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Home  »  Revistas  »  Edição 2166 / 26 de maio de 2010


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Cartão vermelho para a paradinha

O veto à finta na hora de bater o pênalti é uma decisão
de bom senso – mas ela pode complicar a vida
dos juízes de futebol


Fábio Altman

A Reclamação de Neymar
"A Fifa deveria se preocupar
com outras coisas"

Deu-se um tempo (ainda que brevíssimo) para a polêmica em torno dos 23 jogadores convocados por Dunga para a Copa do Mundo. Na semana passada, outro assunto de futebol entrou nas rodas de conversa: a chamada paradinha na hora de bater o pênalti. O International Board – a associação da qual faz parte a Fifa e que rege as regras do esporte – decidiu proibir o recurso nas cobranças de pênalti a partir de 1° de junho. O novo texto da regra 14 diz o seguinte: "A finta durante a aproximação para a cobrança do pênalti com o objetivo de confundir o adversário é permitida. Contudo, a finta para chutar a bola uma vez que o jogador tenha completado a sua aproximação é agora considerada uma infração e um ato de comportamento antidesportivo pelo qual o jogador deverá ser advertido". Em outras palavras: o drible de corpo ao estilo de Pelé, feito no deslocamento a caminho da marca de cal, é autorizado. A chamada "paradona" na hora de bater, como tem feito Neymar, a nova estrela do Santos, é vetada (veja o quadro abaixo).

Mas por que, afinal de contas, um recurso é válido e o outro não? "No caso de Pelé, a genialidade foi inventar uma maneira de driblar o goleiro a distância sem interromper a corrida a caminho do chute", diz Ronald Ranvaud, do Laboratório de Fisiologia do Comportamento da USP, estudioso de pênaltis. "Hoje há muito exagero, é como se os batedores parassem de se movimentar e retomassem a cobrança." A paradinha (little stop, na tradução da Fifa em seu site oficial), na versão light ou mais pesada, há tempos opõe artilheiros e goleiros. Diz Neymar: "A Fifa deveria se preocupar com outras coisas". Afirma Bruno, goleiro do Flamengo: "É uma atitude que facilitará bem nossa vida".

Na reunião em Zurique em que se decidiu pelo veto foram exibidos dezenas de lances de pênalti – quase todos brasileiros, porque é praticamente uma exclusividade do país de Dunga. Houve risos das autoridades à medida que os lances apareciam no telão. O tom de galhofa é que os induziu à proibição. "A paradinha causou desigualdade entre o batedor e o goleiro", diz o árbitro brasileiro Sálvio Spínola, dos quadros da Fifa.

Foi criado, com a norma, algo como a regra que, no basquete, impede a permanência do arremessador mais do que três segundos na área do garrafão, debaixo da cesta. Agora, no futebol – e numa área muito mais restrita, a do círculo contíguo à bola –, é bater e pronto, sem firulas. Há uma certeza: com a decisão, os juízes terão uma nova dor de cabeça, ao ter de decidir o que foi paradinha ou paradona. Os cartolas deram um voto ao bom comportamento nos gramados – mas podem ter provocado ainda mais confusão.

 

 
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