Edição 1 646 -26/4/2000

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São Paulo

No que vai dar?

Câmara aprova processo de
impeachment de Celso Pitta

Milton Michida/AE
Vereadores comemoram: e quando a votação for secreta?


Teve início o processo de impeachment do prefeito Celso Pitta. Na semana passada, os vereadores da cidade aprovaram por 39 votos a 3 a instalação de uma comissão processante que vai investigar as denúncias feitas por Nicéa Pitta, ex-primeira-dama do município. Nicéa acusa o ex-marido de manter um propinoduto ligando a prefeitura à Câmara dos Vereadores. Por meio dessa ligação, Pitta teria subornado vereadores e alimentado um esquema de corrupção herdado do governo de Paulo Maluf. A comissão processante terá prazo de noventa dias para elaborar um relatório e decidir se recomenda ou não o afastamento definitivo de Pitta. Até lá, o prefeito governa normalmente. Inabalável como um guarda da rainha da Inglaterra, disse que o processo é "uma oportunidade de ouro" para se defender.

Na verdade, a chamada "oportunidade de ouro" ocorrerá quando o relatório for a plenário. Como a votação é secreta – ao contrário da que autorizou a criação da comissão –, é possível que os vereadores se sintam mais à vontade para mudar de opinião. O manto do anonimato é sempre tranqüilizador. E para vereadores que vêem as eleições de 1º de outubro como uma promessa, votar publicamente contra Pitta já rendeu boa publicidade. Agora, na votação secreta, contra ou a favor não faz a mínima diferença.

 
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