Edição 1855 . 26 de maio de 2004

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Especial

A importância da beleza


Bob Wolfenson
Divulgação
AS MAIS BELAS
Gisele Bündchen e a atriz Diane Krueger como Helena de Tróia: simetria e proporção nos traços

A todo momento, mesmo sem perceber, fazemos julgamentos estéticos sobre o que enxergamos, sejam objetos, pessoas ou paisagens. Mas em que critérios se baseiam nossas avaliações? Em outras palavras, como definir a beleza? Eis aí uma questão que, através da história, preocupou filósofos e cientistas – e cada época deu uma resposta diferente a ela. As curvas da modelo Gisele Bündchen hoje deslumbram os homens e provocam inveja nas mulheres, mas nas duas últimas décadas do século XIX sua silhueta esguia seria considerada sinal de pouca saúde ou desleixo: bonitas mesmo eram as mulheres rechonchudas. Durante muitos séculos, beleza foi um conceito intrinsecamente ligado à geometria. "Os ideais matemáticos da beleza, a noção de que ela está ligada à unidade, à organização espacial e à ordem, nasceram na Grécia antiga, perpetuaram-se em outras culturas e até hoje, de certa forma, continuam a ser usados", diz a psicóloga Nancy Etcoff, da Universidade Harvard.

O filósofo grego Platão fez eco a Pitágoras, ao dizer que o belo residia no tamanho apropriado das partes, que se ajustavam de forma harmoniosa no todo, criando assim o equilíbrio. Esse ideal estaria personificado em Helena, pivô da Guerra de Tróia, episódio que pode ser visto atualmente no cinema em versão de Hollywood. De tão deslumbrante, Helena foi elevada à categoria de semideusa no célebre poema épico Ilíada, de Homero. Sabe-se que a beleza da rainha egípcia Nefertiti, esposa do faraó Amenófis IV, que viveu catorze séculos antes de Cristo, também se amparava no equilíbrio das formas. O busto com sua imagem, hoje exposto no Museu Egípcio de Berlim, mostra que tinha o semblante perfeitamente simétrico e perfil bem delineado, além de maçãs do rosto salientes e lábios carnudos – detalhes que remetem ao conceito atual de beleza feminina. A doutrina grega da beleza comportava, ainda, um outro conceito importante – o da luminosidade. Em Homero, pode-se ler que "belas são as armas dos heróis, porque são ornadas e resplandecentes; é bela a luz do sol e da lua, e belo é o homem de olhos brilhantes". A luminosidade se tornaria, assim, um ideal a ser perseguido, principalmente na pintura renascentista. Também durante a Renascença, artistas como Leonardo da Vinci, Albrecht Dürer e Michelangelo passaram a utilizar uma equação matemática chamada proporção áurea – aplicada no projeto arquitetônico da maioria das grandes catedrais desde a Idade Média –, para ilustrar o conceito de que muito da beleza de homens e mulheres dependia das proporções entre a cabeça e o corpo. A escultura Davi, de Michelangelo, é um dos exemplos mais perfeitos da aplicação da proporção áurea.

Foi no século XVIII que nasceu a disciplina filosófica que leva o nome de estética e que se ocupa do belo e da arte. Na segunda metade do século seguinte, as explicações sobre a natureza da beleza tomaram um rumo inesperado com as teorias do naturalista inglês Charles Darwin. Em seu livro A Origem das Espécies, de 1859, ele a definiu como um fator biológico necessário à reprodução dos animais. Hoje, psicólogos evolucionistas defendem suas teorias sobre a beleza calcados na premissa darwiniana de que ela serve para assegurar a sobrevivência da espécie humana. A preferência dos homens por mulheres jovens, de quadris largos e cintura fina – atributos ligados à fertilidade – seria uma forma de garantir a geração de filhos saudáveis. Já as mulheres se sentiriam atraídas por homens altos e fortes, porque esses seriam atributos de bons provedores e de defensores da prole em qualquer circunstância.

Muitos estudiosos vão à frente nessa teoria e afirmam que atualmente, mais do que nunca, a aparência física é levada em conta não apenas no terreno do amor e do sexo, mas em todos os relacionamentos pessoais. No ambiente de trabalho, por exemplo. Antigamente, para causar boa impressão quanto ao visual, bastava que o funcionário se apresentasse com roupas adequadas. Hoje, diz o economista Markus Mobius, da Universidade Harvard, é preciso mais do que isso. Sob o título Why Beauty Matters (Por que a Beleza Importa), Mobius publicou o resultado de seu estudo em dezenas de empresas americanas. Ele conclui que as pessoas mais bonitas – e não as mais bem vestidas ou educadas – ganham mais do que aquelas a quem falta esse atributo. "Beleza evoca confiança e ser confiável, hoje, se traduz em melhores salários", ele escreve. Para os menos belos, restam os recursos hoje disponíveis, que incluem desde cosméticos até cirurgias plásticas. É um setor que movimenta anualmente 160 bilhões de dólares no mundo.

 

Guerra de curvas e egos


AFP
O CARTÃO-POSTAL
Museu Guggenheim de Bilbao: Gehry usou um software próprio para projetar aviões militares

O canadense Frank Gehry e o holandês Rem Koolhaas são hoje as duas maiores estrelas da arquitetura – e o estilo de ambos não poderia ser mais diferente, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Gehry, de 75 anos, tem como marca registrada as construções apoteóticas, cobertas por chapas de aço ou titânio que se entrelaçam em curvas côncavas e convexas. Suas obras mais vistosas são o Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, e o auditório Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles. Ambas brilham tanto quanto seu ego. Freqüentemente acusado de se repetir, costuma retrucar dizendo que se utilizar das mesmas formas é uma questão de estilo. "Ninguém nunca acusou Picasso ou Matisse de repetir o tema de suas pinturas", disse ele a VEJA, numa conversa recente.

AP
Gehry: o mais famoso


As obras de Koolhaas, de 59 anos, costumam guardar poucas semelhanças entre si. As mais festejadas são a recém-inaugurada Biblioteca Pública de Seattle, uma caixa com paredes de vidro irregulares coberta por uma espécie de colmeia de aço, e o sensacional túnel ferroviário que passa sobre o campus de Chicago do Instituto de Tecnologia de Illinois. O holandês é um teórico da arquitetura, que abomina os arranha-céus (diz que eles isolam as pessoas em vez de promover sua integração) e em 1978 lançou o explosivo best-seller Delirious New York, um manifesto ranzinza contra o perfil urbano de Manhattan.

Com personalidades tão diferentes, é compreensível que as duas estrelas freqüentemente troquem dardos certeiros. "As posições intelectuais de Koolhaas são muito úteis para os jovens recém-saídos da faculdade", diz Gehry. "Alguns arquitetos começam a capitalizar o sucesso e se repetem em vez de tentar novos territórios", devolve Koolhaas. Enquanto os dois discutem, as grandes cidades do mundo ganham cartões-postais instantâneos com suas obras de ótimo design.

 

Uma idéia criativa: ordem na bagunça


Embora ofereçam grande variedade de roupas íntimas, as lojas de departamentos nunca foram o local preferido das mulheres para comprá-las. Na hora da escolha, a profusão de ofertas, em vez de ajudar, atrapalha. Disposta a contornar esse problema, a cadeia americana Warnaco contratou a empresa de design Ideo para reformar seu setor de calcinhas e sutiãs. A primeira providência foi ordenar a bagunça. O visual abarrotado, no qual era praticamente impossível encontrar os tamanhos e as cores desejadas, foi substituído pelos designers por um espaço limpo e desimpedido. Cada marca de lingerie ganhou uma seção própria, com divisórias e exibidores coloridos que ressaltam o nome do fabricante. Contrataram-se vendedoras para auxiliar na busca de peças, criou-se um espaço social com sofás e poltronas e um lugar para abrigar bolsas e pacotes de clientes. Tudo para evitar que as americanas acabem, como quase sempre acontece, batendo na porta de uma concorrente glamourosa e arrumadinha, como a Victoria's Secret.

 

Quando a roda encontrou a mala


Divulgação
Maleta da americana Züca: rodinhas para subir escadas


Carregar peso é uma condenação da espécie desde que os ancestrais humanos assumiram a postura ereta. Desde esse salto evolucionário, passaram-se milhões de anos até a invenção da roda, cujo exemplar mais antigo foi datado em 5.500 anos. Curiosamente, só em 1987 ocorreu a alguém unir a roda ao peso mais comum que as pessoas carregam, suas malas de viagem. Esse benemérito se chama Robert Plath, um piloto da companhia aérea americana Northwest, inventor da mala com rodinhas. Karl Marx foi o primeiro economista a entender o poder dos objetos, seus desenhos e tecnologias. Ele chamou isso de "meios de produção". Abriu-se então um campo de investigação vastíssimo. Hoje se sabe que o canhão, ao lançar bolas de aço sobre as muralhas medievais, decretou o fim do feudalismo e o começo do capitalismo. A disseminação das portas em casas deu origem à privacidade e à propriedade privada, dois pilares da vida moderna. Os óculos liberaram as mãos para o trabalho, duplicando a produtividade, feito nunca igualado, nem mesmo pelos computadores ou pela internet.

 

O que é, o que é?

A criatividade pode produzir ilusões de ótica. Tente identificar para que servem os objetos abaixo.

Fotos divulgação



 

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