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Home  »  Revistas  »  Edição 2166 / 26 de maio de 2010


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Brilhar para esquecer

Paetês, pedrarias e até lurex: neste inverno, tudo que reluz
vai valer ouro – e ajudar a espantar o fantasma da crise


Anna Paula Buchalla

Divulgação
FULGURANTES
Carrie e amigas em Sex and the City 2: vestido dourado de 47 000 dólares


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Os primeiros sinais foram discretos. Nas coleções dos últimos dois anos das grandes grifes, paetês apareciam aqui e ali, dando um realce a algumas das criações. Depois, na festa do Oscar, as evidências começaram a se acumular. Em geral, até em noite de gala, como essa, os brilhos são exceção; no tapete vermelho deste ano, foram regra – pedrarias generosas cravejavam a cintura ou o ombro (às vezes, a cintura e o ombro) das atrizes mais ilustres. Apliques brilhantes enfeitaram a vitoriosa da noite, Sandra Bullock, e o tecido de efeito metalizado chamou atenção para o figurino mais comentado, o de Jennifer Lopez. De lá para cá, chegou-se ao ponto do liberou geral: a ordem, neste inverno, é brilhar muito. Inclusive de dia. E da cabeça aos pés, se assim o desejarem as fashionistas mais apoteóticas: se o material emite fulgurâncias e cintilações (como as pedrarias, o lamê, os paetês e até o lurex, aquele tecido de tramas metalizadas que cintilava nas discotecas dos anos 70), há alguém, em algum lugar, tratando de aproveitá-lo.

As especialistas recomendam parcimônia: não é porque você busca os holofotes que precisa ser o holofote. Segundo a consultora de moda Lalá Noleto, o brilho ajuda as mulheres a perder o medo de chamar atenção – desde que não se perca também aquele medo saudável de atrair olhares para os volumes por si só visíveis além do recomendável (os quais, com brilho, parecerão e-nor-mes). "O certo é usar os paetês em partes do corpo que se quer realçar", diz. Para não correr o risco de ser confundida com passista de escola de samba, ensina a estilista Helô Rocha, é bom moderar nas faíscas durante o dia, e deixar para resplandecer à noite. Mas adianta dar esses conselhos, se tudo em volta já começa a refulgir? Nos desfiles de outono-inverno do Hemisfério Norte, os vestidos apareceram decorados com apliques de cima a baixo. Acessórios com cristais e pedrarias são o que mais se vê nas vitrines de grifes como Prada e Miu Miu, das sandálias aos tecidos e bijuteriais como maxicolares – máxi porque ninguém, afinal, acha de verdade que é o caso de brilhar com discernimento nesta estação.

Veja-se, por exemplo, Carrie Brad-shaw, a personagem que se confunde com sua intérprete, a atriz Sarah Jessica Parker, no papel de über-ícone fashion: na foto maior desta página, Carrie e suas amigas se divertem em cena de Sex and the City 2, que estreia no país na sexta-feira. Todas as quatro estão reluzindo, por desígnio de Patricia Field, a estilista que criou toda a indumentária das personagens para a série de TV e os filmes e ditou incontáveis modas desde então. Carrie, aliás, reluz em mais de um sentido: seu vestido de lamê dourado é um Chanel avaliado em 47 000 dólares. Nem todo brilho é chique assim – mas todo ele ajuda a espantar o baixo-astral da recessão. "Roupas bem cortadas, com acabamento impecável, muito brilho e joias deslumbrantes ajudam a compensar a depressão causada pela crise", diz a consultora Costanza Pascolato. "É um estímulo a sonhar com o luxo."

EFEITO METALIZADO
Lantejoulas e apliques nos vestidos (bicolor de paetê e de seda com bordados, ambos da Daslu),
na saia (Lilly Sarti) e no blazer (Thelure)


Fotos Edú Lopes e divulgação
PARA DESLUMBRAR
Pedrarias compõem acessórios (bolsa Louis Vuitton e pulseiras Fabrizio Giannone)
e sapatos (escarpim dourado Louis Vuitton e sandália com brilhos da Schutz)
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