Copa
Cartão
vermelho para a paradinha
O veto à finta na hora de
bater o pênalti é uma decisão
de bom senso
mas ela pode complicar a vida
dos juízes de futebol

Fábio Altman
 |
A Reclamação de Neymar
"A Fifa deveria se preocupar
com outras coisas" |
Deu-se
um tempo (ainda que brevíssimo) para a polêmica em torno dos 23 jogadores
convocados por Dunga para a Copa do Mundo. Na semana passada, outro assunto de
futebol entrou nas rodas de conversa: a chamada paradinha na hora de bater o pênalti.
O International Board a associação da qual faz parte a Fifa
e que rege as regras do esporte decidiu proibir o recurso nas cobranças
de pênalti a partir de 1° de junho. O novo texto da regra 14 diz o
seguinte: "A finta durante a aproximação para a cobrança
do pênalti com o objetivo de confundir o adversário é permitida.
Contudo, a finta para chutar a bola uma vez que o jogador tenha completado a sua
aproximação é agora considerada uma infração
e um ato de comportamento antidesportivo pelo qual o jogador deverá ser
advertido". Em outras palavras: o drible de corpo ao estilo de Pelé,
feito no deslocamento a caminho da marca de cal, é autorizado. A chamada
"paradona" na hora de bater, como tem feito Neymar, a nova estrela do
Santos, é vetada (veja o quadro abaixo).
Mas por que,
afinal de contas, um recurso é válido e o outro não? "No
caso de Pelé, a genialidade foi inventar uma maneira de driblar o goleiro
a distância sem interromper a corrida a caminho do chute", diz Ronald
Ranvaud, do Laboratório de Fisiologia do Comportamento da USP, estudioso
de pênaltis. "Hoje há muito exagero, é como se os batedores
parassem de se movimentar e retomassem a cobrança." A paradinha (little
stop, na tradução da Fifa em seu site oficial), na versão
light ou mais pesada, há tempos opõe artilheiros e goleiros. Diz
Neymar: "A Fifa deveria se preocupar com outras coisas". Afirma Bruno,
goleiro do Flamengo: "É uma atitude que facilitará bem nossa
vida".
Na reunião em Zurique em que se decidiu
pelo veto foram exibidos dezenas de lances de pênalti quase todos
brasileiros, porque é praticamente uma exclusividade do país de
Dunga. Houve risos das autoridades à medida que os lances apareciam no
telão. O tom de galhofa é que os induziu à proibição.
"A paradinha causou desigualdade entre o batedor e o goleiro", diz o
árbitro brasileiro Sálvio Spínola, dos quadros da Fifa.
Foi
criado, com a norma, algo como a regra que, no basquete, impede a permanência
do arremessador mais do que três segundos na área do garrafão,
debaixo da cesta. Agora, no futebol e numa área muito mais restrita,
a do círculo contíguo à bola , é bater e pronto,
sem firulas. Há uma certeza: com a decisão, os juízes terão
uma nova dor de cabeça, ao ter de decidir o que foi paradinha ou paradona.
Os cartolas deram um voto ao bom comportamento nos gramados mas podem ter
provocado ainda mais confusão.

|