São
Paulo
No que vai dar?
Câmara aprova processo de
impeachment de Celso Pitta
Milton Michida/AE
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| Vereadores comemoram: e quando a
votação for secreta? |
Teve início o processo de impeachment
do prefeito Celso Pitta. Na semana passada, os vereadores
da cidade aprovaram por 39 votos a 3 a instalação de uma
comissão processante que vai investigar as denúncias feitas
por Nicéa Pitta, ex-primeira-dama do município. Nicéa acusa
o ex-marido de manter um propinoduto ligando a prefeitura
à Câmara dos Vereadores. Por meio dessa ligação, Pitta teria
subornado vereadores e alimentado um esquema de corrupção
herdado do governo de Paulo Maluf. A comissão processante
terá prazo de noventa dias para elaborar um relatório e
decidir se recomenda ou não o afastamento definitivo de
Pitta. Até lá, o prefeito governa normalmente. Inabalável
como um guarda da rainha da Inglaterra, disse que o processo
é "uma oportunidade de ouro" para se defender.
Na verdade, a chamada "oportunidade
de ouro" ocorrerá quando o relatório for a plenário.
Como a votação é secreta – ao contrário da que autorizou
a criação da comissão –, é possível que os vereadores se
sintam mais à vontade para mudar de opinião. O manto do
anonimato é sempre tranqüilizador. E para vereadores que
vêem as eleições de 1º de outubro como uma promessa, votar
publicamente contra Pitta já rendeu boa publicidade. Agora,
na votação secreta, contra ou a favor não faz a mínima diferença.
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