora de circulação Ségolène Royal perdeu na França, e ainda por cima para Sarkozy; a ucraniana Yulia Tymoshenko, linda, loira e rica, não resistiu ao teste final o do exercício do poder |
Fotos Reprodução e Victor
Ch. Vargas/Revista Caretas![]() |
| Plataforma de lançamento Sensualidade atrapalha: Michela tem o voto que importa, o de Berlusconi, mas não o respeito do eleitorado. Luciana vai além do sorriso para os peruanos |