"A única
forma de descobrir os limites do possível é
se aventurar um pouco além deles rumo ao
impossível"
Gemunu Amarasinghe/AP
O cientista e escritor: ele criou
2001 e descobriu a "Órbita Clarke"
Em meados dos anos 40, o inglês Arthur C. Clarke foi convencido
por seu advogado a não patentear uma idéia. Num
artigo científico, ele defendeu que os objetos colocados
em órbita a cerca de 35 800 quilômetros da superfície
terrestre se manteriam em posição estacionária,
o que permitiria usá-los como retransmissores de dados
de um ponto a outro do planeta. Embora seu advogado achasse
aquilo um exercício fátuo de futurologia, Clarke
acabava de lançar as bases de uma invenção
revolucionária: os satélites de telecomunicação.
Morto na última quarta-feira, aos 90 anos, Clarke foi
um visionário. Autor de quase uma centena de livros,
tornou-se conhecido do grande público graças às
suas histórias de ficção científica.
A mais famosa delas é 2001 Uma Odisséia
no Espaço (1968), transformada em filme em parceria
com o cineasta Stanley Kubrick, que soube preservar seus aspectos
filosóficos. Em suas obras, Clarke aliou o rigor do estudioso
ele tinha formação em física e matemática
à imaginação livre do ficcionista.
Descreveu robôs capazes de tomar decisões de forma
autônoma, como o HAL 9000 de 2001. Suas narrativas
sobre viagens interplanetárias acabariam tendo impacto
sobre as tecnologias de exploração espacial. Apesar
da enorme influência como escritor, o próprio Clarke
considerava o artigo em que enunciava a futura tecnologia dos
satélites sua obra mais importante. A faixa em que eles
gravitam recebeu o nome de "Órbita Clarke",
em sua homenagem. Desde 1956, Clarke vivia na ex-colônia
inglesa do Sri Lanka, onde praticava outra paixão, o
mergulho (seqüelas da poliomielite o deixaram preso à
cadeira de rodas e ele se dizia "80% operacional na água,
contra 10% na terra"). Clarke morreu de insuficiência
respiratória.