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Edição 2053

26 de março de 2008
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Memória
O fim da odisséia de Clarke

"A única forma de descobrir os limites do possível é
se
aventurar um pouco além deles rumo ao impossível"

Gemunu Amarasinghe/AP
O cientista e escritor: ele criou 2001 e descobriu a "Órbita Clarke"


Em meados dos anos 40, o inglês Arthur C. Clarke foi convencido por seu advogado a não patentear uma idéia. Num artigo científico, ele defendeu que os objetos colocados em órbita a cerca de 35 800 quilômetros da superfície terrestre se manteriam em posição estacionária, o que permitiria usá-los como retransmissores de dados de um ponto a outro do planeta. Embora seu advogado achasse aquilo um exercício fátuo de futurologia, Clarke acabava de lançar as bases de uma invenção revolucionária: os satélites de telecomunicação. Morto na última quarta-feira, aos 90 anos, Clarke foi um visionário. Autor de quase uma centena de livros, tornou-se conhecido do grande público graças às suas histórias de ficção científica. A mais famosa delas é 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968), transformada em filme em parceria com o cineasta Stanley Kubrick, que soube preservar seus aspectos filosóficos. Em suas obras, Clarke aliou o rigor do estudioso – ele tinha formação em física e matemática – à imaginação livre do ficcionista. Descreveu robôs capazes de tomar decisões de forma autônoma, como o HAL 9000 de 2001. Suas narrativas sobre viagens interplanetárias acabariam tendo impacto sobre as tecnologias de exploração espacial. Apesar da enorme influência como escritor, o próprio Clarke considerava o artigo em que enunciava a futura tecnologia dos satélites sua obra mais importante. A faixa em que eles gravitam recebeu o nome de "Órbita Clarke", em sua homenagem. Desde 1956, Clarke vivia na ex-colônia inglesa do Sri Lanka, onde praticava outra paixão, o mergulho (seqüelas da poliomielite o deixaram preso à cadeira de rodas e ele se dizia "80% operacional na água, contra 10% na terra"). Clarke morreu de insuficiência respiratória.

 



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