Aviação
Novos credores
Dívida da Vasp ameaça reduzir
frota da empresa
Marcos Rosa
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| Canhedo, aos funcionários
do INSS: "Vocês querem me quebrar" |
É muito difícil saber qual é a frota da Vasp. Atolada em
dívidas, o número de aeronaves em condições de voar pela
firma de Wagner Canhedo diminui ou aumenta ao sabor das
ações judiciais movidas por credores. Oficialmente, a Vasp
opera 46 aviões. Na semana passada, quatro aeronaves estavam
no centro de discussões judiciais. Na segunda-feira, a Justiça
autorizou a Vasp a usar três Boeing que permaneciam arrestados
por falta de pagamento. Dois dias depois, foi a vez de a
Justiça dar ganho de causa ao dono de outro Boeing que reclama
por falta de pagamento. A aeronave só não foi apreendida
porque Wagner Canhedo fechou um acordo com o proprietário.
Nesta semana, a Vasp deve enfrentar mais uma onda de debates
judiciais. Quatro MD-11 alugados, que operam rotas internacionais
da companhia, também estão com os papagaios atrasados e
seus donos querem os aviões de volta.
As discussões entre a Vasp e seus credores
apontam para algumas mudanças. Canhedo costumava envolver-se
em questões na Justiça em geral quando tinha o Estado como
adversário. Procurava poupar os credores privados como forma
de garantir o fornecimento de serviços. O fato de estar
enfrentando empresas privadas tem sido considerado um dado
preocupante. O que estará acontecendo com a receita da Vasp,
que agora precisa deixar de pagar também aluguéis de aviões?
Das 46 aeronaves, 38 são da Vasp. As demais são mantidas
sob controle da firma em sistema de leasing. Detalhe: os
jatos de sua propriedade são justamente os mais velhos –
com idade média equivalente ao dobro da média nacional.
Se perder os aviões alugados, a Vasp perde em competitividade.
Em meio a tanta confusão, Canhedo obteve
pelo menos uma notícia boa. O governo aceitou sua adesão
ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis), para refinanciar
e parcelar uma dívida que, só com o Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS), pode chegar a 610 milhões de reais.
Para fazer o acordo, Canhedo foi pessoalmente ao departamento
de cobrança do INSS, em São Paulo. Durante a conversa com
os funcionários, bem ao seu estilo, reclamou do tratamento
que recebeu: "Vocês estão querendo quebrar minha empresa",
protestou.
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