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Cinema Jumper é como seu protagonista: viaja muito e não chega nunca
O diretor Doug Liman tem um currículo respeitável: começou com Vamos Nessa, um dos mais deliciosos filmes do cinema jovem; estabeleceu com A Identidade Bourne as bases para a transformação de um gênero consagrado; e faturou alto com Sr. e Sra. Smith. Um placar como esse faz com que se espere muito de Jumper (Estados Unidos, 2008), que estréia nesta sexta-feira e torna também muito difícil explicar como um cineasta sempre tão atento à qualidade do roteiro e do elenco foi descuidar justamente desses dois aspectos. Hayden Christensen, o desanimado Anakin Skywalker de Star Wars, é David, que, num momento de stress adolescente, descobre ter o poder de saltar de qualquer ponto do planeta para outro. David aproveita seu dom para ficar milionário (quem pode se teleportar para dentro de um cofre de banco não precisa arrombá-lo) e virar um bon vivant globalizado. Liman introduz então dois "conflitos" na história: um grupo que caça esses saltadores, liderado por, adivinhe, Samuel L. Jackson; e uma namorada para David, interpretada pela incolor, insípida e inodora Rachel Bilson, que estraga todas as cenas de que participa da mesma forma que Jamie Bell, de Billy Elliot, no papel de outro saltador, salva todas as que lhe cabem. Tivesse o diretor dado a Bell o papel principal, e um rumo à trama, Jumper poderia fazer jus ao seu currículo. O filme, porém, apenas imita seu protagonista: pula para lá e para cá de maneiras até divertidas e criativas, mas não chega a lugar nenhum.
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