Edição 1 646 -26/4/2000

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Uma decepção

Rubem Fonseca tropeça em romance histórico-policial

Carlos Graieb

Dos escritores brasileiros vivos, poucos possuem tanto capital acumulado quanto Rubem Fonseca, em talento e prestígio. Se existisse uma Bolsa de Valores da Literatura, entretanto, as ações do autor cairiam nesta semana. Ele acaba de lançar um livro chocho. O texto faz parte de uma coleção da editora Companhia das Letras, Literatura e Morte, cujo conceito é interessante: transformar grandes escritores em personagens de romances de mistério. Até agora, a série foi apenas regular. Fonseca não reverte essa situação. Ele escolheu um personagem promissor, Molière (1622-1673). Por ridicularizar o clero, a nobreza e o povo em suas peças, esse famoso dramaturgo francês acabou angariando uma legião de inimigos. E se ele tivesse morrido envenenado? Essa é a premissa fantasiosa, mas não implausível, de O Doente Molière (143 páginas; 17 reais). Fonseca inventou ainda um bom narrador-detetive, um marquês rico, mulherengo e de gostos cultivados. Mas, aí, surgem os problemas. O maior deles: o autor fica encalacrado entre as necessidades de um romance histórico e as de um policial. Ele precisa invocar o espírito de uma época passada e, ao mesmo tempo, manter a agilidade e a tensão da narrativa. Como não consegue, o resultado é um livro inconvincente.

 
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  Falta o clímax