Imagem da Semana
Um amor de espiã
Ex-agente
da CIA que detonou Bush quer acabar com o gatilho nuclear;
mas antes dá
uma voltinha no tapetão de Cannes

Vilma Gryzinski
Mark Mainz/AP
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Adivinhem o que as
duas ao lado estão pensando: a) Ai, esse salto está me matando;
b) O meu vestido é mais bonito que o dela; c) O equilíbrio
mundial de forças propiciado pela política de destruição
mútua garantida, via grandes arsenais nucleares, já se esgotou e é preciso partir para o desarmamento total. Evidentemente, todo mundo
cravou na terceira opção. A resposta está correta, pelo menos
no caso, hipotético embora demonstrável, de Valerie Plame (à
esquerda na foto), que foi à estreia, em Cannes, do filme sobre sua
vida em companhia da atriz que a interpreta, Naomi Watts. Agente da CIA com
especialização em armas de destruição em massa, Valerie
virou, em 2003, heroína das hostes anti-Bush ou seja, uns 90% da
humanidade. Relembrando: o marido dela, um diplomata bacanão, Joe
Wilson, havia sido enviado ao Níger para investigar uma possível
conexão com o Iraque para a produção de armamentos proibidos.
Não encontrou nada e escreveu um artigo no New York Times dizendo
isso, para desgosto dos bushistas, que usavam o argumento das bruxarias atômicas
para defender a invasão do Iraque. Logo depois, um assessor vazou
o nome de Valerie, uma agente de campo, o que é proibido por
lei (posteriormente, foi condenado). Quem resistiria à história
de uma espiã linda, loira e martirizada? Ninguém nem tentou. Valerie
saiu da CIA, escreveu um livro, ficou famosa. E as armas nuclea-res? Ela está
em outro filme, um documentário que propugna a destruição
de todos os arsenais atômicos como forma de impedir que alguma coisa acabe
nas mãos de terroristas. A ideia é ingênua, mas, pensando
melhor, quem sabe não pudesse emplacar com os barbudinhos
do Irã.
Não daria certo? Ah, tem tanta gente tentando...
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