Uma decepção
Rubem Fonseca tropeça em romance
histórico-policial
Carlos Graieb
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Dos escritores brasileiros vivos, poucos possuem tanto
capital acumulado quanto Rubem Fonseca, em talento e prestígio.
Se existisse uma Bolsa de Valores da Literatura, entretanto,
as ações do autor cairiam nesta semana. Ele
acaba de lançar um livro chocho. O texto faz parte
de uma coleção da editora Companhia das Letras,
Literatura e Morte, cujo conceito é interessante:
transformar grandes escritores em personagens de romances
de mistério. Até agora, a série foi
apenas regular. Fonseca não reverte essa situação.
Ele escolheu um personagem promissor, Molière (1622-1673).
Por ridicularizar o clero, a nobreza e o povo em suas peças,
esse famoso dramaturgo francês acabou angariando uma
legião de inimigos. E se ele tivesse morrido envenenado?
Essa é a premissa fantasiosa, mas não implausível,
de O Doente Molière (143 páginas;
17 reais). Fonseca inventou ainda um bom narrador-detetive,
um marquês rico, mulherengo e de gostos cultivados.
Mas, aí, surgem os problemas. O maior deles: o autor
fica encalacrado entre as necessidades de um romance histórico
e as de um policial. Ele precisa invocar o espírito
de uma época passada e, ao mesmo tempo, manter a
agilidade e a tensão da narrativa. Como não
consegue, o resultado é um livro inconvincente.
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