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Carta ao leitor
Orçamento é coisa séria
Fox Photos/Getty Images
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| Winston Churchill sai de casa com a pasta
do Orçamento em 1927, quando era ministro da Fazenda
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O entrevistado das Páginas
Amarelas da presente edição de VEJA é o economista
indiano Vinod Thomas, especialista em países emergentes do
Banco Mundial. Thomas constata um fato de grande relevância
para os brasileiros. Segundo ele, o Brasil já avançou
muito na construção de um ambiente econômico
capaz de produzir taxas de crescimento fortes o suficiente para
debelar o desemprego e aumentar a qualidade de vida da população.
Falta pouco, muito pouco. Thomas diz que, em comparação
com os grandiosos desafios colocados no caminho da China e da Índia,
os que se oferecem aos governantes brasileiros são muito
simples. O Brasil já possui uma eficiente e respeitada Lei
de Responsabilidade Fiscal. Os mercados descolaram suas análises
das patacoadas produzidas em Brasília e enxergam um país
real com excelente prognóstico. Isso se revela pela queda
constante do chamado risco-país do Brasil.
O que falta? Falta aprovar leis
trabalhistas que incentivem a contratação. Falta cortar
gastos dos governos para, com isso, permitir ao Banco Central baixar
os juros e abrir caminho para investimentos produtivos e maior crescimento.
Falta levar a sério o Orçamento da União. Saber
quanto podem gastar sem arriscar o futuro das novas gerações
é preocupação de todo pai e mãe responsáveis.
Em Brasília, esse conceito não é conhecido.
Na semana passada, com quatro meses de atraso, finalmente o governo
conseguiu que o Congresso aprovasse o Orçamento de 2006.
Uma reportagem desta edição mostra que a aprovação
só veio depois de muita barganha e troca de favores. Mostra
também que o processo orçamentário no Brasil
ainda é primitivo e tem muito que melhorar.
A Inglaterra é o país
onde esse processo nasceu e é feito há séculos
de maneira litúrgica, com os olhos fixos no interesse nacional.
Uma vez por ano o chancellor of the Exchequer, o ministro da Fazenda,
sai de sua casa no número 11 da Rua Downing, em Londres,
mostra a pasta com o Orçamento e vai a pé até
a Casa dos Comuns, onde passa o dia discutindo os números.
Não existe um processo de aprovação pela simples
razão de que o Orçamento inglês é feito
pelo próprio Parlamento. No Brasil, copiou-se o nome, mas
não a seriedade e a sobriedade com que esse assunto deve
ser encarado. Felizmente, como diz Vinod Thomas, talvez falte pouco
para superarmos também esse obstáculo.
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