Edição 1855 . 26 de maio de 2004

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

BRASIL

Identidade nova
O Ministério da Justiça deu a partida para a criação de uma carteira de identidade única em todo o país. O cadastro será unificado num só banco de dados – o que hoje não ocorre, por incrível que pareça. O grupo de estudos que foi formado com outros ministérios discutirá também a possibilidade de mais dados, como o CPF, constarem no documento.

 

GOVERNO

Lula voltou a subir 1
Na semana passada, chegou ao Palácio do Planalto a primeira pesquisa nacional de opinião pós-caso Larry Rohter. Foi encomendada pelo governo a um grande instituto de pesquisa e realizou-se nos dias 15 e 16. O resultado mostra que a avaliação do governo Lula voltou a subir. Subiu pouco. Mas nada mau quando se sabe que os números estavam cadentes até março, haviam se estabilizado em abril e que o salário mínimo de 260 reais não foi exatamente uma boa notícia para o povão.

Lula voltou a subir 2
Não se pense, porém, que a trapalhada do governo no caso Rohter ajudou no desempenho: cerca de 60% dos ouvidos consideraram que o presidente errou ao tentar expulsar o jornalista do país.

Longe daqui
O senador Cristovam Buarque adora o ministro José Dirceu. Na quarta-feira passada, pouco antes da votação que aprovou o envio de 1 200 militares brasileiros ao Haiti, soltou esta numa roda de senadores: "O governo pode contar com o meu voto. Mas com uma condição: o Zé Dirceu tem de ser o comandante da tropa".

Herança maldita?
A propósito, Tarso Genro, o sucessor de Cristovam Buarque no MEC, paralisou mais um programa do ex-ministro, o "escola ideal".

Desarticulação política
A humilhante derrota do governo no projeto que previa a reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado deixou José Dirceu profundamente irritado com o ministro Aldo Rebelo, a quem caberia comandar a articulação política.

Vai ter troco
A pelo menos um senador com quem conversou, José Dirceu mandou um nada enigmático "isso não vai ficar assim". Referia-se aos peemedebistas e outros aliados que articularam a derrota do governo na votação de quarta-feira passada na Câmara.

 

Ela enfrenta a família Sarney

Oscar Cabral
Alexandra: uma primeira-dama do barulho


A primeira-dama do Maranhão, Alexandra Tavares, continua dando fortes dores de cabeça aos Sarney, mandachuvas do Estado há quatro décadas. Para eles, Alexandra afronta o clã. O mais recente capítulo do confronto é a suspensão do contrato de publicidade do governo maranhense com a TV Mirante (retransmissora da Globo) no valor de 700 000 reais mensais – uma retaliação a uma suposta perseguição dos telejornais da emissora de José Sarney contra Alexandra. Membros da família Sarney têm espalhado que a atuação dela como uma espécie de primeira-ministra do governo estadual está levando o Maranhão ao caos financeiro. O governador José Reinaldo (marido de Alexandra e afilhado político de Sarney) costuma vestir o uniforme de bombeiro, mas as labaredas estão altas.

CERVEJAS

A guerra continua
A Schincariol tem em mãos uma auditoria feita pela Trevisan & Associados que será usada para subir a temperatura da guerra contra a AmBev. Segundo os dados auditados pela Trevisan, a Schincariol produziu 3,3 milhões de hectolitros de cerveja no primeiro trimestre – o que lhe daria uma participação de mercado de 17,5%. E qual é o problema? O problema é que pelas últimas aferições a Schincariol aparecia com uma fatia de cerca de 14%. O que a Schin vai querer provar é que a AmBev tem uma participação um pouco menor do que diz ter.

 

ECONOMIA

Slim e a NET
Na audiência que teve com Lula na quarta-feira passada, Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel e o homem mais rico da América Latina, disse que tem muito interesse no setor de TV a cabo no país. Mais não disse – mas foi a primeira informação oficial ao governo de suas negociações com a Globo para comprar a NET.

O Bradesco no morro
O Bradesco está procurando um local para abrir uma agência na Favela da Rocinha.

Mudanças na Cargill
A Cargill, gigante americana com atuação nas áreas agrícola, de alimentos, financeira e industrial, está mudando de comando no Brasil. O novo presidente será o executivo Sérgio Rial, de 42 anos, que hoje atua no banco de investimentos Bear Sterns. A operação brasileira da Cargill fatura cerca de 8 bilhões de reais por ano.

 

FUTEBOL

Primo rico e primo pobre
Veja como o futebol brasileiro e o europeu estão a anos-luz um do outro no quesito poderio econômico. O prêmio total para o vencedor da Liga dos Campeões da Europa – que será conhecido nesta quarta-feira, depois da partida entre Mônaco e Porto – será de 23 milhões de euros (o equivalente a 82 milhões de reais). Para um time daqui conquistar essa premiação precisaria vencer o equivalente a dez campeonatos brasileiros.

Com os pés trocados
Ronaldo não faz gols há sete jogos – contando as partidas pelo Real Madrid e pela seleção. É a primeira vez que isso acontece. O fenomenal atacante tomou quatro cartões amarelos nos últimos dez jogos e perdeu quatro partidas seguidas pelo Real Madrid, a maior seqüência de derrotas de sua carreira.

 

Kulal, um touro indomável e lucrativo


Divulgação
O touro Kulal: o pai do ano

Num olhar de relance, não parece um touro diferente dos outros. Mas "Kulal", aos 11 anos de idade, é um nelore recordista. Acaba de bater a marca das 250 000 doses de sêmen. Tem mais de 120 000 filhos (isso mesmo: 120 000!) espalhados por cerca de 1 000 fazendas brasileiras. Estima-se que ainda tenha pela frente mais cinco anos de fertilidade – e põe fertilidade nisso. Como produz 50 000 doses de sêmen por ano, deve dobrar a marca atual. Agora, faça as contas: cada dose é vendida por 42 reais. Isso significa que Kulal pode render a seus donos (a família Grendene) algo como 21 milhões de reais.

 

Colaboraram André Fontenelle e Daniela Pinheiro

 

 


Foto: Antonio Milena


 
 
 
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